Falhar rápido é o mantra da velocidade hoje. Seja em DevOps ou nos negócios, a premissa de operar em uma economia digital exige uma disponibilidade o mais próximo possível da perfeição.
Embora essa filosofia seja boa na teoria, na prática o resultado muitas vezes é apenas mais falhas. Ao não nos concentrarmos em encontrar a causa raiz (MTTR) e focarmos apenas em garantir a disponibilidade (uptime), estamos perdendo dados valiosos em um ritmo sem precedentes. A verdade é que, quando a disponibilidade é tudo o que importa, MTTR deixa de ser o tempo médio para a Reinicialização em vez do tempo médio para a Resolução. E, sem uma resolução — um motivo para a indisponibilidade —, não é possível evitar que isso aconteça novamente.
Essa abordagem é prejudicial aos negócios.
Veja bem: você não está perdendo pacotes, está perdendo frações de centavos. E, como nos ensina o clássico clichê criminoso de desviar frações de centavos de transações para acumular milhões, cada fração de centavo conta. A cada segundo em que um componente, serviço ou servidor deixa de responder, você perde valor — tanto em termos de experiência quanto de existência. Os consumidores não toleram baixo desempenho nem indisponibilidade, e os balanços das empresas também não.
E, se você entende de taxa de transferência e largura de banda, sabe que a base de ambos os cálculos está na quantidade de pacotes por segundo que o sistema subjacente consegue processar. Isso não se aplica apenas à rede, mas a todos os componentes que interagem com uma transação: o aplicativo, os serviços de aplicação, roteadores, switches e bancos de dados. Se tiver uma conexão de rede, estará sujeito a esse mesmo cálculo e limitado por sua capacidade de transmitir pacotes.
AVISO: CÁLCULOS MATEMÁTICOS À FRENTE
A velocidade das redes atuais garante que estejamos fazendo exatamente isso a uma taxa de milhões de pacotes por segundo. As transações comerciais, é claro, são realizadas principalmente por meio de uma rede (literal) de transações HTTP, cada uma transmitindo informações cruciais para a condução dos negócios. O número de pacotes necessários para realizar uma transação depende da quantidade de dados exigida. Em média, um pacote transporta 1.500 bytes de dados (esse é o MTU). Portanto, se uma mensagem baseada em HTTP contendo uma carga útil JSON que representa uma transação exigir 4.500 bytes (após a criptografia, é claro), isso equivale a cerca de três pacotes. Então, sejamos generosos e digamos que uma transação comercial digital típica exija cinco pacotes. Uma rede de 10 Gbps pode processar pouco menos de 15 milhões de pacotes por segundo. Supondo que haja capacidade computacional suficiente disponível, poderíamos dizer que isso equivale a 3 milhões de transações. Vamos supor que cada transação valha uma fração de centavo (um terço). Isso representa US$ 1 milhão por segundo.
Na prática, ninguém processa transações nessa velocidade ou nesse volume. Até mesmo a Visa — que indiscutivelmente processa dados em taxas muito superiores às exigidas pela maioria das empresas — afirma ter capacidade para cerca de 24 mil transações por segundo. Supondo o mesmo valor para essas transações — um terço de centavo —, isso ainda representa US$ 8 mil por segundo.
A questão é que uma falha na cadeia de transações, composta por roteadores, switches, infraestrutura de serviços de rede e de aplicações, infraestrutura de aplicativos e componentes, é Algo Muito Ruim™. Ela custa caro, pois uma falha significa que os pacotes não estão sendo processados — nem os centavos que eles representam. E não há nenhuma parte da economia digital que não dependa da transmissão de pacotes.
Até agora, a resposta está no mantra "falhe rápido": basta iniciar uma nova instância de X, Y, Z ou de qualquer componente que tenha falhado. Mas esse componente falhou *por algum motivo*, e é de extrema importância que esse motivo seja descoberto e solucionado. Rapidamente. Porque ainda há segundos valiosos entre a falha e a restauração que custam valor aos negócios. Se falhou uma vez, provavelmente falhará de novo. E de novo.
VISIBILIDADE: A PEDRA ANGULAR SOBRE A QUAL SE APOIA O MTTR
É por isso que a visibilidade é tão crucial para o sucesso na economia digital. Afinal, é ela que permite a todas as equipes de operações encontrar e corrigir a causa das falhas. Infelizmente, a visibilidade costuma ser sacrificada em nome da velocidade. Não a velocidade literal das transações, mas o tempo para gerar valor. Na pressa de lançar aplicativos no mercado com mais rapidez e frequência, não investimos o suficiente para viabilizar a visibilidade necessária à mitigação de falhas.
Na verdade, pode-se argumentar que a filosofia de “falhar rápido” do DevOps é uma resposta a essa deficiência. Sem a capacidade de encontrar e solucionar a causa da falha, o DevOps concluiu que é melhor restaurar a disponibilidade do que perder tempo. Essa capacidade está se tornando cada vez mais difícil de alcançar à medida que as organizações adotam abordagens multinuvem para implantar aplicativos.
Em 2018, o desafio da visibilidade em ambientes multinuvem foi citado por menos de um terço (31%) dos entrevistados. Em 2019, esse percentual subiu para mais de um terço (39%), empatando com desempenho e segurança entre os principais desafios da multinuvem. A visibilidade é um componente essencial da “observabilidade” abrangente, que reúne monitoramento, análise e alertas para fornecer insights valiosos sobre o estado de um sistema a qualquer momento. Isso é particularmente importante durante uma falha, pois o estado do sistema está distribuído entre vários feudos de TI, que podem ou não permitir o compartilhamento de informações capazes de levar rapidamente a uma resolução em vez de apenas uma reinicialização.
A capacidade de uma malha de serviços de agregar valor por meio do rastreamento distribuído é um excelente exemplo de como viabilizar a visibilidade. No entanto, precisamos ampliá-la para incluir toda a cadeia de serviços de aplicativos que dimensionam e protegem os aplicativos executados em um ambiente conteinerizado. Isso também inclui componentes distribuídos e aplicativos executados na nuvem pública que podem fazer parte da cadeia de execução. A visibilidade entre ambientes, infraestruturas e aplicativos é necessária para encontrar e solucionar problemas que causam indisponibilidade ou baixo desempenho.
A visibilidade é indispensável para que as organizações voltem a medir o sucesso com base no MTTResolução, em vez do MTTReinicialização.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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