Como conversar com a equipe de NetOps sobre automação
A equipe de redes é formada por seus colegas de trabalho e, em alguns casos, seus amigos. Eles merecem saber a verdade. E você é a pessoa certa para levar essa verdade até eles. A verdade sobre como a automação vai transformar (para melhor!) grande parte do trabalho tradicional de NetOps.
As decisões relacionadas ao desenvolvimento, aos testes, à implantação, à operação e à manutenção de aplicações empresariais não são tomadas de forma isolada. Antigamente, talvez a equipe de operações de rede detivesse o controle e desse a palavra final antes que qualquer ação importante pudesse ser realizada. E, para ser sincero, a maioria de seus integrantes provavelmente gostava que fosse assim.
Mas as coisas mudaram. Agora, em vez de exercer um controle rígido, a equipe de NetOps está sendo bombardeada por pessoas (de DevOps, sejamos sinceros) que preferem fazer as coisas por conta própria — coisas que a equipe de NetOps gostaria que você não fizesse (como burlar os protocolos de segurança para seu novo aplicativo ou mexer nas configurações de balanceamento de carga para a atualização desse aplicativo).
Agora, pode-se dizer que o pessoal de DevOps está apenas tentando melhorar as coisas. Torná-las mais adaptáveis. Mais autogerenciadas e menos microgerenciadas. Mais Ágeis (com A maiúsculo).
A questão é que, no ambiente corporativo atual, o DevOps precisa do NetOps para manter sua forma de trabalho ágil. O DevOps simplesmente não consegue fazer tudo sozinho (afinal, todos esses aplicativos são executados sobre uma infraestrutura subjacente). E não se pode esperar que o NetOps fique em segundo plano e abra mão de todas as suas responsabilidades tradicionais. Nem seria desejável que isso acontecesse. O NetOps desempenha um papel importante na manutenção da segurança e do desempenho de todos os aplicativos criados pelo DevOps, além de agregar competências e recursos importantes ao fluxo de trabalho de CI/CD.
A automação melhora o trabalho deles
Se você trabalha com DevOps e está tentando integrar mais profundamente seus colegas de NetOps ao fluxo de trabalho de CI/CD, primeiro é preciso que eles queiram participar e percebam o valor de mudar o status quo. Na verdade, isso é bem fácil, já que os problemas mais simples que a automação resolve com facilidade são justamente todas aquelas tarefas tediosas, demoradas e rotineiras que precisam ser realizadas repetidamente. O tipo de tarefa que qualquer profissional sensato ficaria feliz em delegar a um bot.
As ordens de alteração são um ótimo exemplo. Examinar uma pilha de ordens, inserir manualmente cada alteração e depois conferir se você fez tudo certo — afinal, esta já é a nona só nesta manhã, elas estão começando a parecer todas iguais e você já está se perguntando por que escolheu essa área para começo de conversa. Preencher ordens de alteração o dia inteiro, todos os dias? Acho que não.
Existe uma maneira melhor: automatizar ao máximo todas aquelas tarefas redundantes e repetitivas que acabam atrapalhando um dia que, de outra forma, seria interessante e produtivo.
“De acordo com nosso Relatório sobre o Estado dos Serviços de Aplicações, 42% das organizações já automatizaram as implantações de seus serviços de aplicações.”
A automação torna os aplicativos melhores
O pessoal da diretoria queria que começássemos por este ponto, porque o que importa é o produto, certo? Quem se importa se os homens e as mulheres que trabalham nele gostam do que fazem, não é mesmo? (Errado!)
Ainda assim, ter aplicativos com desempenho robusto e segurança reforçada é, na verdade, um ótimo efeito colateral de tornar seu trabalho menos entediante e repetitivo.
A beleza da automação é que, se você fizer tudo certo na primeira vez, terá a certeza de que será feito corretamente todas as vezes daí em diante.
Ao automatizar os serviços que tornam suas aplicações confiáveis e seguras, você não só ganha tempo para projetos mais interessantes e menos repetitivos, como também melhora a qualidade desses serviços. Isso porque fluxos de trabalho automatizados e bem elaborados não surgem por conta própria. Cabe ao engenheiro de NetOps criar o modelo ideal no qual cada fluxo de trabalho automatizado opera, gerando, assim, resultados ideais repetidamente.
“A beleza da automação é que, se você fizer tudo certo na primeira vez, terá a certeza de que será feito corretamente todas as vezes daí em diante.”
Em um fluxo de trabalho automatizado, a equipe de NetOps não apenas mantém o controle sobre suas áreas de especialização (o que torna seus aplicativos mais rápidos, confiáveis e seguros), como também pode criar processos automatizados tão fáceis de usar que a equipe de DevOps nunca mais pensará em agir por conta própria (o que, mais uma vez, torna seus aplicativos mais rápidos, confiáveis e seguros).
A automação prospera onde há cooperação
Quase sempre, nem a equipe de DevOps nem a de NetOps consegue, sozinha, encontrar todas as soluções necessárias para manter os aplicativos e dados críticos de uma organização. Essas duas equipes sempre precisaram trabalhar em conjunto. E os recursos de automação atuais contribuem muito para reduzir os atritos nessas interações.
DevOps, NetOps, SecOps… nenhuma área de Ops é uma ilha. No fluxo de trabalho moderno de CI/CD, o sucesso depende do desenvolvimento de metodologias comprovadas e claramente definidas, que possam ser replicadas de forma rápida e fácil (ou seja, automaticamente) em sistemas complexos. Criar uma base sólida para esses fluxos de trabalho automatizados exige uma parceria consistente entre DevOps, NetOps e SecOps, com cada área contribuindo com sua experiência para apoiar as demais.
Independentemente do ambiente (nuvem, contêiner etc.), seus aplicativos dependem de serviços de aplicação, de rede e de segurança subjacentes. A equipe de NetOps desempenha um papel importante para manter os dados fluindo pela rede, garantir que os aplicativos sejam escaláveis e responsivos e assegurar que os dados estejam disponíveis quando necessário e sempre protegidos. Além disso, todas as equipes de operações têm um papel a desempenhar na redução de riscos — seja o risco de seu aplicativo não funcionar como esperado, de sua rede ficar sobrecarregada ou de ameaças externas tentarem atacar seus ativos. É interessante observar que os princípios de DevOps que geram bons resultados no desenvolvimento de software — cultura, automação, mensuração e compartilhamento — são os mesmos que promovem bons resultados de segurança, de acordo com o Relatório sobre o estado do DevOps de 2019 da Puppet.
Essa interação entre as diversas equipes de Operações é constante. É assim que a TI tem funcionado ao longo de toda a era da internet. Mas sempre há espaço para melhorias, como quando o processo de desenvolvimento ágil de software entrou em cena, ampliando os limites da rapidez com que os aplicativos podiam ser desenvolvidos e implantados. Naquela época, o DevOps começou a promover uma grande mudança rumo a uma abordagem de desenvolvimento mais ágil, adotando uma maneira mais rápida de ir “do código ao cliente”.
Esse aumento de velocidade está impulsionando a transformação profunda que o DevOps vivencia atualmente. Há um lado positivo, pois o DevOps consegue avançar mais rapidamente e ser mais proativo; e há um lado negativo, pois isso pode gerar atritos quando os processos de outros departamentos não estão estruturados para funcionar da mesma maneira.
Simplesmente ignorar esses outros departamentos ou desconsiderar os colegas de trabalho que ainda não se adaptaram totalmente à sua nova maneira de fazer as coisas é uma péssima ideia. Quando a equipe de DevOps tenta fazer tudo sozinha, isso é ineficiente e insuficiente. É assim que os processos acabam sendo comprometidos (inadvertidamente ou não), e processos comprometidos podem fazer com que todo tipo de coisa dê errado. E não apenas para a equipe de DevOps, mas para todos, inclusive seus clientes, que são as últimas pessoas que você gostaria de afetar negativamente.
Para que você realmente desempenhe bem seu trabalho em DevOps, precisa ter a equipe de NetOps como parceira, não como adversária. E a base de qualquer parceria sólida é a comunicação. A equipe de DevOps precisa conversar com a equipe de rede sobre como obter os serviços necessários para dar suporte às suas aplicações.
Muitas vezes, a equipe de DevOps é especialista em automação, na estrutura geral e em aspectos como infraestrutura como código; já a equipe de rede é especialista em compreender os recursos de arquitetura que precisam ser provisionados e quais ferramentas estão disponíveis para esse provisionamento. Por meio do diálogo e do respeito mútuo, as equipes de DevOps e NetOps podem identificar onde a automação é necessária e a melhor forma de implementá-la.
Você não tem nada a perder, DevOps, e muito a ganhar ao ajudar seus colegas de NetOps a ampliar o papel da automação em todo o fluxo de trabalho de CI/CD. O segredo é reconhecer que, assim como você é especialista em desenvolver código, um ou mais de seus colegas são especialistas em provisionar serviços de rede e segurança para dar suporte a esse código. Não perca a oportunidade de ajudá-los a se tornarem os melhores especialistas que puderem ser.
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