Inverter a API é a transformação digital de que as empresas precisam para participar e competir em uma economia de APIs

Ecossistema F5 | 18 de outubro de 2022


Motivação, desafios e oportunidades

As interfaces de programação de aplicações (APIs) e, consequentemente, a economia de APIs estão rapidamente se tornando viabilizadoras da transformação digital. Embora a maioria das empresas compreenda o funcionamento de uma API, poucas a adotaram como forma de aumentar seu próprio valor de negócio. A economia de APIs abrange todos os modelos de negócio, práticas e ativos que impulsionarão a economia digital à medida que mais empresas disponibilizarem seus serviços externamente por meio de APIs. Em essência, a economia de APIs permite que uma empresa exponha seus serviços e dados com segurança, gerando valor para o negócio.

Todas as empresas detêm dados e fornecem serviços relacionados que possuem valor intrínseco, mas que normalmente estão disponíveis apenas internamente na organização. Porém, para participar e competir de forma eficaz nessa economia de APIs, uma empresa também deve considerar se voltar do avesso, invertendo algumas dessas APIs. No relatório “Como as APIs geram crescimento ao inverter a empresa”, Benzell et al. descrevem como a exposição de APIs privadas aumenta o valor de uma organização. Ampliamos a expressão para ‘Inversão da API’, um processo pelo qual uma empresa externaliza uma API privada, disponibilizando-a como uma API de parceiro ou API pública.

Breve recapitulação sobre APIs

As APIs permitem que os desenvolvedores criem aplicações e produtos com facilidade e agilidade. Elas facilitam a rápida integração de softwares de diferentes áreas de uma empresa e a interação com serviços disponibilizados por meio de APIs de parceiros ou APIs públicas.

As APIs também podem viabilizar a integração de novos serviços entre empresas, permitindo o acesso a dados e o compartilhamento de recursos. É justamente nesse acesso aos dados que as APIs oferecem as oportunidades mais atraentes, ao mesmo tempo que apresentam os maiores desafios e riscos. As APIs permitem que os usuários acessem dados de diferentes serviços com segurança, sem precisar passar pelas medidas de segurança de cada provedor de serviços. No entanto, o desenvolvimento inadequado de APIs pode fazer com que a organização exponha dados inadvertidamente, resultando nos muitos desafios que vemos atualmente no setor.

De acordo com o relatório State of the API 2022 da Postman, a “integração com sistemas internos” foi o principal motivo pelo qual as organizações decidiram consumir APIs, que oferecem às empresas a maneira mais fácil de participar da economia digital. Isso é importante porque as ferramentas de integração se tornam um fator crucial quando as empresas escolhem a tecnologia para uma estratégia API-first.

Motivação empresarial

O exemplo mais clássico de disponibilização de APIs privadas para uso pelo ecossistema mais amplo é a Amazon Web Services (AWS). A Amazon identificou uma oportunidade de permitir que os clientes usassem sua própria infraestrutura computacional por meio de autosserviço e sob demanda. Isso não era novidade para a empresa, pois ela já dispunha de todas as ferramentas de autosserviço e automação para desenvolvedores internos. Foi a oportunidade da Amazon de impulsionar o crescimento dos negócios, o que levou ao surgimento da computação em nuvem como a conhecemos hoje. Embora os céticos afirmassem que as empresas jamais adotariam a nuvem, nos 15 anos desde seu lançamento, a computação em nuvem se tornou um setor de cerca de US$ 1 trilhão, e o valor de mercado da Amazon cresceu mais de dez vezes ao longo de uma década, em grande parte devido ao sucesso da AWS. Isso impulsionou a criação de um novo segmento de mercado.

Mas as empresas ainda não reconheceram todo o potencial das APIs para aumentar o valor do negócio. Embora possa haver vários motivos para ignorar a possibilidade de maior retorno, a principal motivação é a cibersegurança. Como proteger os ativos de uma organização é a maior prioridade da área de TI, a maioria das organizações adota melhores práticas e fluxos de trabalho onerosos que limitam a agilidade dos negócios e, em última análise, restringem os lucros. No entanto, o objetivo da segurança deve ser liberar o valor latente de uma empresa, e não restringi-lo.

Qualificação de APIs para inversão

“Inverter a API” não é apenas uma questão técnica de disponibilizá-la para terceiros fora da organização. A granularidade da exposição de uma API (GRAPE) leva a empresa a discutir se uma API pode ser invertida com segurança. Em um “teste da uva”, uma empresa precisa determinar se está expondo inadvertidamente dados que possam ser considerados estratégicos para a concorrência ou que possam infringir requisitos de Governança, Risco e Conformidade (GRC), além de avaliar a qualidade da arquitetura da API do ponto de vista da segurança. Em essência, as empresas não querem deixar nenhuma “uva” ao alcance de terceiros.

Depois que uma API passa por essa auditoria, ainda cabe à empresa decidir se disponibilizará os dados por meio de uma API de parceiro ou pública, e o objetivo da organização de TI deve ser fornecer à empresa as ferramentas necessárias para fazer isso de forma segura. Precisamos permitir que os desenvolvedores gerem mais valor, adotando o maior nível de granularidade possível ao expor diversos serviços que normalmente seriam voltados ao uso interno da empresa. Essas APIs poderiam ser testadas com clientes externos e parceiros “amigáveis”, mas hoje esse processo é tão oneroso que a maioria das empresas se recusa a seguir esse caminho. A solução é que as equipes de GRC e segurança estabeleçam salvaguardas que impeçam qualquer ocorrência indevida, sem deixar de promover a autonomia.

Desafios — principalmente técnicos

Então, qual é o próximo passo? Supondo que o valor comercial de inverter uma API seja compreendido e que o teste da uva tenha sido aprovado, ainda há desafios técnicos pela frente.

  • A segurança orienta tudo—GRC e segurança são essenciais porque as APIs também têm um lado obscuro. Hackers procuram APIs para usar em seus ataques. Agentes mal-intencionados são motivados e persistentes, empregando diversas técnicas e improvisando constantemente para contornar a segurança das APIs. Empresas que não adotam práticas recomendadas de segurança adequadas terão muita dificuldade para tornar públicas suas APIs privadas.

  • Descoberta e auditoria de APIs—Eliminar de uma empresa APIs perdidas, órfãs ou não seguras é um problema complexo. Desenvolvedores deixam suas equipes ou organizações sem remover os serviços que estavam desenvolvendo e testando. Até mesmo equipes de software bem disciplinadas cometem deslizes e deixam serviços em execução muito além das fases de desenvolvimento, testes e fim de vida útil. Outro problema relacionado às APIs é a documentação, pois novos desenvolvedores podem não conhecer todo o potencial dos dados retornados. Isso nos remete novamente à segurança.

  • Conectividade—Mesmo que uma empresa encontre motivos convincentes para disponibilizar suas APIs privadas a clientes externos ou parceiros, conectar uma API protegida por três camadas de firewalls em um ambiente corporativo é uma tarefa desafiadora. Embora as unidades de negócios possam levar muitos meses para validar e justificar o ROI necessário para viabilizar essa iniciativa, não basta simplesmente tornar pública uma API interna; a conectividade também exige um processo. Consequentemente, a agilidade é prejudicada e os desenvolvedores não conseguem inovar com rapidez.

Em última análise, precisamos reconhecer que alcançar agilidade nos negócios em um ambiente não confiável é extremamente difícil. Os processos de TI são orientados, definidos e determinados por diferentes preocupações de segurança. Eles existem por um motivo e não podem ser contornados.

Oportunidade — a empresa É a plataforma

Quando uma empresa passa a pensar em como competir na economia de APIs, a necessidade de inverter suas APIs torna-se uma decisão natural. O próximo passo lógico é imaginar toda a empresa como uma plataforma e vislumbrar maneiras de avançar rumo a esse objetivo.

Kristin R. Moyer, vice-presidente e analista emérita do Gartner, afirmou: “A economia de APIs é um facilitador para transformar uma empresa ou organização em uma plataforma. As plataformas multiplicam a criação de valor porque viabilizam ecossistemas de negócios dentro e fora da empresa, permitindo estabelecer conexões entre usuários e facilitando a criação e/ou a troca de bens, serviços e moeda social, para que todos os participantes possam obter valor.” (Mulesoft)

Conduzir uma empresa por essa jornada não é uma tarefa isenta de desafios, e é nesse ponto que os fornecedores compartilham a responsabilidade com as organizações de TI. A empresa precisa entender quais aspectos de seus ativos internos podem beneficiar — ou beneficiarão — a comunidade em geral e ampliar seu valor. O ecossistema de fornecedores deve oferecer ferramentas e tecnologias que ajudem as empresas a inverter APIs com segurança e liberar o valor da organização como plataforma.


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