Contêineres são essenciais para a estratégia multicloud

Ecossistema F5 | 28 de janeiro de 2019

Talvez você se lembre de uma publicação do início de 2017 em que mencionei que os contêineres estavam cansados de ser sempre associados ao mesmo papel. Foi em janeiro, para ser mais exato. Isso significa que os contêineres não estão mais apenas cansados de ser sempre associados ao mesmo papel — estão completamente exaustos disso.

A prova desse cansaço pode ser vista em uma recente pesquisa da Portworx sobre a adoção de contêineres. Foram relatados avanços significativos tanto na adoção de contêineres — que chegou a 82% — quanto no uso de contêineres em produção — agora em 83%.

Mas isso não é nenhuma surpresa. A adoção de contêineres vem consumindo uma parcela constante do orçamento há alguns anos. O que pode surpreender são os motivos por trás dessa adoção. Alerta de spoiler: não se trata exatamente de microsserviços.

Logo após o aumento da eficiência dos desenvolvedores, vem o objetivo da portabilidade entre várias nuvens. Os contêineres são vistos como a solução de portabilidade que o mercado deseja, mas que ainda não lhe foi oferecida. Esse desejo fica evidente no relatório "Guia de Serverless", da New Stack, nas respostas sobre os aspectos em que o Serverless deixa a desejar. A principal resposta (29% dos entrevistados) foi a portabilidade.

Essa não é uma preocupação nova, nem um novo desafio, mas apenas uma nova forma de dizer "evitar a dependência de um fornecedor". Afinal, qualquer modalidade de nuvem pública é um produto, e a dependência decorrente da adoção de um produto é sempre uma possibilidade. A portabilidade é vista como uma saída, o que torna os contêineres atraentes para um conjunto mais amplo de aplicações do que geralmente é discutido por aqueles fascinados por tecnologias emergentes.

A verdade é que é mais provável encontrar contêineres executando pilhas de aplicativos tradicionais e infraestrutura do que microsserviços. Um exemplo disso é um relatório da Sysdig que analisou dados de 90.000 contêineres para descobrir o que é executado dentro deles. No topo da lista está o Java. Entre as tecnologias emergentes mais populares, como etcd, fluentd, Elastic Search e mongoDB, também estão opções consagradas, como Apache, PostgreSQL, PHP e Apache Tomcat.

A maioria das organizações opera em uma realidade multinuvem. E elas estão usando contêineres para levar aplicações para a nuvem e também para retirá-las da nuvem, caso seja necessário. Entre os participantes da nossa pesquisa State of Application Services 2019 que afirmaram estar avaliando a conteinerização em decorrência da transformação digital, apenas 11% não estavam adotando uma abordagem multinuvem.

Não é uma boa ideia limitar os contêineres a uma função restrita que envolva apenas microsserviços, pois eles são capazes de fazer muito mais. Se você não enxergar além do hype, poderá perder a oportunidade de aproveitar os contêineres para muito mais do que apenas microsserviços.

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Sobre o autor

Lori Mac Vittie
Lori Mac VittieEngenheiro Emérito e Evangelista-Chefe | F5

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.

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