É o que dizem os dados.
Seria fácil minimizar a importância da automação de redes, alegando que o porte da sua organização (e, consequentemente, a demanda) não justifica o esforço reconhecidamente significativo necessário.
Afinal, se há apenas cem pessoas na sua organização, não pode haver tanta demanda assim. Ou pode?
Sim. Sim, pode haver.

A nuvem e sua parceira, a DevOps, transformaram muitas coisas, mas algo que raramente discutimos são as antigas categorias de “porte da organização” que usamos para classificar as empresas. Sabe, pequenas e médias empresas. Empresas de médio porte. Grandes empresas.
Há muito tempo, os mercados-alvo tradicionais são definidos com base no número de funcionários. Embora os países tenham definições legais (para fins de governança e aplicação da lei), elas não são tão relevantes para a segmentação feita pelos fornecedores de software, que determina se eles disputarão ou não sua atenção — e seu dinheiro. A premissa é que, quanto mais pessoas houver, mais recursos serão necessários para atender à população corporativa. Quanto mais tecnologia, maior a complexidade. Quanto maior a complexidade, bem, maior será tudo.
No mundo dos fornecedores de software, o tamanho do seu data center e a complexidade dos processos são fatores extremamente relevantes. Ambos costumam estar associados ao porte da sua organização (número de funcionários) por uma questão de praticidade.
Mas a nuvem e o DevOps estão fazendo com o tamanho das organizações o que a virtualização fez com a densidade de “servidores” no data center. Lembra-se da explosão virtual? Passamos de um modelo de um servidor por aplicação para um mundo de um servidor virtual por aplicação, no qual um único servidor físico hospedava dez ou vinte servidores virtuais. O “data center” passou de cem servidores para mil ou mais, com uma explosão no número de aplicações. Ainda assim, o tamanho físico real do data center não mudou. E, em muitos casos, o número de operadores também não.

A título de exemplo, a Computer Economics — que monitora todos os tipos de níveis de pessoal — constatou um aumento significativo na proporção de dispositivos por engenheiro em apenas um ano. Em 2014, um engenheiro era responsável por 36 dispositivos. Um ano depois? Esperava-se que esse mesmo engenheiro gerenciasse 59 dispositivos.
No âmbito da infraestrutura de aplicações, aumentos semelhantes estavam ocorrendo. Isso foi possível, em parte, graças à virtualização e a algumas automações úteis em escala limitada.
O que fizemos foi aumentar a eficiência tanto do servidor físico quanto de seu operador.
Avançando até os dias de hoje: a nuvem, o DevOps e o mais novo integrante do grupo, o NetOps, farão (e já começaram a fazer) com o tamanho da área de TI o mesmo que fizemos com os servidores por meio da virtualização. Ao usar a automação em conjunto com a nuvem (e os contêineres), estamos aumentando drasticamente a eficiência das operações. Isso significa que podemos dar suporte a dez ou vinte vezes mais aplicações e operações do que fazemos hoje sem alterar significativamente o quadro de funcionários.
Podemos operar uma “grande empresa” com o orçamento de uma “pequena empresa”*.
É praticamente impossível considerar apenas o número de funcionários e avaliar se um produto ou uma solução é relevante. Isso porque uma organização com trinta pessoas (uma PME segundo praticamente todas as definições, tanto de mercado quanto legais) pode ter alguns milhares de instâncias de um aplicativo na nuvem ou em seu próprio data center.
Porque a automação — seja graças à nuvem pública ou ao DevOps — realmente aumenta a eficiência das operações em uma ordem de grandeza.
O tamanho (na maioria das vezes) não importa para a automação de redes
É por isso que não surpreende constatar que, quando se trata de automação de redes, há pouca diferença entre as perspectivas, os fatores motivadores e a adoção em organizações de diferentes portes. Constatamos que 9% das organizações com menos de 100 funcionários utilizavam a automação plenamente em produção. No outro extremo, 8% das organizações com mais de 5.000 funcionários nos disseram o mesmo. Quanto ao uso da automação para implementar grandes mudanças em produção, 23% dessas organizações com menos de 100 funcionários sempre usam automação. Nas organizações com mais de 5.000 funcionários, esse número subiu apenas ligeiramente, para 25%. As empresas de porte intermediário apresentaram pouca variação, ficando entre 21% e 23%.

As diferenças relacionadas ao porte das organizações foram observadas nas ferramentas e tecnologias usadas para automação de redes e operações. Talvez o aspecto mais marcante tenha sido a diferença significativa entre organizações pequenas e grandes no uso de scripts em Python. A maioria das grandes empresas (com mais de 5.000 funcionários) parece ter adotado a tecnologia, provavelmente graças à disponibilidade de profissionais qualificados e à maior necessidade de automações personalizadas, dada a variedade de processos operacionais existentes.
Por outro lado, pouco mais de um terço (36%) das organizações muito pequenas (com menos de 100 funcionários) usa scripts em Python. Essas organizações também apresentaram uma probabilidade muito maior de não usar “nenhuma” dessas ferramentas (33%) do que as organizações de porte muito grande (20%).
No âmbito da automação de redes, essa diferença se manteve. A Cisco, utilizada por 63% das organizações de grande porte, era usada por apenas 35% das organizações de pequeno porte. OpenStack reduziu essa diferença, sendo utilizada por 29% das empresas de pequeno porte e 36% das organizações de grande porte, assim como a VMware. A gigante da virtualização é utilizada por 63% das organizações de pequeno porte e 73% das de grande porte.
A diferença entre as organizações que responderam “nenhuma” para automação de rede foi surpreendentemente menor do que entre aquelas que dispensam conjuntos de ferramentas de automação. Apenas 8% das organizações muito pequenas não usam nenhuma solução de automação de rede, assim como meros 5% das empresas muito grandes.
A razão pela qual tudo isso é tão interessante é que, em última análise, a automação exige algum tipo de software — seja ele desenvolvido sob medida (scripts personalizados em Python), baseado em frameworks (Chef, Puppet) ou em mecanismos de automação (Ansible, Cisco, OpenStack, VMware). A prática histórica dos fornecedores de software de segmentar as organizações com base no número de funcionários não faz muito sentido diante do aumento da eficiência operacional proporcionado pela adoção da automação.
Um dos maiores impulsionadores da automação de redes (e de toda a TI) é a escala operacional. Isso significa mais tecnologia e não mais funcionários. Afinal, é exatamente isso que queremos. Estamos tentando evitar infringir a Lei de Brooks usando a tecnologia para reduzir a necessidade de aumentar as equipes e tornar nossas operações diárias mais eficientes.
Talvez seja hora, então, de revermos nossa classificação superficial da relevância das tecnologias para as organizações com base no porte delas. Afinal, como Mark Twain disse certa vez (ou talvez não tenha dito): não é o tamanho do cão na luta que importa, mas o tamanho da luta dentro do cão.
Esse cachorrinho, impulsionado pela automação, tem muito mais garra do que aparenta.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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