Ashley Madison representa uma nova fase mais sombria dos ataques cibernéticos

Ecossistema F5 | 04 de setembro de 2015

No fim de julho, a Avid Life Media (ALM) — proprietária do site de relacionamentos on-line Ashley Madison — confirmou ter sido vítima de um vazamento de dados de grandes proporções, que pode ter exposto os dados pessoais e a identidade de milhões de usuários do Ashley Madison.

Um mês depois, os temores da empresa (sem falar nos de seus usuários) se confirmaram quando os hackers supostamente responsáveis, conhecidos como Impact Team, publicaram os nomes, endereços, números de telefone e dados de transações com cartão de crédito de cerca de 32 milhões de clientes. As informações foram publicadas na “Dark Web” — uma área semianônima da internet, acessível apenas por meio de um navegador Tor e roteador Onion. Naturalmente, logo surgiram instruções sobre como acessar os dados, seguidas por uma enxurrada de matérias nos tabloides sobre pessoas que haviam encontrado os dados de seus parceiros. A cobertura posterior incluiu acusações de que o vazamento teria sido obra de alguém de dentro da empresa, além de reflexões sociais mais profundas sobre como ou por que tantas pessoas de fato usam o site.

O lado sombrio

No entanto, do ponto de vista da cibersegurança, o Ashley Madison representa o exemplo de maior repercussão até hoje de uma nova e mais sombria fase dos ataques cibernéticos. Em vez de simplesmente tentar causar transtornos e constrangimento ou obter alguma autopromoção, os cibercriminosos recorrem cada vez mais a ataques para exigir resgate. No início de julho, o serviço de streaming de filmes Plex foi invadido, e o invasor tentou extorquir dinheiro do serviço. Um mês antes, tanto o Bank of China quanto o Bank of East Asia foram vítimas de um ataque DDoS, e os hackers ameaçaram prolongar o ataque caso essas instituições não pagassem uma quantia elevada em bitcoins.

O Impact Team afirmou que o ataque foi praticamente uma cruzada moral contra a empresa responsável pelo Ashley Madison. Segundo os hackers, a ALM faturou US$ 1,7 milhão em 2014 com o serviço de exclusão completa, que permite aos usuários remover o histórico de uso do site e informações de identificação pessoal mediante um pagamento único de US$ 19. O Impact Team alega que isso não é verdade, pois os dados de pagamento dos usuários continuam acessíveis.

Uma questão de 3,2 bilhões de dólares?

No entanto, um motivo mais provável para o ataque é a natureza altamente confidencial das informações roubadas e o quanto elas poderiam valer. Imagine se os 32 milhões de indivíduos cujos dados foram vazados na dark web estivessem dispostos a pagar US$ 100 para removê-los? Faça as contas (ou, se preferir não fazer, a receita obtida com extorsões poderia chegar à impressionante cifra de US$ 3,2 bilhões), e fica claro o poder de uma violação como o ataque à Ashley Madison.

Então, o que isso significa para as empresas? Em poucas palavras, é preciso levar a segurança cibernética a sério — e rápido. Independentemente da sua opinião sobre a Ashley Madison e os serviços que ela oferece, o ataque continua sendo um exemplo dos desafios generalizados que as empresas enfrentam para proteger os dados de clientes pagantes, além das possíveis implicações para as receitas futuras.

Muitas empresas simplesmente não estão adaptando suas políticas e medidas de proteção com rapidez suficiente para lidar com as ameaças à segurança, que evoluem rapidamente. Se você ainda não foi alvo, teve sorte. Se as organizações não agirem agora, os hackers continuarão encontrando novas maneiras de comprometer seus sistemas e roubar dados.

Saindo na frente dos hackers

Infelizmente, não existe uma solução infalível para se proteger contra hackers. No entanto, as organizações devem começar analisando o que estão tentando proteger e o que os hackers podem querer comprometer. Cada vez mais, os vetores desses ataques envolvem várias frentes. Por exemplo, enquanto um ataque DDoS está em andamento, ele muitas vezes visa distrair as equipes de segurança e TI enquanto os hackers atacam cirurgicamente suas aplicações em outros pontos para obter acesso aos seus dados. Os alvos mais comuns desses ataques são as aplicações, nas quais um hacker pode explorar a lógica da aplicação ou as pessoas que as utilizam.

Deixando de lado qualquer debate moral em torno do Ashley Madison, o foco deve estar em como os hackers estão cada vez mais levando a melhor sobre as empresas e, nesse processo, violando a liberdade individual ou o direito ao anonimato. Para evitar que esses ataques se tornem notícia semanal ou até mesmo diária, o setor de segurança e as empresas de todos os segmentos precisam trabalhar em conjunto para se antecipar aos hackers.

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Tags: 2015

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Gary Newe
Gary NeweVice-presidente global de Arquitetos de Soluções | F5

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