Isto não é um exercício. A ameaça dos Thingbots é existencial e aumenta a cada dispositivo conectado que instalamos.
Tenho um cão pastor-de-shetland que tem alguma coisa contra a minha torradeira. Sempre que ela está ligada, ele late e pula em cima dela como se fosse uma ameaça. Meu marido e eu brincávamos que o cachorro achava que a torradeira era um Decepticon. Pelo menos até eu ler o relatório mais recente da F5 Labs. Agora estou me perguntando se talvez meu cachorro saiba de algo que nós não sabemos.
Há anos, a F5 Labs monitora e publica relatórios sobre ataques contra dispositivos de IoT. Além das óbvias câmeras IP e dos roteadores SOHO, isso inclui sua TV, seu forno, sua geladeira e sua cafeteira Keurig.
Você leu certo: a F5 Labs detectou tráfego de ataque vindo de uma cafeteira Keurig. Isso faz com que a desconfiança do meu cachorro em relação à minha torradeira não pareça tão absurda quanto parecia há pouco, não é?
O relatório mais recente da F5 Labs, que abrange dados sobre ataques globais contra dispositivos de IoT de janeiro a junho de 2018, é preocupante. Não apenas porque os dispositivos de IoT continuaram sendo atacados ou mesmo porque são vulneráveis a ataques, mas por causa da transformação que está ocorrendo.
O relatório observa que 74% dos "thingbots de que temos conhecimento foram desenvolvidos nos últimos dois anos. Só em 2018, foram descobertos treze thingbots, e eles já não são bots de finalidade única ou dupla. Houve uma mudança para bots de ataque multifuncionais de aluguel que implantam servidores proxy."
Os thingbots estão sendo transformados em plataformas de ataque. Eles são dinâmicos e configuráveis, capazes de lançar uma infinidade de ataques — desde cryptojacking e captura de pacotes até sequestro de DNS e preenchimento de credenciais. Os invasores não estão apenas recrutando dispositivos de IoT; estão treinando-os para serem supersoldados em seus exércitos digitais.
Dada a facilidade com que os invasores conseguem comprometer dispositivos, essa transformação é preocupante. A capacidade de usar um único dispositivo comprometido para realizar vários tipos de ataque proporciona uma vantagem econômica aos “proprietários” dessas botnets. O aluguel de redes de dispositivos comprometidos há muito tempo é um negócio lucrativo, mas a possibilidade de diversificar o portfólio é uma vantagem em qualquer mercado.
Não se engane pensando que isso não é um mercado. É, sim, e, ao transformar thingbots em plataformas, os invasores estão garantindo que seja um mercado em crescimento.
O frustrante é que continuamos alimentando esse mercado. Fabricantes e prestadores de serviços fazem isso ao confiar em credenciais padrão fracas, que são facilmente descobertas — ou adivinhadas. O relatório da F5 Labs observa: "Oitenta e oito por cento (88%) das credenciais na lista das 50 mais atacadas entre 1º de janeiro de 2018 e 30 de junho de 2018 têm o mesmo nome de usuário e senha. Isso inclui 'root:root', 'admin:admin' e 'user:user'."
Os invasores sabem disso e exploram essa vulnerabilidade com taxas de sucesso alarmantes. Esse sucesso é favorecido pelo fato de os consumidores não alterarem essas credenciais padrão. E, quando os invasores assumem o controle de um roteador SOHO, torna-se fácil atacar todos os dispositivos dentro da rede que, de outra forma, talvez não estivessem acessíveis.
Como a sua cafeteira. Ou talvez a minha torradeira.
Será interessante ver se a proibição de senhas padrão na Califórnia — que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2020 — terá algum impacto mensurável. A lei exige que qualquer dispositivo conectado vendido na Califórnia tenha uma senha exclusiva no momento da fabricação ou exija a criação de uma no primeiro uso. Dada a natureza global do mercado, é provável que essa exigência afete dispositivos vendidos em qualquer lugar. Mas isso inclui apenas os dispositivos vendidos após 1º de janeiro de 2020. Ela não afetará os dispositivos vendidos atualmente nem nos próximos dois anos. Até lá, a rede global de dispositivos comprometidos poderá ser tão grande que a medida não será tão útil quanto poderia ter sido se ela — ou uma lei semelhante em outro estado — tivesse sido implementada anos atrás.
Vale a pena ler o relatório mais recente da F5 Labs para compreender a grave ameaça que os thingbots representam não apenas para os ativos digitais, mas também para as pessoas. Todos os aspectos da nossa vida estão passando por uma transformação digital, e a IoT contribui significativamente para essa transformação. Ao se apropriarem dos dispositivos dos quais policiais, bombeiros e profissionais da saúde dependem, os invasores podem afetar nossa saúde e segurança. O controle da sinalização digital que orienta e direciona o trânsito nas rodovias pode levar a consequências desastrosas.
Quanto mais dependemos de dispositivos de IoT, maior se torna a ameaça de eles serem comprometidos.
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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