Preparado para a era quântica: um guia prático para habilitar a PQC com a F5

Ecossistema F5 | 03 de setembro de 2025

A computação quântica está no horizonte e promete transformar radicalmente os sistemas criptográficos que protegem nossos dados, comunicações e infraestrutura. A hora de começar a se preparar é agora. Nesta série de seis artigos sobre criptografia pós-quântica (PQC), especialistas de referência em criptografia de toda a F5 explicarão o que está em risco, quais oportunidades estão por vir e quais medidas sua organização pode tomar hoje para se manter segura em um mundo pós-quântico. O futuro está mais próximo do que você imagina. Vamos nos preparar juntos.

Post-quantum cryptography (PQC) não é um problema para “algum dia” — ela já está moldando a forma como desenvolvemos sistemas seguros. A computação quântica ameaça a criptografia atual, e a estratégia de “coletar agora, descriptografar depois” já está em prática. Com o FIPS 203 agora ratificado e compatível com o F5 BIG-IP v17.5.1, que faz parte da F5 Application Delivery and Security Platform, você já pode começar a implantar a troca híbrida de chaves de PQC em ambientes de produção.

Por que a PQC é importante agora

O FIPS 203 (ML-KEM, baseado no Kyber) é o primeiro algoritmo pós-quântico aprovado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) para criptografia de chave pública e troca de chaves TLS. Sem a PQC, dados de longa duração em trânsito podem ser coletados agora e descriptografados posteriormente. Isso significa que APIs, portais de clientes e trocas B2B confidenciais estão em risco mesmo antes da existência de computadores quânticos de grande escala.

Isso torna a PQC híbrida uma prioridade hoje, especialmente para sistemas que protegem informações de identificação pessoal, dados de pagamento ou dados proprietários.

Pense na PQC híbrida como usar, ao mesmo tempo, o cinto de segurança e o airbag. A criptografia clássica atual (como RSA ou ECC) ainda é robusta contra invasores comuns, mas os computadores quânticos acabarão conseguindo contorná-la. Ao combinar métodos tradicionais com algoritmos pós-quânticos no mesmo handshake, os sistemas ganham duas camadas de proteção: a segurança comprovada do que usamos hoje e uma camada resistente à computação quântica, que protege contra as ameaças do futuro.

Do ponto de vista prático, a PQC híbrida significa que a conexão do seu navegador, aplicativo ou API estabelece chaves usando tanto um algoritmo consolidado (como o X25519) quanto um algoritmo de PQC (como o ML-KEM). Se qualquer um deles continuar seguro, seus dados permanecerão protegidos. Isso é importante neste momento porque estamos em um período de transição: os métodos antigos são amplamente utilizados e eficientes, enquanto os novos ainda estão sendo testados, padronizados e implementados. A abordagem híbrida garante que nada deixe de funcionar por questões de compatibilidade e, ao mesmo tempo, elimina a brecha de “coletar agora e descriptografar depois”.

É por isso que órgãos reguladores e entidades de padronização como o NIST recomendam a adoção híbrida: trata-se de uma forma prática de proteger hoje os fluxos de dados confidenciais, ao mesmo tempo que dá às organizações tempo para testar, ajustar e se preparar para um futuro totalmente pós-quântico.

Por onde começar a implantação da PQC

O primeiro passo é habilitar a PQC nos endpoints TLS mais expostos — como portais de login, aplicações web e APIs — antes de expandi-la para os serviços internos. Pontos de terminação na borda, como CDNs e gateways de API, são alvos iniciais naturais, pois a troca híbrida de chaves pode ser aplicada neles sem alterar os sistemas de backend.

Diagrama de prontidão para PQC

Como as empresas podem usar PQC entre o cliente e o F5 BIG-IP, bem como entre o BIG-IP e um servidor compatível com PQC.

Os benefícios da implementação de PQC com a F5

Adotar a PQC em suas aplicações web não se resume a cumprir um requisito de conformidade — trata-se de incorporar resiliência à sua arquitetura de segurança. Com a FIPS 203 (ML-KEM) agora ratificada e compatível com o BIG-IP v17.5.1, os clientes da F5 podem começar a habilitar a PQC híbrida na borda, onde ela proporciona a maior redução de riscos com o mínimo de impacto operacional.

Um dos maiores benefícios é a centralização. Ao implementar a PQC na plataforma F5, as organizações podem adicionar proteção resistente à computação quântica ao TLS sem precisar refatorar cada aplicação individualmente. Isso significa que portais confidenciais, APIs e transações B2B passam a contar com proteção contra ataques do tipo “coletar agora, descriptografar depois” por meio de um único ponto de controle. Isso também simplifica os relatórios de auditoria e conformidade — algo essencial à medida que órgãos como a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA) e entidades de padronização como o NIST promovem uma preparação pós-quântica mais rápida tanto no governo quanto no setor privado.

Desempenho e compatibilidade também são importantes. A troca híbrida de chaves permite combinar um algoritmo clássico eficiente, como o X25519, com o ML-KEM, garantindo que o tráfego continue compatível com os navegadores e clientes atuais e, ao mesmo tempo, conte com uma camada adicional de proteção contra ameaças quânticas. Como a terminação TLS já ocorre no BIG-IP, as organizações podem aproveitar seus recursos de otimização para compensar parte da sobrecarga computacional introduzida pela PQC. Isso reduz o impacto no desempenho que, de outra forma, recairia diretamente sobre os servidores de aplicações.

Por fim, há um benefício estratégico. A implementação da PQC com a F5 posiciona as organizações como pioneiras em um cenário de segurança em rápida evolução. Clientes, órgãos reguladores e parceiros exigem cada vez mais garantias de que os dados permanecerão protegidos contra ameaças futuras. Poder destacar o uso da PQC viabilizada pela F5 em ambientes de produção demonstra tanto liderança técnica quanto compromisso com a proteção de dados a longo prazo. Em muitos setores, isso pode ser um diferencial.

Preparando-se para a transição quântica

A PQC não é apenas uma mudança pontual — ela marca o início de uma evolução contínua dos padrões criptográficos. Comece pelos serviços mais expostos e, depois, amplie a adoção. Converse com seus parceiros sobre a preparação para a PQC e planeje revisões periódicas à medida que surgirem novos padrões.

Principais conclusões:

  • Habilite o TLS 1.3 e teste a PQC híbrida no ambiente de desenvolvimento
  • Priorize APIs voltadas ao público, fluxos de login e caminhos de dados confidenciais
  • Acompanhe o FIPS 204/205 para obter suporte a assinaturas pós-quânticas
  • Inclua processos de geração de relatórios e rotação de chaves no seu roadmap

Fique de olho na última publicação da nossa série no blog, na qual iremos além da PQC para discutir uma abordagem holística para mitigar os riscos quânticos.

Além disso, não deixe de conferir as publicações anteriores da nossa série no blog:

Aplicativos, redes e sistemas legados na mira da computação quântica: a perspectiva de um CISO

Entenda os padrões e cronogramas da PQC

Contextualizando: por que a PQC é importante?

Analisando o hype em torno da criptografia pós-quântica

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Sobre o autor

Peter Scheffler
Peter SchefflerArquiteto Sênior de Soluções de Segurança Cibernética | F5

Peter tem mais de 30 anos de experiência no setor de software, além de quase 10 anos anteriores como programador amador. Nos últimos 20 anos, Peter tem atuado no universo do desenvolvimento de aplicações web e da segurança de aplicações. Como consultor independente, Peter desenvolveu soluções para proteger o acesso a redes e aplicações de empresas da Fortune 1000 e de órgãos governamentais atentos à segurança. Atualmente, Peter trabalha na F5 Networks como arquiteto de soluções de cibersegurança, ajudando a proteger a economia atual contra ataques cibernéticos.

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