Integração sempre foi um palavrão, no sentido de que evoca ranger de dentes e lamentações daqueles que padecem em projetos dedicados à sua implementação. De fato, 59% dos tomadores de decisão de TI classificaram “a integração como o 'calcanhar de Aquiles' de sua organização”. (Relatório de Integração de Negócios Conectados de 2018)
À primeira vista, a integração parte de uma premissa simples: como compartilhar dados entre aplicações? Afinal, nenhuma aplicação — nem mesmo um monólito — é uma ilha. Até hoje, não encontrei uma aplicação que não compartilhasse pelo menos um dado com outra aplicação.
Nós (enquanto setor) passamos por várias eras da integração. Dos modelos hub-and-spoke ao barramento de serviços corporativos e às filas de mensagens, a integração é sempre um componente essencial da estratégia de aplicações empresariais.
Não chamamos mais isso de Integração de Aplicações Empresariais (EAI) — principalmente porque acho que isso assusta os mais jovens e deixa nós, veteranos, à beira de um ataque apoplético —, mas ainda usamos a palavra "integração". E a usamos cada vez mais fora do universo do desenvolvimento de aplicações. Afinal, CI significa integração contínua. Também consideramos a integração importante no âmbito da implantação (produção). E vemos tanta frustração quanto nossos colegas de desenvolvimento de aplicações, como demonstram aqueles que se frustram com a falta de ferramentas integradas ao tentar automatizar a rede.

As operações precisam de integração. Sem ela, não é possível automatizar processos (que é justamente o que significa orquestração), pois eles necessariamente abrangem vários sistemas, serviços e dispositivos — cada um provavelmente com seu próprio domínio operacional e conjunto de ferramentas. Sem integração, não é possível criar um pipeline e, sem um pipeline, as operações ficarão sobrecarregadas pela crescente demanda por implantações frequentes sob demanda.
É aqui que a infraestrutura como código e os repositórios podem ajudar. Os repositórios são mais do que um lugar onde você pode armazenar praticamente qualquer tipo de artefato, desde arquivos de configuração e programas em Python até scripts e modelos. Eles podem participar ativamente do seu pipeline de implantação (integrado).
Repositórios são mais do que baús de armazenamento
Os repositórios não são apenas um lugar para armazenar artefatos. Quer dizer, sim, essa é a principal finalidade deles, mas eles evoluíram e se tornaram muito mais do que um simples local de armazenamento. Hoje, repositórios como GitLab e GitHub podem ser um componente essencial do pipeline automatizado. Por meio de gatilhos e eventos, os repositórios funcionam não apenas como um lugar para armazenar artefatos, mas também como ferramentas em uma cadeia de ferramentas mais ampla. Um commit inicia uma tarefa que, ao ser concluída, aciona um webhook que dispara a próxima etapa do pipeline.
O que é um webhook?
Às vezes chamado de “API reversa”, um webhook permite que uma aplicação — como um repositório — envie dados em tempo real para outra aplicação por meio de uma URL/API. Por exemplo, quando uma nova configuração do seu balanceador de carga é confirmada, o repositório aciona um webhook que, por sua vez, envia a configuração ou o URI da configuração para uma aplicação (ou diretamente para o balanceador de carga), que então carrega a nova configuração.
Basicamente, estamos usando repositórios de forma muito semelhante à maneira como usávamos um barramento de serviços corporativos para compartilhar dados e iniciar ações em diferentes aplicações e serviços a fim de concluir um "processo". No mundo dos negócios, esse processo pode consistir na conclusão do pedido de um cliente e envolver o sistema de informações de clientes (CIS), um sistema de atendimento de pedidos, faturamento e elementos da cadeia de suprimentos.
No mundo das operações, esse processo abrange os serviços de infraestrutura, rede e segurança envolvidos na implantação de uma aplicação ou política.

E, para aqueles que citaram as "habilidades" como seu principal desafio, há algo ainda mais animador: os repositórios podem ser controlados quase exclusivamente pela linha de comando. Sim, usando as mesmas habilidades que a maioria dos profissionais de NetOps já possui. Um pouco de bash e PERL*, uma API via curl e voilà!
No entanto, isso não resolve a necessidade mais profunda de integração na camada dos dispositivos, refletida na frustração com a falta de soluções dos fornecedores. Afinal, a configuração ou as alterações de configuração armazenadas no repositório e acionadas por um Webhook ainda precisam ser traduzidas para a linguagem dos dispositivos.
É aí que entram a padronização e as soluções.
A padronização reduz a carga da integração operacional
A automação é algo em que muitos de nós na F5 estamos concentrados neste momento. Uma das soluções que desenvolvemos é o nosso F5 Automation Toolchain. Ele é composto pelo F5 Application Services 3 Extension (AS3), F5 Declarative Onboarding (DO), F5 Telemetry Streaming e F5 API Services Gateway. Em conjunto com um repositório, essas ferramentas permitem que as organizações criem o pipeline necessário para implantar os serviços de aplicação de que um aplicativo (e a empresa) precisa para se manter rápido, seguro e disponível.
Mas, Lori, você deve estar pensando: isso não me ajuda com todos os outros dispositivos e serviços que preciso automatizar e integrar.
É verdade. Essa é uma das maneiras pelas quais a padronização em uma plataforma comum de serviços de aplicações pode ajudar. Como a plataforma (BIG-IP) é a mesma para um amplo conjunto de serviços de aplicações, você pode usar o conjunto de ferramentas de automação para implantar um WAF, um balanceador de carga, controle de acesso e proteção contra DDoS, entre outros. A padronização no menor número possível de plataformas agrega valor ao reduzir a carga de integração em todas as operações — rede, infraestrutura e segurança.
Isso se aplica tanto aos limites do data center quanto a um cenário multinuvem. A padronização em uma única plataforma para serviços de aplicações e ambientes de nuvem permite obter valor mais rapidamente ao implantar aplicações em qualquer lugar.
Você pode encontrar o F5 Automation Toolchain (totalmente gratuito) em vários locais:
Portanto, lembre-se: os repositórios não são apenas um lugar para armazenar coisas. Eles são uma ferramenta valiosa no seu arsenal de automação, que pode ser usada para ajudar a automatizar todos os diferentes componentes do seu pipeline. A padronização de um repositório em conjunto com uma plataforma de serviços de aplicações pode contribuir muito para reduzir a carga operacional imposta por aquela palavra tão temida: integração.
*interprete "PERL" como Python ou alguma linguagem de script que seja realmente utilizável. PERL é apenas a única que rima com curl e não encontrei nada que rimasse bem com wget.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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