À medida que as organizações aceleram sua jornada para se tornarem empresas digitais, os CIOs assumem o comando e colocam o motor da tecnologia em alta rotação para impulsioná-las na segunda fase da transformação digital. Como sempre, o desempenho é um obstáculo significativo para aproveitar os benefícios das estratégias multinuvem e levar definitivamente as empresas a expandirem suas operações até a borda.
Recentemente, perdi cerca de uma hora da minha vida acompanhando discussões sobre a taxa de polling de mouses gamers em comparação com a de um controle de console. Descobri que, embora meu controle do Xbox seja capaz de processar 24 MIPs, ele ainda verifica as entradas a apenas 125 Hz. Isso significa que ele informa ao jogo sobre qualquer alteração aproximadamente uma vez a cada 8 milissegundos. Em contrapartida, um mouse gamer verifica as entradas a 1.000 Hz. Ele informa os movimentos uma vez a cada milissegundo.
Agora, você pode achar que isso é insignificante. Mas, nos jogos modernos — especialmente no cenário competitivo —, cada milissegundo conta. E, se você estiver usando um controle e competindo com alguém que usa um mouse, a diferença entre um milissegundo e oito milissegundos é uma eternidade. A propósito, também descobri que é possível fazer overclock em um controle para que ele opere com uma taxa de polling comparável à dos mouses, caso você o use para jogar em um PC. Para quem joga com controle, será muito mais difícil superar essa diferença de desempenho.
O desempenho é importante, e não apenas para jogos. Nossa análise das respostas à pesquisa State of Application Strategy 2022 constatou que o desempenho afeta tudo, desde decisões de segurança até estratégias de distribuição de cargas de trabalho. O desempenho continua reinando absoluto.
O dilema entre desempenho e segurança
Talvez este seja o segredo mais mal guardado da era digital: as organizações, de fato, desativam controles de segurança em troca de desempenho.
Obviamente, houve — e continua havendo — situações em que os serviços de segurança ficam sobrecarregados durante um ataque e são desativados para evitar uma indisponibilidade. Mas isso é bastante raro hoje em dia, pois o conhecimento especializado em estratégias de escalabilidade distribuída resolve muito bem esse cenário na maioria dos casos — sem abrir mão dos controles de segurança. Portanto, a verdadeira pergunta não é “você desativaria a segurança para melhorar o desempenho?”, mas sim “quanto o desempenho precisaria melhorar para convencer você a desativar os controles de segurança?”
Foi exatamente isso que perguntamos.
Como estamos por dentro do segredo, esperávamos que houvesse um ponto de inflexão em que a maioria dos entrevistados de fato desativaria os controles de segurança. Mas não esperávamos que bastasse uma melhoria tão pequena no desempenho.
Mais de três quartos — 76% — desativariam os controles de segurança em troca de uma melhoria no desempenho. Aproximadamente dois terços desse grupo fariam isso por um aumento de desempenho entre 1% e 50%. Os demais exigiriam uma melhoria mais significativa — superior a 51% — antes de abrirem mão dos controles de segurança.
Quando analisamos mais a fundo as respostas da alta liderança de TI e de negócios — as pessoas com poder para tomar essas decisões —, os resultados foram ainda mais surpreendentes. Quase 60% dos líderes de TI e de negócios desativariam os controles de segurança em troca de um ganho de desempenho entre 1% e 50%. Apenas um em cada cinco líderes com poder de decisão (20%) não se deixaria convencer a desativar a segurança em troca de melhor desempenho.

Isso não deve necessariamente ser visto como algo assustador. Na verdade, essa atitude indica uma visão mais madura da segurança, na qual o foco deixa de ser um estado constante de defesa e neutralização e passa a ser o gerenciamento de riscos. A segurança adaptativa será uma forma de equilibrar o conflito entre segurança e desempenho, e já estamos observando uma preferência crescente por métodos de segurança mais adaptativos em detrimento dos métodos tradicionais.
O dilema entre desempenho e nuvem
A segurança não é a única área em que observamos conflitos com o desempenho. Um dos principais desafios de operar em um ambiente multinuvem tem sido — e continua sendo — manter um desempenho consistente entre os diferentes ambientes de nuvem. Apontado como um desafio significativo por 40% dos entrevistados, esse aspecto ficou pouco atrás dos 41% que enfrentam dificuldades para migrar aplicativos entre nuvens, dos 44% que têm problemas para aplicar políticas de segurança consistentes e dos 45% que se frustram com a falta de visibilidade sobre o desempenho e a segurança.

Sabemos que a falta de visibilidade em ambientes multicloud provavelmente contribui para a dificuldade de manter um desempenho consistente. Afinal, se você não consegue medir, também não consegue otimizar, muito menos oferecer uma experiência digital consistente a clientes e funcionários. E qual é um dos três principais insights que faltam aos entrevistados? Isso mesmo: a causa raiz das quedas de desempenho.
Portanto, não será surpresa saber que a “investigação das causas-raiz” e a “análise de dados para melhorar a experiência do cliente” são hoje os dois principais impulsionadores dos projetos de análise de dados. Os métodos tradicionais de monitoramento não conseguem atender às necessidades das empresas modernas e à sua dependência de sinais digitais para viabilizar operações em tempo real e respostas rápidas às mudanças nas condições dos ambientes locais e na nuvem.
Se você não consegue medir, não pode saber o que está acontecendo; e, se não sabe o que está acontecendo, não pode resolver o problema. O dilema entre desempenho e nuvem é, sobretudo, um problema de silos de status e sinais — uma condição em que uma infinidade de soluções e serviços de monitoramento armazena dados de integridade digital em silos e impede que as organizações adotem uma estratégia mais abrangente de dados e observabilidade.
Infelizmente, uma estratégia de dados e observabilidade representa apenas metade da solução. A outra metade é a capacidade de agir rapidamente — até mesmo de forma proativa — para resolver uma situação. Isso também é dificultado pela natureza heterogênea dos serviços e das soluções voltados a desempenho, segurança e escalabilidade: tecnologias de segurança e entrega de aplicações. Com uma verdadeira profusão de soluções e serviços distribuídos entre o núcleo e a nuvem, não há uma maneira única e simples de fechar o ciclo entre tomar conhecimento de um problema e agir rapidamente para resolvê-lo. O monitoramento desconexo e os consoles conflitantes continuam impedindo a entrega do desempenho consistente necessário para proporcionar experiências digitais extraordinárias.
A conexão entre desempenho e edge
A oferta de experiências digitais extraordinárias é apontada como um dos principais benefícios da computação de borda. No ano passado, observamos que os principais casos de uso planejados para a borda estavam, de fato, relacionados ao desempenho. Portanto, não foi surpresa que os mesmos resultados tenham se repetido este ano. Apenas 10% indicaram não ter planos de implantar nada na borda. Para os demais, o desempenho é um fator determinante.
Mais de quatro em cada dez (42%) planejam aproveitar a computação de borda para melhorar o desempenho das aplicações. Mais de um terço (35%) precisa da borda para viabilizar o processamento de dados em tempo real, com requisitos de latência inferiores a 20 milissegundos.
No entanto, não nos contentamos com casos de uso genéricos e investigamos as cargas de trabalho específicas planejadas para implantação na borda.
Os resultados não nos decepcionaram, pois demonstram não apenas o desejo de melhorar o desempenho, mas também a disposição para implantar cargas de trabalho de aplicações na borda.

Mais da metade (51%) das cargas de trabalho de edge planejadas está relacionada ao desempenho de aplicações e inclui serviços de edge tradicionais, como armazenamento em cache, espelhamento e monitoramento. Porém, o mais interessante é que mais de três em cada quatro (77%) planejam implantar cargas de trabalho de dados e de experiência digital na edge. Essa percepção da edge indica uma maturidade crescente na compreensão de que sua evolução transfere os recursos da distribuição de conteúdo (1.0) para a de serviços (1.5) e, depois, para a de cargas de trabalho (2.0), quase exclusivamente com o objetivo de melhorar a experiência de funcionários e clientes.
O desempenho continua soberano
Os meses que passamos analisando os resultados de nossa pesquisa anual são empolgantes, às vezes surpreendentes e sempre fascinantes. O desempenho permeia praticamente todos os aspectos da TI e dos negócios atualmente, orientando decisões de implantação e influenciando a forma como as organizações operam no núcleo, na nuvem e na borda.
O desempenho continua reinando e, com base no comportamento e nas expectativas do meu filho mais novo, um nativo digital, permanecerá no trono por muitos anos.
Para saber mais, baixe seu exemplar do nosso Relatório sobre o Estado da Estratégia de Aplicações de 2022.
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Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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