Não sabíamos que você precisava disso…

Ecossistema F5 | 28 de março de 2017

Muitas pessoas evitam o componente “cultural” associado ao DevOps. Mas a “comunicação” está intrinsecamente ligada à “cultura”, e é fundamental para o sucesso não apenas do DevOps, mas também de quaisquer iniciativas de automação e orquestração nas empresas.

não sabia

Não sabíamos que você precisava que… a porta 7243 estivesse aberta.

Não sabíamos que vocês precisavam de… novas entradas de DNS.

Não sabíamos que você precisava… do endereço IP do cliente.

Não sabíamos que você precisava…

A gente não sabia.

Essas três palavrinhas ilustram, talvez de forma mais contundente do que quaisquer outras, o desafio de comunicação que existe hoje em muitas empresas. Frameworks e scripts só podem automatizar aquilo que você lhes diz para automatizar, e isso significa que, em algum momento, você precisa saber. Como você fica sabendo? Isso é comunicação.

É um clichê em TI dizer que o pessoal de redes não conversa com o de desenvolvimento e que o de operações não gosta do de segurança, mas a realidade é que, a menos que cada uma das áreas operacionais que administram o ambiente de produção saiba o que é necessário para implantar um aplicativo em produção, não será possível orquestrar esse processo.

Bem, tarefas individuais, como configurar um firewall ou balanceador de carga, podem ser realizadas com bastante facilidade, mas cada uma delas requer informações específicas do aplicativo para ser útil. Não é possível abrir uma porta sem saber qual delas o aplicativo está usando. Nossos dados do iHealth de janeiro de 2017 mostram que, entre mais de 6.000 clientes, há 36.731 portas distintas (exclusivas) em uso. Não há tantos protocolos assim em uso nas empresas (há muitos, mas não tantos), o que significa que vários sites estão usando protocolos fora de suas portas “nativas”. Até mesmo os aplicativos web estão distribuídos por várias portas. Há aquelas que, sem dúvida, vêm à mente quando digo HTTP/S: as portas 80 e 443. E também há portas alternativas frequentemente usadas para esses protocolos: 8080 e 8443. Depois, há a 8081 (usada por 4.605 servidores virtuais diferentes, que representam aproximadamente aplicativos) e a 8082. E há, é claro, muitas portas acima do intervalo privilegiado (0–1024) em uso sem nenhum aplicativo relacionado identificável (para mim, com base nos meus dados). Afinal, a porta 10203 não tem um protocolo “padrão” atribuído a ela.

A questão aqui é que não podemos simplesmente pressupor uma porta específica para qualquer implantação de aplicativo. Essa informação precisa ser comunicada, caso alguém queira executar o back-end de sua API pública em uma porta diferente. Segurança por obscuridade ainda é uma prática comum, pessoal.

Além de um dado tão simples, não é possível configurar um balanceador de carga sem saber qual endereço IP público ou nome de host ele está usando, nem quais serviços de back-end devem ser incluídos em cada cluster. Essas informações são necessárias e precisam fluir das equipes de desenvolvimento ou operações para o pessoal que gerencia os sistemas, geralmente a equipe de operações de rede.

Isso significa comunicação. Não é que você não possa criar uma ferramenta ou um formulário para coletar essas informações. A (outra) economia de APIs e os esforços internos de transformação digital praticamente exigem que essas trocas sejam realizadas digitalmente. Mas, para criar um formulário ou uma API para coletá-las, você precisa saber quais dados deseja coletar.

É preciso sentar e discutir tudo em detalhes. Com pizza e café. Com cerveja e asinhas de frango. Por e-mail ou por telefone. De alguma forma, é preciso realmente se comunicar com todos os diversos grupos responsáveis pela implantação de uma aplicação e garantir que você saiba o que precisa saber.

Quando as pessoas falam sobre cultura e comunicação no contexto de DevOps, essa é uma das ideias que estão tentando transmitir.

É claro que há muito mais envolvido, mas não podemos ignorar que, no cerne da aceleração dos processos para atender às demandas das empresas e dos consumidores, está a premissa básica da comunicação. É preciso saber do que um aplicativo precisa para ser mais rápido, inteligente e seguro. Afinal, o que você desconhece não pode ser automatizado, e o que não pode ser automatizado exige intervenção manual, o que pode gerar atrasos e dificuldades no processo de implantação. Se você quer aplicativos mais rápidos e seguros, precisa trabalhar de forma mais inteligente, não se esforçar mais, e tudo começa com a comunicação entre todas as partes interessadas para que você saiba o que é necessário.

Em um mundo em plena transformação digital, saber é realmente metade da batalha. A outra metade é a tecnologia. Não é possível executar com sucesso uma estratégia digital que inclua, em parte, uma abordagem DevOps para desenvolvimento e implantação sem ambas.

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Tags: 2017

Sobre o autor

Lori Mac Vittie
Lori Mac VittieEngenheiro Emérito e Evangelista-Chefe | F5

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.

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