Há muitas lamentações no setor de tecnologia sobre a “lacuna de competências” em segurança. Trata-se da dificuldade das organizações em encontrar profissionais de segurança qualificados para ocupar cargos cada vez mais críticos em todos os setores da indústria.
Mas pouco se fala sobre a lacuna de competências em outras áreas relacionadas à tecnologia, como redes.
A Robert Half Technology, que acompanha salários e competências em toda a área de TI, divulgou recentemente suas pesquisas de 2016, nas quais constatou que parece haver uma concorrência crescente por profissionais de redes no mercado.

De acordo com seu primeiro relatório de 2016, “administração de redes” está entre as três competências mais procuradas atualmente, e 54% dos CIOs entrevistados afirmaram precisar de profissionais especializados em redes.
Isso não é nenhuma surpresa, ou pelo menos não deveria ser. Mais aplicativos significam mais servidores e mais usuários. Mais servidores e usuários significam uma rede maior. E uma rede maior significa que são necessários mais administradores de rede para provisionar, monitorar, gerenciar e solucionar todos os diversos problemas que podem ocorrer (e de fato ocorrem) durante a disponibilização de aplicativos.
Hoje, a produtividade e o lucro dependem de redes rápidas e confiáveis. Isso inclui não apenas o roteamento e a comutação, mas também os serviços de distribuição (balanceamento de carga) e de aprimoramento de desempenho (armazenamento em cache e multiplexação TCP) de que os aplicativos precisam para trafegar rapidamente entre o usuário e o aplicativo, seja no ambiente corporativo ou no mercado de consumo.
Mas esses serviços e redes precisam de pessoas. Precisam de pessoas que saibam como projetar a arquitetura de uma rede, como aplicar políticas nos lugares certos e como determinar qual serviço pode resolver um determinado problema com mais eficácia, seja ele de escalabilidade, segurança ou velocidade.
Aparentemente, esses profissionais estão em falta. É por isso que a escala operacional é imprescindível para os CIOs que sabem que precisam ter mais talentos de redes à disposição. Ao fornecer ferramentas para automatizar e orquestrar grande parte do trabalho braçal* que ocorre com tanta frequência na vida dos profissionais de redes quanto na dos desenvolvedores, os CIOs podem ampliar a capacidade de seus valiosos (e limitados) especialistas em redes. Reduzir o tempo gasto em tarefas “tediosas” traz o benefício adicional de melhorar não apenas a produtividade desses profissionais, mas também sua satisfação com suas funções. Isso pode reduzir a rotatividade entre os profissionais de redes, que é tão onerosa para as organizações de TI quanto para qualquer setor em que seja necessário investir tempo e dinheiro no treinamento e na capacitação de novos contratados.
Um estudo da CAP constatou que o custo médio para substituir um profissional em um cargo de faixa salarial intermediária (US$ 30 mil a US$ 50 mil) corresponde a 20% de seu salário anual. Por exemplo, o custo para substituir um gerente que ganha US$ 40 mil seria de US$ 8.000. O mesmo estudo calculou a média para cargos “altamente qualificados” (excluindo médicos e executivos) e constatou que o custo de substituição era apenas ligeiramente maior: 20,7%. De qualquer forma, todos sabemos que os salários de determinados cargos de TI estão acima da faixa “intermediária”. Considere 20% do salário desses profissionais para substituí-los, além do impacto na produtividade enquanto eles “se familiarizam” com o ambiente.

Portanto, não se trata apenas da dificuldade dos CIOs em contratar novos talentos para cargos na área de redes, mas também de descobrir como reter (e ampliar) as equipes que já possuem. Eliminar tarefas tediosas e improdutivas e disponibilizar mais tempo para a inovação (bem como para adaptar e projetar as redes necessárias para dar suporte a arquiteturas de aplicativos emergentes, como microsserviços e conteinerização) é fundamental para reduzir a lacuna de competências.
Os CIOs precisam adotar a automação e a orquestração (chame isso de DevOps, chame de SDx, chame de atrasado para o jantar, só não diga que isso está ausente dos seus planos estratégicos) não apenas como uma forma de melhorar a capacidade da empresa de lançar rapidamente novos aplicativos (ou novas versões de aplicativos) no mercado e oferecer suporte à nuvem (tanto local quanto externa), mas também de enfrentar os desafios de ampliar a rede diante da alta demanda por um grupo limitado de profissionais de redes qualificados.
APIs, modelos e orquestração de data centers são fundamentais para atender à necessidade de expandir as redes com mais rapidez e frequência, além de aumentar a capacidade dos engenheiros de rede disponíveis sem sobrecarregá-los.
Isso é importante porque, no fim das contas, a grama do outro lado da cerca pode mesmo ser mais verde sem todos aqueles iaques pisoteando-a enquanto esperam para ser tosquiados.
*Para quem não conhece, “tosquia de iaque” tem várias definições relacionadas, sendo a mais concisa delas: tarefas que precisam ser concluídas para que você possa fazer seu trabalho. O exemplo mais comum é o de desenvolvedores que precisam configurar, iniciar e solucionar problemas de um servidor web para testar o código que acabaram de concluir. Em redes, isso pode significar a necessidade de configurar e solucionar problemas de um novo segmento de rede para implantar serviços de rede mais avançados, como balanceamento de carga, segurança de aplicações e serviços relacionados ao desempenho.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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