Fraude: menos é mais

Ecossistema F5 | 16 de junho de 2022

Em seu livro de 1982, “Megatendências”, John Naisbitt escreveu: “Estamos nos afogando em informação, mas famintos por conhecimento.” Essa é uma das minhas citações favoritas, pois considero que ela retrata com muita precisão a situação de muitos aspectos da vida moderna.

Em particular, ela descreve de forma sucinta a situação de muitos programas corporativos de gestão de fraudes e riscos. Infelizmente, muitos desses programas apresentam altos índices de falsos positivos e outros “ruídos” que reduzem sua eficácia.

Para entender por que o ruído é um problema tão significativo na gestão de fraudes e riscos, primeiro precisamos compreender suas consequências para a empresa. Embora esta não seja uma lista completa, estas são algumas das principais:

  • Ciclos desperdiçados: Quando as equipes de prevenção a fraudes criam um fluxo de trabalho em torno de uma fila de trabalho centralizada, todos os eventos da fila precisam ser priorizados e analisados. O ruído preenche essa fila com itens que precisam ser analisados, mas não agregam valor ao programa de gestão de fraudes e riscos. Em outras palavras, o ruído desperdiça o tempo precioso e valioso da equipe.
  • Verdadeiros positivos não detectados: A expressão “procurar uma agulha no palheiro” descreve bem como é buscar fraudes em meio ao grande volume de dados e eventos com que uma empresa típica se depara. Nessa analogia, a agulha representa os verdadeiros positivos (incidentes de fraude), enquanto o palheiro representa os falsos positivos, que não são fraudes. Quanto mais falsos positivos houver, mais difícil será encontrar os verdadeiros positivos.
  • Aumento dos custos de infraestrutura: O ruído também gera custos de infraestrutura. Cada log, alerta e evento deve ser armazenado, independentemente de agregar valor ao programa de prevenção a fraudes e gestão de riscos. Portanto, se a equipe estiver coletando uma grande quantidade de informações que agregam pouco ou nenhum valor, estará apenas consumindo infraestrutura em excesso. Isso gera um custo que desvia recursos de áreas nas quais eles poderiam agregar muito mais valor.
  • Métricas distorcidas: Os falsos positivos costumam distorcer as métricas. Algumas métricas, especialmente aquelas que se concentram na porcentagem de tempo gasto em incidentes reais de fraude, na proporção entre verdadeiros e falsos positivos, no volume de eventos, no número de eventos tratados, no tempo do analista por evento, entre outras, serão fortemente afetadas pelo volume de ruído. Quanto menor for a taxa de falsos positivos, mais precisos e favoráveis serão os resultados dessas métricas.

Conhecer alguns dos motivos pelos quais os falsos positivos e o ruído afetam negativamente nosso programa de prevenção a fraudes nos ajuda a elaborar um plano para resolver o problema. Aqui estão algumas sugestões que considero úteis ao longo da minha carreira:

  • Comece pelo risco: Como era de se esperar, todos os caminhos bem-sucedidos começam com uma sólida compreensão dos riscos e um compromisso firme com sua gestão. Avalie os riscos e as ameaças à empresa, entenda o que eles afetam dentro dela e identifique o possível custo ou prejuízo associado a cada um.
  • Defina metas e prioridades: Selecionar o que abordar e quando é uma das decisões estratégicas mais importantes que uma equipe de prevenção a fraudes e gestão de riscos pode tomar. Priorize os riscos e as ameaças identificados na etapa anterior e defina metas e prioridades a serem tratadas tanto no curto quanto no longo prazo.
  • Avalie o impacto: Identificar ativos críticos, recursos essenciais e repositórios de dados importantes, entre outros elementos, ajuda a equipe a entender o possível impacto de um incidente. Saber onde estão os ativos, recursos e dados mais sensíveis e importantes ajuda a equipe a se concentrar nas áreas em que há lacunas na telemetria.
  • Identificar dados e lacunas: Entenda a coleta de telemetria existente e avalie se cada fonte de dados contribui para o programa de prevenção a fraudes e gestão de riscos. Caso contrário, coletá-la apenas aumenta os custos de infraestrutura sem agregar valor. Identifique lacunas na telemetria que impeçam a equipe de detectar possíveis fraudes e desenvolva um plano para solucioná-las.
  • Considere a tecnologia e as lacunas: Analise atentamente a tecnologia existente e avalie em quais aspectos ela é útil, como na detecção confiável de fraudes com baixo volume de falsos positivos, na coleta de dados valiosos de telemetria e/ou no aumento da eficiência dos processos e fluxos de trabalho. Observe com atenção os casos em que a tecnologia atrapalha, em vez de ajudar, a equipe de combate a fraudes, bem como as lacunas existentes na telemetria e na detecção.
  • Descarte regras e assinaturas que geram muito ruído: Regras, assinaturas e outras técnicas de detecção que geram um grande volume de ruído não agregam valor ao programa de combate a fraudes. Em vez disso, elas sobrecarregam a equipe com falsos positivos e prejudicam ativamente a detecção rápida e precisa de incidentes de fraude. Pode parecer radical, mas descartar esses mecanismos de detecção ruidosos traz muito mais benefícios do que desvantagens.
  • Implemente uma detecção precisa: Adotar verdadeiramente a filosofia de que “menos é mais” implica compreender a necessidade de analisar os dados de forma criteriosa e gerar alertas e eventos de alta fidelidade e confiabilidade. Embora a implementação de abordagens de detecção mais sofisticadas exija um investimento inicial significativo de tempo, ela traz grandes benefícios. Quanto melhores forem os alertas e eventos, mais sinais relevantes e menos ruído haverá na fila de trabalho.
  • Foco nos processos: A fila de trabalho da mais alta qualidade do mundo não ajudará se os processos forem falhos ou inexistentes. Uma equipe antifraude de excelência conta com processos maduros, eficientes e eficazes que orientam e regem sua forma de trabalhar.
  • Melhore continuamente: Nenhuma equipe de combate a fraudes é perfeita, e as melhores equipes estão plenamente cientes de seus pontos fracos e das oportunidades de melhoria. Aplicar as lições aprendidas em cada um dos pontos acima para aprimorar continuamente o programa de combate a fraudes é fundamental para o sucesso da equipe no longo prazo.

A crença convencional de que mais dados, mais eventos e mais alertas resultam em uma melhor detecção de fraudes está ultrapassada e equivocada. Ao adotar um foco estratégico nos riscos e uma abordagem metódica para reduzir o ruído, as empresas podem aprimorar tanto a eficácia da detecção de fraudes quanto a maturidade de seus programas antifraude. Melhorar a relação sinal-ruído e adotar a filosofia de que “menos é mais” na detecção de fraudes pode ajudar as empresas a identificar mais fraudes, desperdiçando significativamente menos recursos com falsos positivos.

Quer saber mais? Venha conversar com Josh na Infosecurity Europe, de 21 a 22 de junho (estande P20).

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