Quando a F5 entrou em contato com Ana White pela primeira vez para saber se ela gostaria de liderar a área de recursos humanos da empresa, ela disse que não estava interessada. “Eu adorava meu trabalho na Microsoft e pretendia continuar lá.”
Sem se deixar abater, o recrutador sugeriu que White pelo menos jantasse com o novo CEO da F5, François Locoh-Donou, antes de tomar sua decisão final. Depois do jantar, ela começou a repensar sua reação inicial. Locoh-Donou contou que a F5 estava passando por uma grande transformação, deixando de ser uma empresa de hardware para se tornar uma empresa de serviços de aplicações multinuvem e segurança, e que ele queria fortalecer a cultura da F5 durante essa transição. “Percebi que aquele era um CEO que queria promover uma transformação em todos os níveis”, diz White. “Gosto de mudanças e transformações e senti que aquela era uma oportunidade de causar um grande impacto.”
Durante sua passagem pela Microsoft, White participou da transformação da empresa em uma cultura de “aprendizado”, que incentiva os funcionários a adotar uma mentalidade de crescimento. Ao conversar com Locoh-Donou, um dos aspectos que a atraíram para a F5 foi o fato de ele ter dedicado muito tempo a refletir sobre a cultura como elemento central do sucesso organizacional da empresa. “Trabalhar com François tem sido um dos pontos altos da minha carreira porque ele, assim como Satya [Nadella, da Microsoft], coloca a cultura no topo de sua agenda — e acredito que isso seja realmente importante para um CEO”, afirma White.
Parceria em um plano ambicioso
Desde que ingressou na F5 como diretora de Recursos Humanos, em janeiro de 2018, White vem trabalhando em parceria com Locoh-Donou e a equipe de liderança sênior da F5 em um plano ambicioso para reinventar a cultura da empresa. “É muito importante saber qual é a sua estratégia e quais são suas aspirações e metas”, afirma White. “Mas a cultura é a forma como você coloca tudo isso em prática — os comportamentos que adota todos os dias. É ela que leva ao nível ideal de engajamento dos funcionários, algo essencial para o sucesso dos negócios.”

A “promessa às pessoas” da F5 é formar uma equipe global e diversificada, que priorize o ser humano, tenha alto desempenho e seja capaz de atrair e desenvolver talentos excepcionais. Para alcançar esse objetivo, White e sua equipe de RH têm se dedicado a iniciativas que vão desde o aumento da diversidade e da inclusão entre os funcionários e a redução do esgotamento profissional até a criação de um programa filantrópico global baseado no entusiasmo dos funcionários em contribuir para a sociedade.
White vem liderando essa transformação cultural em um período de enormes desafios. Em março de 2020, a pandemia de COVID fechou os escritórios da F5 por dois anos, afetando a vida dos funcionários da empresa em todo o mundo. E, assim como muitas outras empresas, a F5 teve de enfrentar turbulências sociais, como a guerra na Ucrânia e a conscientização coletiva sobre a injustiça racial contra a população negra nos EUA.
Ao mesmo tempo, a F5 vem adquirindo várias empresas — quatro em três anos —, o que exigiu que o RH integrasse mais de 800 novos funcionários à cultura da F5. Apesar desses obstáculos, a transformação cultural da F5 vem dando resultados, tanto em termos de satisfação dos funcionários quanto no reconhecimento da F5 pelo setor como um excelente lugar para trabalhar. “Foram anos intensos, e o RH esteve no centro de tudo isso”, afirma White.
Definindo a cultura da F5
Formada em Matemática pela Universidade de Seattle, White conseguiu seu primeiro emprego após a faculdade como consultora de benefícios na Watson Wyatt Worldwide, onde logo descobriu que “embora eu adore números, gosto ainda mais de pessoas”. Alguns anos depois, ingressou na Microsoft, onde ocupou diversos cargos ao longo de 18 anos, até se tornar gerente-geral de Recursos Humanos.
Na Microsoft, White ajudou a criar uma sólida estratégia de gestão de pessoas alinhada à estratégia de negócios da empresa — e, quando começou a trabalhar na F5, imediatamente passou a usar essas habilidades para ajudar a F5 em sua transformação cultural.
Um dos primeiros objetivos de White foi desenvolver um conjunto de comportamentos que definisse a cultura da F5. Embora a empresa já tivesse um conjunto de valores, White percebeu que eles eram os mesmos de muitas outras empresas. “A maioria das empresas tem valores como integridade, foco no cliente e colaboração”, afirma ela. “No entanto, estudos demonstram que as empresas precisam diferenciar seus valores e comportamentos para que eles realmente tenham significado.”
Sob a liderança de White, a F5 adotou o tema “BeF5”, um conjunto de cinco comportamentos que definem como os funcionários interagem entre si, com os clientes, os parceiros e a comunidade em geral. Alguns desses comportamentos, como “Ajudamos uns aos outros a prosperar”, já faziam parte da cultura da F5, mas ainda não haviam sido formalizados por escrito. Outros, como “Tornamos a F5 mais ágil”, eram comportamentos que a empresa precisava desenvolver à medida que buscava acelerar o crescimento e se tornar mais ágil.
Para garantir que esses comportamentos fizessem sentido para os colaboradores, White e sua equipe realizaram grupos focais virtuais com funcionários do mundo todo para coletar suas opiniões, permitindo que a F5 pudesse “cocriar o que acreditávamos que deveria ser a cultura futura da F5”.

Desenvolvendo uma cultura que prioriza as pessoas e, ao mesmo tempo, promove a alta performance
Depois que os comportamentos BeF5 foram definidos, White quis garantir que eles não fossem apenas palavras em um slide. “Isso seria uma piada”, diz ela.
Para que uma cultura centrada nas pessoas realmente se consolidasse, era fundamental que esses comportamentos fossem adotados por todos na F5, a começar pela equipe de alta liderança da empresa. Também era importante que eles orientassem todos os aspectos das atividades diárias da F5 — desde a forma como a empresa contrata e avalia o desempenho até como reconhece e recompensa os funcionários por suas conquistas.
Nos meses seguintes, White liderou o desenvolvimento do LeadF5, uma série de princípios para liderar e engajar outros F5ers. Ela também reformulou os programas de recrutamento, gestão de desempenho e reconhecimento de funcionários da F5 para alinhá-los aos comportamentos do BeF5 e aos princípios do LeadF5. “A cultura é tudo, e é preciso começar por ela”, afirma. “Somente depois de definir sua cultura é que você poderá desenvolver os programas de gestão de pessoas adequados.”

Com essa base estabelecida, White e sua equipe voltaram a atenção para tornar a F5 uma empresa que prioriza as pessoas e, ao mesmo tempo, apresenta alto desempenho. “Algumas empresas se concentram demais nos resultados financeiros, e isso ocorre às custas dos funcionários”, afirma White. “Outras empresas não dão atenção suficiente ao desempenho. Na F5, acreditamos que é importante fazer as duas coisas.”
Criando um ambiente de trabalho flexível
Enquanto a F5 enfrentava a pandemia global de COVID-19, White e a equipe de liderança sênior viram uma oportunidade de reinventar o ambiente de trabalho. Por meio de pesquisas e grupos focais, a F5 perguntou aos funcionários do que precisavam e como a empresa poderia apoiá-los. Com base nesse feedback, a F5 criou um ambiente de trabalho mais flexível, que permite a todos os funcionários cujas funções não exigem presença física escolher quanto tempo passam no escritório.
“Seja para cuidar dos filhos ou de idosos, fazer um curso, participar de uma atividade voluntária ou qualquer outra coisa, a flexibilidade radical permite que os funcionários da F5 reservem tempo para o que é importante para eles”, afirma White. Esse modelo de trabalho híbrido não só ajuda a F5 a reter os funcionários atuais, como também permite que a empresa “recrute os melhores talentos do mundo, em vez de se limitar aos melhores profissionais que moram a uma distância razoável dos nossos escritórios”, diz ela.
Os dados coletados pela equipe de RH mostraram que a COVID havia colocado muitos funcionários em risco de esgotamento, pois eles enfrentavam dificuldades para estabelecer limites claros entre a vida profissional e a pessoal. Para lidar com esse problema, a empresa ampliou o acesso a recursos de saúde mental para funcionários no mundo todo. Também passou a oferecer folgas trimestrais para que os funcionários pudessem descansar e recarregar as energias. Posteriormente, a F5 ampliou esse benefício e criou os “Fins de Semana de Bem-Estar”: um fim de semana prolongado de quatro dias a cada trimestre, com dois dias de folga remunerada para toda a empresa, permitindo que os funcionários da F5 fizessem uma pausa coletiva no trabalho. “Essa iniciativa tem sido extremamente popular entre nossos funcionários, e acredito que a oportunidade de recarregar as energias tornou todos nós mais produtivos”, afirma White.
Promovendo uma cultura de aprendizado contínuo
Desde sua época na Microsoft, White já conhecia o impacto positivo que uma cultura de “aprendizado” exerce sobre o desempenho dos negócios e queria estabelecer essa mesma mentalidade de crescimento na F5. Embora soubesse que o aprendizado acontece no trabalho diário das pessoas, ela queria dar aos F5ers mais tempo para investir em si mesmos, ao mesmo tempo que se conectavam com seus colegas de trabalho e recebiam apoio para prosperar.
O resultado foi o “Learning Days” — um dia dedicado, a cada trimestre, em que os funcionários são incentivados a se afastar das tarefas cotidianas e se concentrar no desenvolvimento profissional. “Cada pessoa tem autonomia para passar o dia aprendendo o que é mais importante para ela”, afirma White. “Também oferecemos eventos ao vivo para ajudar as pessoas a se conectarem e aprenderem juntas, o que é especialmente importante em um mundo híbrido.”
Aumentando a diversidade e a inclusão
Sob a liderança de White, a F5 também intensificou seus esforços para criar uma cultura mais diversa e inclusiva. Por exemplo, a empresa vem ampliando seus grupos de inclusão de funcionários (EIGs), com novos núcleos em todo o mundo. Atualmente, a F5 conta com seis EIGs: F5 Ability, F5 Appreciates Blackness (FAB), F5 Military Veterans, F5 Connects Women, F5 Latinx e Hispanos Unidos e F5 Pride. Patrocinados por diferentes executivos da F5, esses EIGs promovem vínculos e um senso de comunidade, além de oferecerem oportunidades de desenvolvimento profissional e mentoria — e seus líderes recebem bônus da empresa e treinamento em liderança pelo trabalho que realizam nos EIGs. “É muito importante para nós, como empresa, retribuir aos EIGs, pois eles certamente proporcionam um enorme valor a todos na F5”, afirma White.
Em 2021, a F5 promoveu a conferência “Black Leaders in Tech”, com o objetivo de ajudar lideranças negras de todo o setor de tecnologia a superar desafios e avançar em suas carreiras. Em abril de 2022, a empresa realizou sua primeira conferência interna de Diversidade e Inclusão, voltada ao desenvolvimento de lideranças entre profissionais negros e latinos da F5 e à criação de um ambiente de trabalho inclusivo para funcionários em todo o mundo. Patrocinadas por Locoh-Donou e pela equipe de liderança sênior da F5, essas conferências atraíram milhares de participantes, que avaliaram os eventos de forma muito positiva.
Nos últimos anos, a F5 reformulou seu programa de contratação para tornar o processo mais objetivo e aumentar a diversidade entre os candidatos selecionados para entrevistas. A empresa implementou treinamentos obrigatórios sobre vieses inconscientes para todos os funcionários e treinamentos sobre liderança inclusiva para os líderes seniores. Também está trabalhando para aumentar a diversidade de sua força de trabalho, com ênfase na contratação de mais mulheres, pessoas negras e latinas. Para garantir seu progresso, a F5 vem mensurando seus resultados, vinculando uma parcela da remuneração dos executivos a essa meta. “Ao longo do ano, nós, da equipe executiva, avaliamos nosso progresso para definir quais medidas tomaremos a cada trimestre”, afirma White.
Retribuindo à comunidade
Com White à frente do RH, a F5 também criou um programa filantrópico global liderado pelos funcionários chamado F5 Global Good. Seja concedendo subsídios para iniciativas de STEM a ONGs que trabalham com mulheres e meninas negras e de outras minorias étnicas, seja ajudando organizações sem fins lucrativos a fortalecer sua infraestrutura tecnológica, o Global Good permite que a F5 invista em comunidades locais no mundo todo — e os comitês de subsídios formados por funcionários escolhem as organizações parceiras. Além disso, a F5 concede subsídios a organizações sem fins lucrativos que os funcionários já apoiam, em reconhecimento ao impacto gerado por seu trabalho voluntário. A empresa também iguala em 100% as doações beneficentes feitas por todos os funcionários a organizações sem fins lucrativos, além de oferecer uma contrapartida pelas horas dedicadas ao voluntariado.
O Global Good cresceu rapidamente em seus primeiros quatro anos, com mais da metade dos funcionários participando dessas iniciativas no ano fiscal de 2022. Juntos, a F5 e seus funcionários doaram mais de US$ 4,6 milhões no ano fiscal de 2022 para mais de 3.000 organizações sem fins lucrativos em todo o mundo.
Graças a esses esforços, a F5 recebeu recentemente o prestigioso Bestie Award 2022 da Benevity, que reconhece uma única empresa por sua abordagem de excelência em impacto social. “Estou muito feliz que a Benevity tenha nos concedido esse prêmio”, afirma White. “E devo dizer que fico constantemente impressionada com a energia e a paixão que os funcionários dedicam às causas que apoiam.”
Conquistando reconhecimento como um excelente lugar para trabalhar
À medida que a F5 continua reinventando sua cultura, os resultados positivos se acumulam. Em uma pesquisa recente com os funcionários, 95% deles avaliaram favoravelmente a resposta da F5 à COVID. Além disso, 90% disseram confiar em seu gestor, e 90% afirmaram que a F5 é uma empresa ética. “Os resultados da nossa pesquisa recente foram os melhores da história da F5”, afirma White.
As avaliações da F5 no Glassdoor revelam que 92% dos funcionários aprovam Locoh-Donou como CEO e 86% recomendariam a F5 a um amigo. Além disso, os funcionários atribuem nota 4,4 à cultura e aos valores da F5, em uma escala de 1 a 5.
White afirma que a cultura da F5, que coloca as pessoas em primeiro lugar, tem sido fundamental para o impressionante desempenho comercial da empresa. No ano fiscal de 2022, o software ultrapassou 50% da receita total de produtos, marcando um importante avanço na transformação da empresa. Os produtos de segurança também superaram US$ 1 bilhão em receita anual, reforçando a posição da F5 como líder do setor em segurança de aplicações e APIs.
A cultura da F5 também vem conquistando reconhecimento no setor. A F5 foi certificada pelo Great Place to Work Institute como uma excelente empresa para trabalhar nos Estados Unidos e na Índia. No início deste ano, a GeekWire escolheu a F5 como uma das cinco finalistas do prêmio “Great Place to Work” de 2022. E a Seattle University, onde White estudou, recentemente a nomeou Ex-Aluna do Ano por sua liderança excepcional.
White afirma que a F5 construiu uma cultura que a diferencia de outras empresas, e o CEO da F5, Locoh-Donou, concorda. Ele chama White e sua equipe de RH de “uma nova fonte de energia na empresa” e diz que o trabalho dela foi transformador. “Nunca é demais enfatizar o impacto que Ana teve por meio de suas ações individuais e pessoais”, afirma. “Ela manteve e recrutou uma excelente equipe, e as ideias e a criatividade desse time se traduziram em programas que fizeram uma grande diferença em nossa cultura.”
A cultura é uma jornada contínua
Embora a cultura da F5 seja hoje um dos principais pontos fortes da empresa, White afirma que ainda há muito a ser feito. Ela e a equipe de liderança sênior continuarão trabalhando para criar uma empresa mais diversa e inclusiva, ao mesmo tempo que ampliarão as oportunidades de liderança para grupos sub-representados. Eles se empenharão para alcançar o objetivo da F5 de formar uma única equipe global e diversa, que priorize as pessoas e tenha alto desempenho, atraindo e retendo grandes talentos. Além disso, continuarão ouvindo os funcionários e implementando suas ideias para tornar a F5 um excelente lugar para trabalhar.
“Criar uma cultura excelente é uma jornada contínua”, afirma White. “Não há espaço para acomodação. Sempre haverá fatores desconhecidos, e precisamos elevar continuamente nossos próprios padrões à medida que nos aproximamos de nosso objetivo.”
Sobre o autor
Publicações relacionadas no blog

Entrega e proteção de agentes de IA em fábricas de IA: F5 para a arquitetura de referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros
As soluções da F5 ampliam a Arquitetura de Referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros.
Como medir – e minimizar – o custo total de propriedade do seu Kubernetes
O Kubernetes pode ser baixado e executado gratuitamente, mas sua manutenção está longe de não ter custos. Assim como outras grandes plataformas de código aberto que são “gratuitas” apenas em um sentido simplista, o Kubernetes quase certamente exigirá investimentos para ser implantado e operado.
As-Code: a pilha de TI contínua
Infraestrutura, configuração, pipeline, operações. De repente, tudo é “como código”. Lori MacVittie busca esclarecer a terminologia e identificar os diferentes componentes de uma stack contínua de TI.
O estado da entrega de aplicações em 2017: automação, APIs e DevOps
Explore o relatório State of Application Delivery de 2017. Leia o blog retrospectivo da F5 sobre o início da ascensão das redes declarativas e dos pipelines de DevOps.
DevOps Summit: onde a rede foi convidada para a festa
No DevOps Summit NY, falou-se muito não apenas sobre DevOps, mas também sobre contêineres, IoT e microsserviços. As sessões se concentraram não só na mudança cultural necessária para crescer em escala com uma abordagem DevOps, mas também fizeram questão de incluir...
F5 e Nutanix convergem em infraestrutura no .NEXT
Aplicações empresariais como Microsoft SharePoint e Exchange, juntamente com a VDI, continuam sendo a espinha dorsal da sua empresa. A produtividade, embora não seja tão atraente quanto o lucro, é um fator essencial para o sucesso das operações empresariais atuais. Deixar de...