Nossa compreensão da tecnologia e de como ela funciona está passando por uma transformação fundamental em várias frentes. Para entender como as organizações estão lidando com essas mudanças, a F5 firmou uma parceria com a SlashData, uma empresa líder em pesquisa de mercado com foco em tecnologia, para entrevistar centenas de líderes e profissionais de TI, segurança e desenvolvimento de software em diversos setores e regiões do mundo.
Entre os participantes estavam usuários de projetos de código aberto do NGINX, do NGINX Open Source e de produtos comerciais do F5 NGINX. O que aprendemos confirmou o senso de urgência manifestado pelas organizações que buscam implementar mudanças imediatas em conteinerização, segurança, plataformas para desenvolvedores e IA. Abaixo estão as principais conclusões da nossa Pesquisa Anual do NGINX de 2025.
Tendências emergentes: o futuro agêntico e sem CPU
O F5 NGINX se consolidou como a principal porta de entrada padrão para a infraestrutura de IA, sendo adotado pelos principais fornecedores de hardware e software de IA como proxy reverso e controlador de entrega principal ou recomendado para aplicações de IA. Os resultados da pesquisa revelaram um forte movimento entre os usuários do NGINX — e a comunidade mais ampla de entrega de aplicações — em direção a um futuro impulsionado pela IA.
Uso de agentes de IA: Quando questionados sobre o uso de tarefas de IA agêntica (consulte a Figura 1), os participantes indicaram que “Configuração do NGINX” apresentou a maior taxa de adoção atual, com 25%, seguida de perto por “otimização do tráfego de rede e balanceamento de carga”, com 24%. “Implantação e escalabilidade da infraestrutura” — juntamente com “correção de vulnerabilidades de segurança” — são usadas atualmente por 23% dos participantes.
Engajamento combinado: Ao combinar as respostas dos participantes que atualmente usam e experimentam a IA agêntica, “análise de logs e solução proativa de problemas” lidera com 48%. “Configuração do NGINX” e “implantação e escalabilidade da infraestrutura” aparecem empatadas, cada uma com 46%, enquanto “otimização do tráfego de rede” vem em seguida, com 45%.
Maior interesse futuro: “Detecção e correção de desvios” despertou o maior interesse futuro, com 33%, seguida por “monitoramento de implantações do NGINX”, com 32%, e “alertas e triagem de incidentes”, com 31%.
Hardware especializado: 25% dos participantes da pesquisa executam cargas de trabalho em GPUs, TPUs ou FPGAs — um dado relevante para uma infraestrutura tradicionalmente voltada à computação de uso geral (veja a Figura 2). Esperamos que esse percentual continue aumentando devido a vários fatores importantes, incluindo os avanços em modelos menores de IA, a facilidade de executar esses modelos em infraestruturas nativas da nuvem, como Docker e provedores de nuvem em hiperescala, e a transferência de processos de entrega de aplicações para hardware especializado (como criptografia e processamento de SSL transferidos para NPUs e FPGAs, inferência de IA implantada em GPUs e TPUs etc.)
Principais barreiras: Os participantes da pesquisa apontaram as preocupações com segurança (26%) e a falta de confiança na precisão (24%) como as principais barreiras à integração da IA. A complexidade da integração, as restrições regulatórias e de conformidade e o conhecimento limitado sobre os recursos dos agentes ficaram todos em 17%.
A abordagem nativa da nuvem é onipresente, mas ainda está em evolução
A revolução nativa da nuvem continua ganhando força mais de uma década após ter começado com contêineres e Kubernetes. Para os principais elementos da abordagem nativa da nuvem, mesmo que a adoção seja quase universal, a penetração total ainda está distante (veja a Figura 3).
Especificamente, nossa pesquisa constatou que:
- A realidade de múltiplos ambientes já chegou para valer aqui: 66% das organizações usam pelo menos uma opção de nuvem, mas a infraestrutura local ainda lidera entre os locais de implantação, com 39%, contra 38% da nuvem pública e 36% da nuvem híbrida. Isso reflete a natureza complexa e distribuída da infraestrutura moderna, em vez de uma simples história de "migração para a nuvem".
- A adoção de contêineres ainda tem muito espaço para crescer: Apenas 42% dos entrevistados executam cargas de trabalho em contêineres, e a adoção de microsserviços está em apenas 31%. As máquinas virtuais predominam, com 60%, o que sugere que muitas organizações ainda estão nos estágios iniciais da transformação nativa da nuvem.
- Fragmentação do Kubernetes: Embora o Kubernetes (autogerenciado) lidere a orquestração de contêineres, com 24%, o Red Hat OpenShift representa 21% no total (autogerenciado e totalmente gerenciado), enquanto os serviços gerenciados da Amazon Web Services (21%), Microsoft Azure (17%) e Google Cloud Platform (17%) apresentam uma adoção significativa.
A lacuna na gestão da segurança de APIs e microsserviços é enorme
Na última década, muitas organizações de tecnologia passaram a adotar APIs como um mecanismo central de conexão para operações internas e externas. Em arquiteturas nativas da nuvem, a abordagem API-first é um princípio fundamental de design. Nesse contexto, 86% dos entrevistados utilizam gateways de API para gerenciar suas infraestruturas de APIs (veja a Figura 4).
Apesar dessa ampla migração para APIs e da forte presença de gateways de API, a maioria das organizações ainda adota práticas pouco maduras de segurança de APIs (consulte a Figura 5). Embora 86% das organizações usem APIs, apenas 34% implementaram medidas de segurança de APIs. Isso representa uma enorme exposição na infraestrutura de aplicações modernas.
Menos da metade dos entrevistados se concentra na análise do tráfego de APIs (43%) e na observabilidade (38%), dois outros elementos essenciais da segurança de APIs. Essa lacuna provavelmente indica desafios para observar e gerenciar APIs de modo geral. Na verdade, 23% dos entrevistados usam diferentes abordagens de gerenciamento de APIs entre as equipes, uma fragmentação que provavelmente decorre das dificuldades de fazer com que toda a organização siga o clássico “caminho ideal” para o gerenciamento de APIs.
A engenharia de plataforma evoluiu, mas ainda é imatura
A engenharia de plataforma, antes apenas um termo da moda, tornou-se amplamente difundida. De fato, 65% dos entrevistados já começaram a implementar recursos e responsabilidades de engenharia de plataforma (consulte a Figura 6). Esse resultado abrange desde grandes organizações com equipes de plataforma dedicadas até equipes com um único integrante atuando como líder de engenharia de plataforma. Aproximadamente 27% têm equipes de engenharia de plataforma pequenas e dedicadas, enquanto 21% das organizações contam com uma função individual de engenharia de plataforma em suas equipes de desenvolvimento/operações. Outros 13% das organizações têm equipes de engenharia de plataforma grandes e dedicadas. Portanto, fica claro que a proposta de valor da engenharia de plataforma se disseminou e ganhou força.
Dito isso, considerando equipes de todos os tamanhos, as respostas às perguntas da pesquisa sobre os desafios das plataformas revelam dificuldades típicas dos estágios iniciais. Apenas 20% dos participantes relataram não enfrentar desafios significativos. Os demais indicaram que uma ampla variedade de desafios relacionados à engenharia de plataformas estava afetando ativamente suas organizações, incluindo questões de segurança e conformidade (18%), manutenção da documentação (16%), atualização contínua da tecnologia (16%) e limitações de recursos (14%).
A pesquisa identificou uma clara diferenciação entre equipes maiores e menores quanto às prioridades de entrega de serviços e à proposta de valor. Como era de se esperar, as equipes maiores se concentraram em áreas mais sofisticadas, enquanto o foco das equipes menores se assemelhou ao do DevOps tradicional. Equipes grandes e dedicadas de engenharia de plataforma têm maior probabilidade de oferecer serviços sofisticados, como Banco de Dados como Serviço (54%), observabilidade (52%), gerenciamento de APIs (51%), configuração e gerenciamento de firewalls (54%) e ferramentas para pipelines de CI/CD (50%).
Acompanhar a evolução (da nuvem, da IA e das APIs) é uma tarefa difícil
As empresas estão implantando tecnologias mais rapidamente do que conseguem gerenciá-las. A pesquisa mostra que as organizações estão ansiosas para adotar contêineres, APIs e engenharia de plataforma, mas ainda não estão preparadas para proteger e operar o que estão desenvolvendo. A falha mais crítica está na segurança das APIs. Quase todas as organizações utilizam APIs, mas dois terços não contam com proteção básica. Esse não é um risco futuro; é uma vulnerabilidade ativa presente nos ambientes de produção neste exato momento.
Enquanto isso, avanços concretos estão acontecendo em áreas específicas. Os agentes de IA estão prestes a executar tarefas reais de infraestrutura em larga escala, e não apenas demonstrações. GPUs e processadores especializados estão se tornando o padrão. Equipes de engenharia de plataforma existem na maioria das organizações, mesmo que ainda estejam definindo suas atribuições.
O que importa agora é a disciplina na execução. Nossas recomendações? Não adicione novos recursos até conseguir gerenciar adequadamente o que você já tem. Padronize suas práticas de segurança e gerenciamento de APIs. Implemente a observabilidade necessária para entender seus sistemas. Dê às equipes de plataforma responsabilidades claras e os recursos necessários para entregar resultados.
A tecnologia necessária para construir uma infraestrutura moderna e eficiente já existe. Agora é hora de realizar o trabalho pouco glamouroso, mas necessário, para torná-la segura e sustentável.
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