Mesmo que você não sofra uma violação, os custos dos ataques automatizados podem ser maiores do que você imagina.
Sabemos que quase metade do tráfego na Internet hoje é gerada por bots. Alguns são bons, mas a maioria é ruim. Os ganhos de eficiência operacional proporcionados pela automação e pelo aprendizado de máquina estão sendo usados como armas tanto para realizar sondagens de reconhecimento quanto para executar ataques.
Além da ameaça à segurança — que é existencial e, sem dúvida, explica por que vemos uma porcentagem significativa de organizações adotando serviços de defesa contra bots —, todo esse tráfego indesejado gera um impacto econômico real. Elaborei alguns modelos para ilustrar esse impacto.
IMPACTO nos CUSTOS DE SERVIDOR
Primeiro, há a carga adicional sobre o aplicativo/servidor. Os aplicativos têm uma capacidade limitada de conexões, e tanto os bots quanto os usuários legítimos precisam de uma. Se os bots estiverem consumindo conexões, isso significa que os usuários legítimos não conseguirão utilizá-las. São necessários mais recursos para garantir que os clientes pagantes consigam acessar o site/aplicativo.
Com base na composição de tráfego geralmente aceita — 50% ou mais é gerado por bots —, pode-se presumir que há um bot para cada usuário legítimo. Se houver duas solicitações, uma será legítima e a outra será de um bot. Partindo dessa premissa, podemos concluir que, para cada instância de servidor necessária para responder a solicitações legítimas, também precisamos de uma para responder a solicitações de bots.
O que basicamente significa que, por causa dos bots, você está pagando o dobro do necessário por instâncias de servidor. Se normalmente fossem necessárias 5 instâncias para atender às solicitações legítimas, isso custaria cerca de US$ 1.401,60 por ano. Agora, dobre esse valor para lidar com os bots, e você estará pagando US$ 2.803,20 por ano.
IMPACTO nos CUSTOS DE LARGURA DE BANDA
Mas espere, tem mais!
O modelo de negócios disruptivo da nuvem não se limitou a nos apresentar a cobrança por consumo e as assinaturas. Ele também introduziu o pagamento conforme o uso dos serviços. Hoje, é possível fazer escolhas à la carte em um amplo leque de opções, que vão de bancos de dados e mensageria a armazenamento e balanceamento de carga.
Mas alguns serviços são fornecidos independentemente de você tê-los escolhido ou não. A largura de banda de saída — o uso da rede — é um daqueles custos sobre os quais ninguém gosta de falar. Mas é um custo, e é tão significativamente afetado pelo uso de bots como armas quanto os recursos computacionais.
De acordo com o HTTP Archive, o tamanho médio de uma página hoje é de 1.288 KB. Bem pesada. O preço praticado pela largura de banda é de cerca de doze (12) centavos de dólar por GB. Modelei isso de forma conservadora, começando com apenas dez (10) visitantes por dia e aumentando esse número em dez vezes a cada etapa. O modelo pressupõe que 50% dos visitantes sejam bots. Com 10 visitantes por dia, estamos falando apenas de uma diferença anual entre US$ 1,09 (sem bots) e US$ 2,19 (com bots). Aumente esse número para 10.000 visitantes por dia e o custo anual passa a ser de US$ 1.096,66 sem bots e US$ 2.193,32 com bots.
Novamente, você provavelmente está pagando o dobro por ano porque está sustentando bots. Isoladamente, esses valores podem não parecer tão ruins. Afinal, você está pagando apenas cerca de US$ 2 mil por ano pela largura de banda. É uma pechincha considerando o preço de mercado de uma conexão T1.
Vamos analisar os custos em conjunto.

O impacto econômico dos bots está começando a se acumular — especialmente considerando que estamos falando de um número relativamente pequeno de visitantes por dia, com interação limitada. Um aplicativo baseado em API, com maior frequência de interação, aumentará drasticamente esses custos — e, com isso, o custo de atribuir aos bots o mesmo valor que aos consumidores humanos.
Considere também que mal começamos a avaliar os custos de manter um aplicativo seguro e rápido na nuvem. Acrescente serviços de CDN e balanceamento de carga, além de um WAF para impedir que bots mal-intencionados causem danos de fato, e sua conta aumentará drasticamente.
A Rackspace tem uma calculadora de "custos de nuvem" bastante simples, mas excelente que inclui servidores virtuais, balanceadores de carga, bancos de dados e vários recursos adicionais, como armazenamento, backup e monitoramento. Tudo isso além da largura de banda. É uma ótima ferramenta para ter uma ideia de quanto sua presença na nuvem custará. Não se esqueça de dobrar sua estimativa para levar em conta esses bots usados como armas.
OS CUSTOS TAMBÉM SE ACUMULAM NO DATA CENTER
Agora, você pode achar que consegue evitar o impacto econômico mantendo tudo no data center. Ledo engano. Embora talvez não seja tão óbvio, você ainda paga por capacidade computacional, largura de banda e todos os serviços necessários para acelerar e proteger esse aplicativo. Além disso, provavelmente há custos operacionais envolvidos na execução dos serviços e na manutenção da rede e dos sistemas de armazenamento. E, como devemos ser minuciosos e transparentes quanto aos custos do data center, tenho certeza de que, se eu pesquisar, conseguirei calcular o custo dos bots no ambiente local em termos de quilowatts-hora consumidos. Afinal, se eles usam recursos computacionais, consomem energia — e energia custa dinheiro.
Recomendo que você analise seus logs mais a fundo para determinar qual porcentagem do seu tráfego total corresponde, de fato, a acessos não solicitados de bots. Depois, faça as contas para descobrir quanto você realmente está pagando por isso.
Porque, não se engane: você está pagando por esse tráfego indesejado de várias formas — custos de computação, de largura de banda, de serviços e despesas operacionais. Faz sentido reduzir isso ao máximo, aproveitando soluções de defesa contra bots e firewalls de aplicações web. Ambos podem reduzir o custo de fazer negócios em uma economia digital ao diminuir o volume de tráfego gerado por bots indesejados.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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