Aplicativos, redes e sistemas legados na mira da computação quântica: a perspectiva de um CISO

Ecossistema F5 | 06 de agosto de 2025

A computação quântica está no horizonte e promete transformar radicalmente os sistemas criptográficos que protegem nossos dados, comunicações e infraestrutura. A hora de começar a se preparar é agora. Nesta série de seis artigos sobre criptografia pós-quântica (PQC), líderes de referência em criptografia de toda a F5 explicarão o que está em risco, quais oportunidades estão por vir e quais medidas sua organização pode tomar hoje para se manter segura em um mundo pós-quântico. O futuro está mais próximo do que você imagina. Vamos nos preparar juntos.

Como abordamos nos primeiros posts desta série, a computação quântica capaz de quebrar a criptografia padrão atual — o chamado "Dia Q" — continua sendo uma questão de quando, e não de se. O cronograma é incerto, mas as implicações são imediatas, especialmente devido aos riscos de "coletar agora, descriptografar depois": agentes mal-intencionados podem coletar dados criptografados hoje e descriptografá-los quando as tecnologias quânticas se tornarem viáveis.

Muitas organizações precisam proteger dados confidenciais por períodos muito superiores aos horizontes convencionais de planejamento de riscos. Embora novos padrões de criptografia pós-quântica tenham sido ratificados e alguns controladores de entrega de aplicações (ADCs) e redes de entrega de conteúdo (CDNs) já ofereçam proteções híbridas, o desafio é urgente: a dívida técnica acumulada nos sistemas legados em breve exigirá atenção, e a pressão de órgãos reguladores e partes interessadas está aumentando.

A visão deste CISO: é hora de começar, sem deixar de lado os aspectos de governança, risco e conformidade (GRC). Prepare-se para auditorias, maior escrutínio e um novo ecossistema de validação da prontidão quântica, que pode surgir já em 2026. As equipes de segurança e GRC já enfrentam uma complexidade enorme na avaliação de fornecedores, especialmente no caso de dispositivos legados ou que não podem ser atualizados. Ter uma mensagem clara, informações precisas sobre o status e relatórios adequados será muito útil para sua organização nos próximos anos.

O futuro é agora

Apesar da tendência de considerar os riscos quânticos uma preocupação para o futuro, a ratificação oficial dos padrões de PQC marca o início de uma nova era. A Gartner prevê que métodos criptográficos assimétricos amplamente utilizados poderão ser comprometidos já em 2029 e totalmente quebrados até 2034.*

Estamos mais perto de 2029 do que de 2020, pessoal — não é muito tempo para um projeto de vários anos, especialmente um que ainda não teve seu escopo definido, nem foi priorizado, orçado ou aprovado. E, como veremos, a dimensão do desafio envolvendo tecnologias legadas e dispositivos que não podem ser atualizados será maior do que muitos imaginam.

Para CISOs, CTOs e CIOs, não se preparar proativamente para a criptografia pós-quântica (PQC) está se tornando um risco crítico para a resiliência dos negócios — e, pior ainda, um risco que já víamos se aproximar há mais de uma década. Adiar medidas pode expor as organizações a violações de segurança previsíveis, infrações regulatórias, como as relacionadas ao Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR), e danos à reputação.

Não é hora de entrar em pânico, mas é hora de agir com urgência e planejamento coordenado entre organizações e cadeias de suprimentos. Ao planejar 2026, investimentos estratégicos e planos de ação concretos para a PQC serão pré-requisitos para uma liderança responsável em segurança na era da IA e da computação quântica.

Normas do NIST e determinações federais

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) definiu um caminho claro a seguir ao finalizar algoritmos de criptografia pós-quântica (PQC), como o ML-KEM (FIPS 203) para troca de chaves, o ML-DSA (FIPS 204) para assinaturas digitais e o SLH-DSA (FIPS 205) para assinaturas de contingência. Esses padrões testados oferecem uma base técnica estável, levando a PQC do campo teórico à aplicação prática. A orientação do NIST também é clara: os padrões foram ratificados, e agora é o momento de implementar o primeiro conjunto.

E como os computadores contra os quais estamos nos defendendo ainda não foram construídos (até onde sabemos), esta é a PRIMEIRA migração para uma nova criptografia. O objetivo não é realizar uma atualização pontual, mas incorporar a “agilidade criptográfica” como uma competência essencial da sua equipe de TI e da cadeia de suprimentos, pois precisaremos repetir esse processo à medida que surgirem novas ameaças quânticas. De novo. E de novo.

Uma mudança arquitetural fundamental — e, por favor, não se esqueça de GRC

Esta primeira implementação dos padrões de PQC será, em grande parte, uma atualização de software. No entanto, alcançar a agilidade criptográfica — a capacidade de atualizar rapidamente a criptografia à medida que os padrões evoluem — exige mudanças profundas na gestão de ativos, na governança e nas operações de TI. As equipes de GRC devem se preparar para um escopo amplo, que envolve inventário, gerenciamento de versões, testes de compatibilidade e registros de riscos.

Transições mal gerenciadas aumentam o risco de indisponibilidade, interrupções operacionais e falhas de conformidade, especialmente em ambientes híbridos, multinuvem e legados.

No entanto, a transição para a computação quântica pode servir como catalisador, impulsionando a transformação digital há muito adiada e a desativação dos mainframes — desde que seja possível encontrar os profissionais certos e a documentação dos sistemas legados.

As empresas que terceirizaram funções críticas de TI, especialmente as relacionadas a sistemas legados, precisam começar a documentar e compreender de fato como esses sistemas antigos funcionam. Muitos projetos terão grandes estouros de orçamento e atrasos no cronograma devido à subestimação do trabalho necessário.

O triângulo de ferro do gerenciamento de projetos será relevante nesse contexto, pois você poderá se deparar com diversos casos de negócio e frentes de remediação, especialmente em empresas complexas que cresceram por meio de aquisições.

Aplicações sob a ótica quântica

A PQC afeta diretamente as aplicações, não apenas a infraestrutura. Adotar uma criptografia segura contra ameaças quânticas significa mais do que trocar uma biblioteca — isso pode exigir revisões substanciais de código em componentes criptográficos profundamente integrados. Considerando que esse esforço levará vários anos, CISOs e líderes de GRC devem estar preparados para enfrentar objeções, reclamações sobre a falta de recursos, altos custos de consultoria quando forem necessárias competências especializadas, resistência interna e mudanças nas justificativas de negócio, muitas vezes agravadas pela escassez de documentação sobre sistemas legados.

Agir com antecedência reduz o risco de crises futuras e permite mudanças mais planejadas e menos disruptivas. A maioria das empresas ainda não sabe o que desconhece, e a gestão das partes interessadas nesse tema será fundamental para o sucesso e a execução.

Impactos da aplicação no mundo real

Os algoritmos de PQC geralmente exigem chaves maiores e mais recursos computacionais, o que pode afetar a latência e a taxa de transferência dos aplicativos, especialmente em cargas de trabalho sensíveis ao tempo.

A modernização para oferecer suporte à PQC frequentemente revela débitos técnicos ocultos, levando a estouros no orçamento — mas, em última análise, proporcionando resiliência futura e ganhos de desempenho.

É essencial alinhar as expectativas de que nem todos os sistemas poderão ser atualizados e de que este não é um evento pontual do tipo "configurar e esquecer". A comunicação com as partes interessadas deve reforçar que a descoberta e a adaptação contínuas são o novo padrão e que novos desafios deverão surgir ao longo dessa transição.

Transformação da infraestrutura: redes, nuvem e edge

A PQC transformará dispositivos de rede, servidores e serviços em nuvem — especialmente aqueles que gerenciam a terminação TLS e a criptografia. Embora muitos navegadores e servidores se adaptem, diversos sistemas mais antigos precisarão ser atualizados ou substituídos devido ao aumento das necessidades de largura de banda e processamento.

Um ponto estratégico para o planejamento de segurança é distinguir o impacto da PQC nos mecanismos de encapsulamento de chaves (KEMs) de seu impacto nas assinaturas digitais em protocolos como o TLS. A prioridade mais urgente é implantar KEMs de PQC (por exemplo, ML-KEM) para combater ameaças do tipo "coletar agora, descriptografar depois", pois eles protegem dados de longa duração que estão sendo coletados atualmente por agentes mal-intencionados.

A implementação de assinaturas digitais pode seguir um cronograma mais ponderado e baseado em riscos, já que a falsificação só é possível durante sessões ativas.

Módulos de segurança de hardware (HSMs)

Os HSMs são essenciais para o gerenciamento de chaves criptográficas, mas enfrentam desafios em um mundo com PQC. As chaves maiores e as demandas crescentes de processamento dos algoritmos resistentes à computação quântica podem exceder a capacidade do hardware existente, que possui recursos limitados. Técnicas como a geração de chaves baseada em sementes podem ajudar no armazenamento, mas introduzem novas sobrecargas computacionais. A atualização para HSMs compatíveis com PQC geralmente aumenta os custos, a complexidade e o tempo necessário, mas é essencial para manter a integridade criptográfica.

A parte mais difícil: dispositivos legados e com recursos limitados

Talvez o desafio mais complexo da PQC seja sua aplicação em tecnologia operacional (OT), IoT e outros sistemas embarcados que não foram projetados para oferecer agilidade criptográfica. Muitas vezes, esses dispositivos não dispõem da memória, do armazenamento ou da capacidade computacional necessários para lidar com as chaves maiores da PQC e com o aumento dos requisitos de processamento. Essa situação exige uma colaboração multidisciplinar que envolva cibersegurança, infraestrutura e gestão de dados, tudo isso em meio a cronogramas de entrega cada vez mais apertados. Pode ser necessário segmentar a rede desses dispositivos para ganhar tempo até que seja viável substituí-los ou atualizá-los.

F5: sua parceira estratégica

A F5, com sua ampla experiência em entrega e segurança de aplicações, está em uma posição privilegiada para ajudar as organizações nessa transição. A F5 Application Delivery and Security Platform (ADSP) já oferece integração perfeita de soluções de preparação para PQC, simplificando a entrega e a segurança de aplicações em ambientes híbridos, multinuvem e legados.

Como observou recentemente a EMA, uma das principais empresas de análise do setor, em seu Vendor Vision 2025: Black Hat Edition: “A F5 Application Delivery and Security Platform (ADSP) não é apenas uma ferramenta para proteger aplicações; é uma solução inovadora, projetada para proteger ativos críticos contra ameaças emergentes, incluindo o desafio iminente da computação quântica... A integração antecipada e decisiva da F5 de recursos de preparação para criptografia pós-quântica (PQC) a diferencia dos concorrentes que ainda estão na fase experimental.”

As ferramentas unificadas de visibilidade, gerenciamento e avaliação de ameaças da F5 tornam a coordenação de uma transição segura contra ameaças quânticas mais prática e menos prejudicial à agilidade dos negócios. Como uma empresa de proxy, podemos ser considerados “seu intermediário”, ajudando as organizações a centralizar e automatizar as transições criptográficas na borda da rede e na porta de entrada das aplicações, ao mesmo tempo que fornecemos telemetria e insights orientados por IA para o gerenciamento contínuo de ameaças. Essa abordagem enfrenta diretamente o desafio de “trocar os motores de um avião em pleno voo” ao desvincular a migração para a criptografia pós-quântica (PQC) dos principais ciclos de desenvolvimento de aplicações, reduzindo significativamente a carga operacional imediata e o risco de interrupções.

Aja agora: um guia de resiliência quântica para CISOs

A jornada rumo à PQC é uma transformação que levará vários anos. Os líderes de segurança devem esclarecer o desafio, alinhar as expectativas e se preparar para mudanças nos prazos à medida que surgirem novas ameaças ou complicações relacionadas a sistemas legados. Uma preparação proativa pode transformar a obrigatoriedade e a necessidade da PQC em uma oportunidade estratégica para finalmente enfrentar a dívida técnica acumulada, pois teremos que passar por isso novamente. Aproveite a oportunidade para obter visibilidade de ponta a ponta, modernizar as operações e demonstrar uma liderança clara em resiliência digital.

As organizações bem-sucedidas serão aquelas que tratarem e comunicarem a PQC como uma evolução contínua em toda a empresa — e não como uma atualização pontual. Adote uma abordagem holística, dissemine essa mensagem por toda a organização e pela cadeia de suprimentos e invista desde já na preparação necessária. Esta é a oportunidade de fortalecer sua organização para um futuro mais seguro, ágil e resiliente. Sua liderança nesta era definirá a continuidade, a conformidade e a reputação da sua organização nos próximos anos, e a F5 está aqui para ajudar em cada etapa dessa jornada.

Para saber mais, inscreva-se em nosso próximo webinar, “Preparando a cibersegurança para o futuro: como navegar pela PQC.”

Além disso, não deixe de conferir nossas publicações anteriores desta série no blog:

Analisando o alarde em torno da criptografia pós-quântica

Preparando o cenário: por que a PQC é importante?

Entendendo os padrões e cronogramas da PQC

* Gartner, “Comece agora a transição para a criptografia pós-quântica”, por Mark Horvath, 30 de setembro de 2024

Compartilhar
Tags: 2025

Publicações relacionadas no blog

Entrega e proteção de agentes de IA em fábricas de IA: F5 para a arquitetura de referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros
Ecossistema F5 | 21/10/2026

Entrega e proteção de agentes de IA em fábricas de IA: F5 para a arquitetura de referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros

As soluções da F5 ampliam a Arquitetura de Referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros.

Como medir – e minimizar – o custo total de propriedade do seu Kubernetes
Ecossistema F5 | 10/12/2020

Como medir – e minimizar – o custo total de propriedade do seu Kubernetes

O Kubernetes pode ser baixado e executado gratuitamente, mas sua manutenção está longe de não ter custos. Assim como outras grandes plataformas de código aberto que são “gratuitas” apenas em um sentido simplista, o Kubernetes quase certamente exigirá investimentos para ser implantado e operado.

As-Code: a pilha de TI contínua
Ecossistema F5 | 08/10/2018

As-Code: a pilha de TI contínua

Infraestrutura, configuração, pipeline, operações. De repente, tudo é “como código”. Lori MacVittie busca esclarecer a terminologia e identificar os diferentes componentes de uma stack contínua de TI.

O estado da entrega de aplicações em 2017: automação, APIs e DevOps
Ecossistema F5 | 17/04/2017

O estado da entrega de aplicações em 2017: automação, APIs e DevOps

Explore o relatório State of Application Delivery de 2017. Leia o blog retrospectivo da F5 sobre o início da ascensão das redes declarativas e dos pipelines de DevOps.

DevOps Summit: onde a rede foi convidada para a festa
Ecossistema F5 | 11/06/2015

DevOps Summit: onde a rede foi convidada para a festa

No DevOps Summit NY, falou-se muito não apenas sobre DevOps, mas também sobre contêineres, IoT e microsserviços. As sessões se concentraram não só na mudança cultural necessária para crescer em escala com uma abordagem DevOps, mas também fizeram questão de incluir...

F5 e Nutanix convergem em infraestrutura no .NEXT
Ecossistema F5 | 08/06/2015

F5 e Nutanix convergem em infraestrutura no .NEXT

Aplicações empresariais como Microsoft SharePoint e Exchange, juntamente com a VDI, continuam sendo a espinha dorsal da sua empresa. A produtividade, embora não seja tão atraente quanto o lucro, é um fator essencial para o sucesso das operações empresariais atuais. Deixar de...