Em novembro passado, concedemos subsídios de US$ 50 mil a 10 organizações parceiras do Programa de Subsídios para Educação em STEM da F5 em todo o mundo para fortalecer o trabalho que realizam ao oferecer oportunidades em STEM a mulheres e meninas negras e de outras minorias étnicas.
Ao longo dos próximos meses, daremos destaque a alguns dos nossos parceiros beneficiários do Programa de Subsídios para Educação em STEM de 2024 e ao trabalho essencial que realizam em todo o mundo.
Phoenix Space é uma iniciativa visionária que capacita estudantes deslocados e em situação de vulnerabilidade em todo o mundo por meio de programas educacionais e ferramentas de ponta nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), promovendo a alfabetização científica, ampliando suas oportunidades de vida e fortalecendo suas comunidades.
Neste primeiro post da série no blog, conversamos com Berenika Rozanska, cofundadora da Phoenix Space, para saber mais sobre a organização e como suas operações no Quênia estão se beneficiando da parceria com o Programa de Subsídios para Educação STEM da F5.
P: Como a sua experiência ajudou a moldar o trabalho que você realiza hoje na Phoenix Space?
Rozanska: Sou natural da Polônia, embora atualmente more em Portugal. Meu interesse em apoiar a educação começou cedo, pois sempre fui apaixonada por capacitar outras pessoas — especialmente aquelas que não têm acesso a redes de apoio sólidas.
Ao longo da minha carreira, estive profundamente envolvida em iniciativas voltadas ao fortalecimento das comunidades. Com o tempo, percebi que existe uma lacuna significativa quando não há adultos por perto para incentivar as crianças a perseguirem seus sonhos e suas paixões. Foi então que meu interesse por essa área realmente ganhou força.
Depois de trabalhar em projetos em diferentes partes do mundo, passei a me dedicar especialmente ao apoio a comunidades em países que enfrentam grandes desafios. Sempre acreditei no poder da educação para transformar vidas, sobretudo em comunidades carentes.
P: Você pode contar mais sobre a criação da Phoenix Space e sua evolução?
Rozanska: Com certeza. A Phoenix Space foi fundada no final de 2019, quando nossa fundadora, Alevtina Nepomniachtchikh, estava na Turquia e testemunhou o impacto da crise dos refugiados sírios e como ela afetava os jovens. Ficou claro que muitos deles não tinham acesso a oportunidades educacionais adequadas, especialmente nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), tão essenciais para o futuro deles. A partir daquele momento, ela soube que precisava fazer algo para mudar essa realidade.
No início, nosso foco era oferecer cursos envolventes de STEM para crianças, especialmente aquelas com idades entre 10 e 17 anos. Percebemos que, em muitos países e regiões, o acesso a cursos de STEM interativos e acessíveis é praticamente inexistente.
Assim, começamos a oferecer programas dinâmicos e colaborativos que realmente despertavam o entusiasmo dos alunos. À medida que crescemos, passamos a firmar parcerias com cientistas e físicos renomados de todo o mundo, oferecendo palestras ao vivo traduzidas para os idiomas locais, a fim de tornar o conteúdo mais acessível.
Desde então, ampliamos nossa oferta para incluir capacitação em habilidades digitais para jovens adultos e adicionamos mais cursos voltados a comunidades de regiões como Turquia, Líbano e Ucrânia.
Este ano, estamos muito entusiasmados em dar continuidade ao nosso trabalho no Quênia, graças ao apoio da F5. Pensando no futuro, também estamos avaliando outros locais na África, bem como no Reino Unido e na Ásia.

A Phoenix Space se destaca por seus programas de STEM práticos e inovadores em comunidades carentes ao redor do mundo.
P: Você pode descrever o trabalho que está realizando no Quênia e o impacto que está gerando por lá?
Rozanska: Graças ao apoio da F5, estamos testando programas de STEM no Quênia e crescendo rapidamente. Ainda este ano, implementaremos um dos nossos principais programas, chamado programa STEM Spark.
Isso envolve trabalhar com um grupo de 250 meninas de uma das maiores favelas do mundo, em Nairóbi. O programa foi criado para despertar a curiosidade pelas áreas de STEM, daí o nome. Ele abrange ciências espaciais, matemática, engenharia e programação. O objetivo é inspirar, motivar e fornecer às nossas alunas as ferramentas necessárias para que se tornem autossuficientes e independentes em suas comunidades.
P: Que conselho você daria às meninas que querem ter sucesso nas áreas de STEM?
Rozanska: Para mim, tudo se resume a não desistir dos seus sonhos. Quaisquer que sejam as circunstâncias, seja fiel a si mesma. As áreas de STEM se baseiam na experimentação e, às vezes, as coisas não dão certo na primeira tentativa. Por isso, é importante seguir em frente, manter o foco no que você deseja alcançar e nunca desistir.
P: Quais são os ingredientes secretos para criar um ambiente de aprendizagem realmente transformador na Phoenix Space?
Rozanska: Nossa equipe está muito entusiasmada com o trabalho que estamos realizando. Capacitamos professores locais e aproveitamos o conhecimento e a experiência que eles têm do contexto local para adaptar os cursos ao que realmente faz sentido para os alunos. Dedicamos muita atenção tanto às necessidades individuais dos alunos quanto às da comunidade local. Acredito que isso também se deve aos aspectos práticos dos nossos cursos, como a realização de experimentos com impacto no mundo real e a aprendizagem prática.
P: Há alguma história que exemplifique a essência da Phoenix Space?
Rozanska: Nós nos empenhamos em compreender os objetivos e as necessidades individuais de cada aluno e ajudá-los a alcançá-los. Até agora, já trabalhamos com mais de 2.000 alunos, e cada história de sucesso é única.
Uma história de que gosto muito é a de um dos nossos alunos da Síria. Ele era um refugiado que vivia na Turquia e não tinha nenhum interesse em STEM. Depois de se inscrever no programa Phoenix Space, ele se interessou muito por programação e fez mais alguns cursos conosco. Atualmente, ele mora nos Estados Unidos, após conseguir uma bolsa de estudos para se dedicar à área de STEM. Ao mesmo tempo, ele já está retribuindo ao desenvolver aplicativos para refugiados que estão se estabelecendo em novos países, para que se sintam mais fortalecidos e amparados nessas circunstâncias. Acho que essa é uma das trajetórias estudantis que consideramos ideais, pois fortalece não apenas o indivíduo, mas também toda a comunidade.
P: Quais são seus planos e ambições para o futuro da Phoenix Space?
Rozanska: O próximo grande projeto em que estamos nos concentrando se chama Academia de Resiliência. Questões urgentes, como as mudanças climáticas, estão deslocando cada vez mais pessoas ao redor do mundo e afetando suas oportunidades educacionais. Por isso, estamos criando cursos de curta duração, intensivos e com boa relação custo-benefício para apoiar quem mais precisa. O ensino tradicional muitas vezes não é ágil e adaptável o suficiente para estes tempos de incerteza.
Para saber mais sobre nosso programa de subsídios para educação STEM, acesse a página F5 Global Good. Fique de olho também nas próximas sessões de perguntas e respostas com outras organizações sem fins lucrativos parceiras do programa.
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