O estado da estratégia de aplicações: o que realmente está acontecendo com a multicloud?

Escrito por: Lori MacVittie

Uma das coisas que Cindy Borovick e eu temos a oportunidade de fazer todos os anos é realizar uma pesquisa abrangente sobre o Estado da Estratégia de Aplicações (SOAS). Nosso foco, naturalmente, está no possível impacto — ou disrupção — na entrega de aplicações.

Porque as mudanças nas aplicações — como elas são desenvolvidas, como se comunicam, quais dados trocam, onde são implantadas e como são operadas — têm impactos profundos na entrega de aplicações.

Em nossa pesquisa deste ano, continuamos observando a consolidação das empresas em um ambiente híbrido e multinuvem. Ou seja, suas aplicações heterogêneas (tradicionais e modernas) estão distribuídas em uma infraestrutura heterogênea (núcleo, nuvem e borda).

Outro ponto interessante é que as organizações continuam repatriando cargas de trabalho da nuvem pública para seus data centers tradicionais. Essa tendência continua ganhando destaque nas discussões em todo o setor, culminando neste ano em uma corrida quase frenética para entender o porquê.

Assim, quando Cindy e eu estávamos decidindo qual seria o foco da nossa quarta e última “minipesquisa” deste ano sob a bandeira do SOAS, imediatamente definimos a multicloud como tema central.

Os resultados não nos decepcionaram. Embora não pretendamos elaborar um relatório formal sobre esta pesquisa — afinal, também estamos trabalhando no SOAS 2025 neste momento —, queríamos compartilhar alguns dos insights que obtivemos com este levantamento mais recente. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

A repatriação é uma realidade

Há vários anos, constatamos em nossa principal pesquisa que a repatriação é uma realidade. Mas, até este ano, o restante do setor parecia satisfeito em ignorá-la ou alegar que ela se devia, em grande parte, a iniciativas malsucedidas de “lift and shift”. Embora reconheçamos que essas iniciativas malsucedidas contribuem para a repatriação, queríamos entender em que medida isso ocorria. Por isso, investigamos mais a fundo e perguntamos às organizações por que elas repatriaram suas cargas de trabalho.

Acontece que segurança e custo estão no topo da lista de motivos para repatriar aplicações da nuvem pública para o ambiente local.

Um dos fatores por trás disso pode ser a falta de conhecimento especializado: 68% dos entrevistados concordaram que era difícil encontrar profissionais capazes de implementar uma estratégia de segurança multinuvem.

Agora, destaco especificamente a migração de aplicações da nuvem pública para ambientes locais porque as organizações também estão migrando aplicações entre nuvens públicas — e por motivos diferentes.

Quando os aplicativos migram entre nuvens públicas, geralmente é a arquitetura que determina a decisão, seguida de perto pelo custo. A segurança raramente é o motivo: menos de uma em cada cinco pessoas a cita como razão para trocar de provedor de nuvem pública. Até mesmo o desempenho tem mais chances do que a segurança de motivar uma migração.

Em suma, repatriação significa migrar cargas de trabalho após a implantação. Não se trata de uma mudança temporária de endereço, mas de uma transferência permanente de um local para outro por motivos que só vêm à tona posteriormente.

Tudo isso aponta para um problema muito maior: a incapacidade de identificar o melhor local para uma aplicação antes da implantação. A falta de visibilidade sobre o desempenho da aplicação, o custo envolvido e a capacidade de protegê-la contribui para essa abordagem de tentativa e erro na implantação de aplicações.

Dito isso, nada disso muda a realidade de um ambiente de TI híbrido e multinuvem. As organizações ainda dependem de ambientes centrais, da nuvem e da borda para suas aplicações, e os planos relacionados a aplicações e modelos de IA apenas reforçam essa realidade. Quase todos os entrevistados — 97% — concordam que não existe uma solução única para a implantação de aplicações.

A questão, então, é: qual é a combinação ideal?

Menos de um terço (30%) das organizações considera que seu “estado ideal” seria ter 100% dos aplicativos na nuvem pública, enquanto apenas 6% consideram ideal manter 100% no ambiente local. A maioria idealiza uma combinação de aplicativos nos dois tipos de ambiente: mais de um terço (36%) almeja ter 80% na nuvem e 20% no ambiente local, enquanto outros 15% buscam uma divisão equilibrada, com 50% na nuvem e 50% no ambiente local.

Escolhendo o local certo

Se, como postulamos, o estado padrão de uma organização é ter aplicações nos três tipos de ambiente — núcleo, nuvem e borda —, a próxima questão é como associar as aplicações aos locais adequados. Quanto melhor fizermos isso antes da implantação, menos repatriações e migrações serão necessárias. Como nenhum desses esforços é gratuito, identificar o local certo antes da implantação certamente reduziria o custo total de propriedade de uma aplicação ao longo de sua vida útil.

Então, fizemos várias perguntas para criar um “perfil” de cada local. Um dos fatores que queríamos entender era o principal motivo para a escolha do local. Apresentamos seis critérios diferentes:

  1. Escalabilidade
  2. Rapidez na implantação
  3. Desempenho da aplicação
  4. Facilidade operacional
  5. Conformidade/regulamentação
  6. Proximidade dos dados

Acontece que cada local tem um perfil único, com critérios muito diferentes no topo da lista de motivos para escolhê-lo.

A nuvem pública também é escolhida pela rapidez de implantação, enquanto a facilidade operacional e a proximidade dos dados favorecem a adoção de soluções locais. Curiosamente, a proximidade dos dados também favorece a computação de borda, pelo menos quando combinada com desempenho e escalabilidade.

Em última análise, não há um único fator que determine a escolha de um local em detrimento de outro, mas sim uma combinação de fatores que leva a essa decisão.

Embora a nuvem pública possa, de fato, considerar a infraestrutura local uma “concorrente”, conforme as recentes discussões do setor sobre repatriação, a realidade é que os três ambientes atendem a finalidades específicas para um conjunto de aplicações cada vez mais distinto.

O que resta agora é entender os perfis das aplicações e associá-los às características mais adequadas a cada local. Como setor, somos bastante competentes em identificar que aplicações voltadas a dispositivos de IoT provavelmente são uma boa opção para a computação de borda. Da mesma forma, sabemos quais aplicações são mais bem atendidas por uma solução SaaS do que por uma alternativa empacotada.

Mas, quando se trata de outras aplicações — chatbots de IA, copilotos, assistentes, aplicativos móveis, aplicativos web e aplicativos empresariais —, as respostas costumam ser menos claras, com pouco consenso.

Observabilidade é a resposta

Continuo convencido de que um fator significativo para essa falta de consenso é a observabilidade incompleta. As organizações não conseguem criar um perfil para cada aplicação porque não dispõem de métricas relevantes para esse perfil. Uma visão mais completa — incluindo os custos — permitirá, em última análise, que os modelos de IA prevejam o melhor local para uma aplicação simplesmente traçando seu perfil.

Mas continuamos constatando, por meio de nossas pesquisas, que a falta de visibilidade ainda representa um desafio significativo — especialmente para organizações que operam em vários locais. Isso se deve, em grande parte, à proliferação de soluções de entrega e segurança, com diferentes ferramentas e serviços utilizados em cada local. Sem uma camada comum para gerar as métricas relevantes, as organizações precisam se tornar especialistas em ciência de dados apenas para desvendar até mesmo as estatísticas mais simples relacionadas a custo, desempenho e segurança.

Como era de se esperar, a eficiência de custos e a visibilidade foram os dois principais benefícios de uma abordagem independente de nuvem para a entrega de aplicações. Colocando a visibilidade em primeiro lugar, esses também continuam sendo os dois principais benefícios de uma abordagem independente de nuvem para a segurança de aplicações. Isso seria extremamente relevante, já que o principal desafio para as organizações que operam em vários locais foi mitigar ameaças de dia zero, apontado por 51% dos entrevistados. No entanto, a solução de problemas em aplicações distribuídas ficou logo atrás, com 50%.

À medida que as organizações lidam com as complexidades de um ambiente de TI híbrido e multinuvem, o caminho para uma estratégia de aplicações otimizada depende da visibilidade. A observabilidade completa não é apenas um termo da moda — é a base para decisões bem fundamentadas antes da implantação, que minimizam iniciativas dispendiosas de repatriação e migração. Sem métricas unificadas entre os ambientes, as empresas permanecem presas a uma abordagem de tentativa e erro na implantação de aplicações, agravada por desafios de segurança, desempenho e custos específicos de cada local.

A solução está em uma plataforma unificada e independente de nuvem, que consolida os dados de entrega e segurança de aplicações em todos os ambientes. Com uma camada comum de observabilidade, as organizações podem deixar de solucionar problemas de forma reativa e passar a otimizar proativamente, aumentando a eficiência e mitigando ameaças críticas com confiança.

O caminho para um ambiente de TI híbrido estável, escalável e seguro passa pela visibilidade. Ao investir em ferramentas que unificam a observabilidade entre o núcleo, a nuvem e a borda, as organizações podem finalmente organizar a complexidade da multinuvem, garantindo que cada aplicação encontre o ambiente ideal — onde quer que ele esteja.