Tenho um filho de nove anos. Ele tem vários aparelhos e engenhocas (eu sei, que surpresa, não é?) e também tem acesso a outros. A maioria tem tela sensível ao toque. Como você pode imaginar, todos ficam cheios de marcas de dedos e, às vezes, cobertos por um resíduo gorduroso cuja origem tenho medo de descobrir. Não, não quero ouvir teorias sobre a origem disso, obrigado. As que me vêm à mente já são assustadoras o bastante, acredite.

Então, não é de surpreender que eu sempre tenha à mão um “produto” para limpar as telas. E o meu está quase acabando.
Eu disse a mim mesmo: “Na próxima vez que você estiver naquela megaloja, não se esqueça de comprar mais desse produto.”
Na hora, pareceu ser a coisa certa a fazer. Mas não era. Procurei por toda parte e não encontrei absolutamente nenhum sinal do produto no frasco laranja-vivo que eu queria. Procurei nos corredores e nas pontas de gôndola e, por fim, desisti, indignado.
Porque não quero passar meu pouco tempo livre em uma longa caça ao tesouro por 179.000 pés quadrados (pouco mais de 4 acres) de produtos. Pelo menos não procurando por eles fisicamente. Pela internet? Aí é fácil.
Esta história não é sobre como as lojas físicas serão completamente aniquiladas por suas equivalentes digitais porque é mais fácil pesquisar. Isso não vai acontecer. A moral da história é que as duas coexistem e, portanto, exercem influência uma sobre a outra. Uma grande loja digital pode me prometer a entrega no dia seguinte, mas uma grande loja física pode me prometer o produto agora mesmo. Isso significa que, às vezes, ela ganha. Mas uma grande loja digital torna mais fácil encontrar o que preciso, e isso significa que, às vezes, ela ganha. O problema é que, se uma grande loja física ficar muito atrás de uma grande loja digital, perderá cada vez mais oportunidades. A grande loja física precisa encontrar novas formas de competir para não se tornar uma lojinha, e é aí que entra a transformação digital.
Mais do que apenas eliminar o papel
A transformação digital significa mais do que simplesmente criar um site ou disponibilizar serviços via API. As organizações precisam pensar fora da caixa (com o perdão do trocadilho) para oferecer o mesmo nível de conveniência disponível em suas contrapartes digitais. Para os varejistas, isso significa pesquisas e listas e benefícios adicionais (economias! cupons! ofertas especiais!)
Isso pode significar o uso de RFID ou códigos QR para me ajudar a encontrar o que estou procurando. Associar os produtos aos corredores da loja (algo que o Walmart promete com seu aplicativo, por exemplo) me oferece uma maneira fácil de acessar essas informações, o que é cada vez mais essencial para competir com as opções digitais atuais que permitem fazer buscas.
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A transformação digital não se resume a eliminar o papel. Trata-se de proporcionar experiências mais satisfatórias que resultem em taxas de conversão mais altas. Para uma grande loja de varejo, isso significa mais produtos no meu carrinho de compras.
A transformação digital é um caminho para o crescimento. Muitas vezes, lemos apenas sobre como a transformação digital e as APIs abrem novas fontes de receita. E, embora essa seja, sem dúvida, uma das formas pelas quais a transformação digital impulsiona o crescimento, às vezes ela significa apenas aprimorar um processo existente e solucionar os pontos problemáticos que impedem os clientes de comprar, se cadastrar ou interagir de alguma outra forma com sua empresa. Outro ótimo exemplo disso na prática é a Menards (é como uma Lowe’s, mas totalmente do Meio-Oeste dos EUA). Eles têm um aplicativo, e ele parece ser incrível.
Realidade aumentada? Leitura de código de barras. Mapa da loja. Isso é muito legal. Exatamente o que você precisa para se orientar e descobrir quantas peças de madeira 2x4 são necessárias para construir aquele deck novo — e onde encontrar os parafusos franceses de que precisa — com o mínimo de esforço.
As organizações que operam com a mentalidade de que, quanto mais tempo você passa em uma megaloja, mais compras fará talvez devam analisar mais a fundo o impacto do digital sobre as pessoas e seus hábitos. Nós não apenas queremos isso, como queremos agora, e a ideia de que compraremos mais enquanto percorremos os corredores em busca de X já não é tão atraente nem tão válida quanto antes.
A transformação digital não se resume a “eliminar o papel” e também vai além de facilitar serviços como impressão de fotos e renovação de receitas na farmácia. Trata-se também de aprimorar experiências físicas já existentes para aumentar a satisfação dos clientes e fazer com que voltemos na próxima vez que precisarmos encontrar aquele produto que limpa as telas dos nossos dispositivos.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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