Novas tecnologias, a COVID-19, as regulamentações e a geopolítica estão transformando o setor de telecomunicações mais rapidamente do que nunca.
Às vezes, pode ser difícil saber para onde as coisas estão caminhando, mas estas são cinco grandes tendências que todos devem acompanhar em 2022.
A soberania de dados ganha destaque
Os formuladores de políticas europeus estão reforçando seu compromisso com a soberania de dados, o que cria uma série de novas oportunidades.
À medida que o continente busca retomar o controle de seu destino digital, os formuladores de políticas públicas recorrem às operadoras de telecomunicações em busca de serviços e infraestrutura confiáveis que reduzam a dependência dos hiperescaladores.
Na França, a Orange se uniu à Capgemini para criar a Bleu, uma nova empresa que fornecerá soluções de “Cloud de Confiance” certificadas em conformidade com os requisitos de privacidade, segurança e resiliência do governo francês.
Há também a Telecom Italia, que atualmente está concorrendo a um contrato para construir um hub nacional de nuvem de € 900 milhões, a fim de modernizar as instalações de armazenamento de dados do país.
Esses exemplos são apenas a ponta do iceberg.
Também há um movimento em prol da soberania de dados fora das fronteiras da Europa. Embora reconheçam a necessidade de trabalhar com provedores de hiperescala sediados nos EUA, muitos governos agora querem ter mais controle sobre como proteger e gerenciar dados de setores essenciais, como saúde e serviços públicos.
Os dados estão rapidamente se tornando um ativo soberano que deve ser cuidadosamente protegido. Qualquer operadora de telecomunicações que atender a essa demanda certamente se destacará da concorrência.
Como fazer a rede multinuvem funcionar
A rede multicloud é o próximo passo lógico para a TI empresarial.
Em todo o mundo, observamos uma demanda crescente por tecnologias nativas da nuvem capazes de aumentar a agilidade, a eficiência e a escalabilidade. Ao mesmo tempo, os aplicativos são cada vez mais compostos por microsserviços distribuídos em diferentes ambientes.
A implementação é fundamental aqui. Para conectar aplicações em diferentes ambientes, é preciso muito mais do que apenas conectividade de rede. Também são necessários recursos de segurança e balanceamento de carga para garantir que as aplicações estejam sempre disponíveis e protegidas.
Neste ano, esperamos que as operadoras de telecomunicações e seus clientes corporativos priorizem soluções que reduzam a complexidade da multinuvem.
Grande impulso nos serviços financeiros móveis
As operadoras de telecomunicações, que já são grandes provedoras de transferências de dinheiro, também estão investindo com tudo em serviços financeiros, como microcrédito, seguros e poupança.
Por exemplo, algumas operadoras de telecomunicações estão acumulando dados para determinar pontuações de crédito e oferecer empréstimos personalizados com risco mínimo. Enquanto isso, o crescente ecossistema de dinheiro móvel está permitindo que centenas de milhões de pessoas que antes não tinham acesso a serviços bancários utilizem produtos financeiros pela primeira vez.
A expansão do setor de serviços financeiros digitais o torna um alvo atraente e óbvio para os cibercriminosos. Isso significa que as operadoras de telecomunicações precisam elevar significativamente seu nível de segurança, inclusive oferecendo proteção avançada contra ataques DDoS, preenchimento de credenciais e outras ameaças.
Monitoramento de funções de rede nativas da nuvem
As operadoras de telecomunicações estão migrando gradualmente para uma arquitetura nativa da nuvem em busca de escalabilidade rápida.
Tradicionalmente, uma rede de núcleo móvel era composta por diferentes funções executadas em hardware dedicado. Agora, esse código é distribuído por um conjunto de funções de rede virtualizadas (VNFs) ou funções de rede nativas da nuvem (CNFs), com funções de controle e de plano de dados separadas e distribuídas. À medida que migram para redes 5G autônomas, as operadoras de telecomunicações buscarão interconectar VNFs e CNFs implantadas em diferentes ambientes e locais. Naturalmente, isso aumenta a superfície de ataque.
Infelizmente, as operadoras de telecomunicações ainda estão buscando a melhor maneira de tornar suas CNFs — e sua infraestrutura como um todo — totalmente seguras, automatizadas e observáveis. Nesse contexto, a simplicidade operacional torna-se uma preocupação crucial.
Telecomunicações na nuvem pública – prossiga com cautela
Cloud-native será um termo muito em voga em 2022 (assim como foi em 2021). E as operadoras de telecomunicações do mundo todo continuarão discutindo quais cargas de trabalho migrarão para a nuvem pública. Isso inclui tanto aplicações (cargas de trabalho de TI) quanto funções de rede para casos de uso específicos.
No entanto, o suporte a funções de rede central com protocolos com estado e sessões de assinantes em larga escala pode ser desafiador e apresentar obstáculos financeiros.
Embora os custos de implantação para alguns casos de uso específicos continuem caindo, uma questão mais fundamental em 2022 é como gerenciar e proteger o fluxo de dados sensíveis. O avanço da soberania de dados certamente exigirá que muitas operadoras de telecomunicações usem a nuvem pública com cautela, à medida que os formuladores de políticas exigem cada vez mais que os conjuntos de dados sensíveis permaneçam no país e sob rigoroso controle local (com regras claras sobre quem pode ou não acessá-los). Em última análise, a transição das operadoras de telecomunicações para a nuvem pública ainda pode se transformar em um processo bastante prolongado.
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