Quando a nuvem começou a ganhar espaço, muitos previram o impacto turbulento que ela teria sobre as organizações. Muitos encararam a disrupção iminente sob a ótica de seu impacto no mercado tradicional de infraestrutura, pois é muito difícil passar de um produto tangível para outro de natureza quase efêmera. E, embora isso fosse verdade, o caminho tem sido conturbado à medida que o mercado de infraestrutura retorna (vale observar que se trata de um retorno, não de uma transformação) a uma perspectiva baseada em software e voltada para a nuvem.
Foram poucos os especialistas que observaram que a disrupção não afetava apenas o mundo físico, mas também o mundo dos negócios. A nuvem e uma abordagem mais orientada a software para criar as redes e a infraestrutura necessárias para prosperar em uma economia de aplicativos (e APIs) também exigiram uma mudança nos modelos de negócios. Mais especificamente, na forma como os inúmeros componentes de rede e infraestrutura eram gerenciados — inclusive o licenciamento.
Veja bem, licenciar um único equipamento é fácil (comparativamente). Uma licença é adquirida, aplicada e voilà! Ele é seu. Mas software nunca foi (e quero dizer nunca) tão simples assim. Alguns de vocês talvez se lembrem da enorme polêmica provocada por certas gigantes do software no início dos anos 2000, quando tentaram, de forma um tanto frenética, migrar do modelo de licenciamento por uma única CPU, que usavam havia anos, para um pesadelo matemático envolvendo várias CPUs e vários núcleos, que nem mesmo a “matemática moderna” conseguia resolver facilmente.
O mesmo aconteceu com a nuvem: seu modelo de cobrança por uso tornou a migração de volta para o software muito mais difícil do que simplesmente ajustar algumas linhas de código para que funcionassem em um hipervisor virtual ou baseado em nuvem.
Agora chega o DevOps com sua noção de que tudo deve ser “contínuo” e, de repente, o licenciamento se torna um obstáculo significativo que o mercado de redes e infraestrutura terá de superar. O problema não é apenas a velocidade com que os serviços de rede e infraestrutura precisam passar a ser provisionados e configurados, mas também o ritmo das mudanças. Antigamente, um componente de infraestrutura era implantado e permanecia onde estava. Agora, porém, muitos componentes de infraestrutura são implantados, às vezes várias vezes por dia/semana/mês. A frequência das mudanças está aumentando, e a demanda por elas está avançando (necessariamente) sobre a rede. A Integração Contínua (CI) e a Entrega Contínua (CD) são atribuições das equipes de desenvolvimento e operações de aplicativos. Mas a implantação contínua exige colaboração em todo o espectro de implantação de software — o que inclui também a produção.
Realizar testes nas etapas iniciais desse pipeline (por exemplo, em ambientes de teste ou de garantia de qualidade, e não em produção) é fundamental para obter implantações não apenas rápidas, mas também confiáveis. Implantações que não consumam o tempo dos desenvolvedores por enfrentarem problemas em produção decorrentes de diferenças nas arquiteturas de rede e infraestrutura.

Uma abordagem flexível de licenciamento orientada por software pode atenuar esse desafio e atender à necessidade de maior agilidade na rede de produção. Ao permitir que as licenças sejam agrupadas, gerenciadas de forma centralizada e disponibilizadas com a facilidade de uma chamada de API, as organizações podem equiparar os ambientes de desenvolvimento e produção (o que é importante para a confiabilidade e a consistência), além de atender à necessidade de expansão da capacidade em produção ao usar versões de software de plataformas de rede e infraestrutura.
É por isso que tanto o BIG-IQ 5.0 quanto o iWorkflow 2.0 oferecem suporte ao licenciamento ágil para milhares de instâncias do BIG-IP. A necessidade de gerenciar licenças — mas não necessariamente as instâncias licenciadas — é fundamental para permitir que as equipes de desenvolvimento e operações integrem e testem mais cedo nas fases de implantação de pré-produção. É verdade que o BIG-IQ 5.0 se concentra no gerenciamento do BIG-IP, mas ele também é capaz de gerenciar as licenças de até 5.000 instâncias do BIG-IP em um modelo flexível, compatível com os ambientes de desenvolvimento mais dinâmicos e ágeis que o DevOps vem criando atualmente. Isso é especialmente importante à medida que as arquiteturas evoluem e serviços de aplicativos como o balanceamento de carga passam a ser mais estreitamente integrados aos aplicativos (e microsserviços) como parte da arquitetura em vez de serem entidades externas simplesmente “acopladas”.
A disrupção inerente à nuvem, tanto no modelo operacional quanto no modelo de negócios, ainda é sentida hoje. Mas é preciso ir além de uma simples abordagem de “colocar seu código em uma VM/um contêiner”. Também é necessário adaptar-se às mudanças nos modelos de negócios introduzidas pela nuvem e que, talvez de forma não intencional, acabaram se consolidando como “o padrão” para o futuro próximo. O F5 BIG-IP 5.0 e o iWorkflow 2.0 foram projetados para se adequar a esse “padrão” e garantir que, à medida que as organizações adotem essa base em seus próprios data centers — sejam eles físicos ou efêmeros —, os serviços de aplicativos de que precisam sejam fornecidos com agilidade.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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