Modernização da TI: redefinindo a entrega de aplicações

Por Lori Mac Vittie

A próxima geração de entrega de aplicações já chegou. Não há nenhum novo equipamento na rede que nos salvará da tempestade operacional que está prestes a nos atingir. Precisamos de uma nova abordagem que transforme a maneira como as ferramentas e tecnologias de entrega de aplicações são utilizadas para alcançar resultados empresariais e operacionais.

Uma tempestade operacional chega com força

A pandemia global será reconhecida como um importante ponto de inflexão na história, com impacto nos rumos da política, das economias e das sociedades. Ela também representa o momento decisivo em que saltamos de um mundo híbrido para um mundo digital. Esse mundo digital sempre foi nosso destino, sempre esteve no horizonte, mas o ritmo acelerado da transformação proporcionou às organizações a oportunidade e o impulso necessários para avançar de forma definitiva de um mundo para o outro.

83% dos executivos concordam que as estratégias de negócios e tecnologia de suas organizações estão se tornando inseparáveis — e até indistinguíveis. (Accenture)

No entanto, esse salto colocou definitivamente as empresas diante de um dilema. O foco frenético nas experiências digitais deixou pouco tempo para avaliar se a TI estava preparada para sustentar o crescimento possibilitado pela presença digital. Até mesmo aquelas que o setor considerava mais bem preparadas — provedores de nuvem e empresas nativas da nuvem — tiveram dificuldades para atender à demanda e sofreram interrupções mais de uma vez durante a pandemia. Zoom, Microsoft 365, Azure, Cloudflare, Slack e a plataforma de jogos Steam sofreram interrupções significativas no terceiro trimestre de 2020. (Downtime Detector) Ao longo de 2021, organizações de todos os setores enfrentaram incidentes significativos que causaram apagões digitais para seus funcionários e clientes em todo o mundo.

Portanto, não é de surpreender que líderes de tecnologia de todos os setores tenham reconhecido rapidamente o crescente desafio de operar um negócio digital em grande escala. Também não surpreende que, em resposta, estejam implementando planos para modernizar a tecnologia. A integração entre a transformação digital e a transformação da força de trabalho é importante porque aborda diretamente o maior desafio enfrentado por um negócio digital: a escala operacional.

Mais de 80% dos CEOs pretendem aumentar os investimentos em modernização tecnológica nos próximos 12 meses, e quase três quartos afirmam que estão passando ou se preparando para passar por uma transformação digital e da força de trabalho/dos talentos. (Fortune/Deloitte)

As empresas digitais conseguem operar em um mercado várias ordens de grandeza maior do que o de uma empresa física. Isso se traduz em uma demanda maior, que, por sua vez, exige mais recursos para proteger e oferecer as experiências digitais por meio das quais os negócios são realizados atualmente.

Além disso, as organizações estão a caminho de digitalizar todas as funções de negócios, o que resulta em um crescimento explosivo das cargas de trabalho das aplicações. A digitalização não para por aí, pois as aplicações apenas aumentam a eficiência na execução de tarefas específicas dentro de um processo de negócios. Sem fluxos de trabalho que digitalizem esses processos, a intervenção manual ainda prejudica o ritmo dos negócios. É necessária uma nova camada de cargas de trabalho voltada à orquestração de fluxos de trabalho entre aplicações para oferecer serviços digitais, aumentando a complexidade dos ambientes já resultantes da digitalização.

Tudo isso aumenta a necessidade de mais recursos para dar suporte a uma empresa digital.

O fator humano

Os recursos não se limitam à tecnologia. São necessárias pessoas para operar a tecnologia, assim como são necessárias pessoas para desenvolver os aplicativos que proporcionam experiências digitais aos consumidores. Não há futuro em que as pessoas não estejam envolvidas na operação de uma empresa. Porém, em um futuro digital, o número de pessoas necessárias para operar uma empresa em escala não pode crescer linearmente com os recursos tecnológicos. Mesmo que esse fosse um modelo operacional viável, o mercado simplesmente não conseguiria sustentá-lo. A tecnologia é necessária para permitir que as pessoas ampliem o alcance de seus conhecimentos especializados e, por meio delas, expandam os negócios digitais.

71% dos CEOs esperam que a escassez de mão de obra e de profissionais qualificados influencie ou prejudique suas estratégias de negócios. (Fortune/Deloitte)

Sem a tecnologia, o custo para alinhar as operações e executar atividades em uma empresa digital rapidamente supera a receita, pois o custo por serviço (por aplicativo) se torna alto demais quando se depende de operações humanas. Isso significa que a tecnologia não é apenas importante para expandir os negócios em uma economia digital, mas é essencial para sobreviver em uma economia digital. 

“Compare a reserva de um táxi antes de 2010 com a solicitação de um Lyft ou Uber hoje: você ainda está contratando alguém para levá-lo de um lugar a outro. Mas agora esse serviço é oferecido de forma automatizada e flexível, adaptando-se às mudanças na demanda sem a intermediação de um operador humano. O serviço de táxi tradicional precisa prever a demanda com bastante antecedência e planejar sua capacidade. Trata-se de um processo manual de planejamento e alocação de pessoal que limita a própria expansão. Serviços como o Uber incorporam mecanismos para ampliar a capacidade de forma mais dinâmica à medida que a demanda aumenta. Isso é feito automaticamente, sem intervenção humana, exceto pela reação do motorista aos dados.”

Geng Lin, CTO da F5

Atualmente, há muitos nomes no mercado para o uso da tecnologia no dimensionamento das operações. Operações digitais ou em tempo real e AIOps estão entre os principais termos candidatos para designar o que inevitavelmente chamaremos de novo modelo operacional. Mas, seja qual for o nome, o conjunto de competências essenciais para implementar com sucesso um modelo operacional digital está sintetizado em um único termo: engenharia de confiabilidade de sites (SRE).

Criada pelo Google há mais de uma década, a SRE só agora começa a se disseminar de forma significativa entre a maioria das empresas. O impacto positivo dessa mudança nas abordagens operacionais é claramente percebido na maior implantação de aplicações em múltiplas nuvens, no planejamento de cargas de trabalho mais avançadas para implantação na borda e na adoção mais rápida de IA pelas áreas de negócios, segurança e operações.

Mais de três quartos das organizações (77%) estão adotando operações de SRE. (F5)

A relação entre SRE e os negócios digitais é respaldada por resultados consistentes de pesquisas, que mostram que organizações com maior maturidade nas práticas de SRE têm uma probabilidade 1,8 vez maior de relatar melhores resultados de negócios.

As equipes que priorizam tanto a entrega quanto a excelência operacional apresentam o melhor desempenho organizacional. (Relatório State of DevOps 2021)

Incorporar essas práticas à organização e ampliá-las para expandir os negócios digitais é o objetivo da modernização das operações. Isso coloca o foco na otimização e na ampliação da segurança e da entrega de serviços digitais, o que evidencia a necessidade de ferramentas e tecnologias. Em geral, esse conjunto de ferramentas, tecnologias e serviços é conhecido como entrega de aplicações.

É inegável a importância da entrega de aplicações para o cumprimento dos objetivos de nível de serviço (SLOs) e o alinhamento com os resultados de negócios. Uma ampla maioria das organizações (82%) considera a entrega de aplicações importante ou muito importante para o cumprimento dos SLOs. De fato, esses serviços se tornaram tão essenciais para que as organizações alcancem suas metas técnicas e de negócios que a entrega de aplicações passou a constituir uma disciplina tecnológica própria.

A entrega de aplicações evoluiu e se tornou uma disciplina que combina ferramentas, tecnologias e práticas operacionais para garantir que aplicações e serviços digitais cumpram os objetivos de nível de serviço (SLOs) de escalabilidade, desempenho e confiabilidade. (Arquitetura empresarial para negócios digitais, O’Reilly)

O resultado é o surgimento da entrega moderna de aplicações.

Entrega moderna de aplicativos

A entrega moderna de aplicações vai além de uma abordagem, como microsserviços ou aplicativos móveis, para disponibilizar aplicações modernas. Na verdade, a entrega moderna de aplicações adota o conceito de entrega de aplicações como disciplina e contempla os principais recursos necessários para operar e proteger qualquer aplicação em qualquer ambiente. Esse é um ponto importante, considerando que a maioria das organizações (70%) opera aplicações em uma ampla variedade de estilos de arquitetura — de monólitos a microsserviços — e locais.

Mais de três quartos das organizações (77%) operam aplicações em vários ambientes de nuvem. (F5)

Esse portfólio diversificado de estilos arquitetônicos é um dos motivos pelos quais as organizações usam tantas tecnologias diferentes de segurança e entrega de aplicações em cada ambiente no qual também executam aplicações. Embora as aplicações baseadas em microsserviços geralmente utilizem um controlador de entrada para fornecer balanceamento de carga e roteamento de aplicações, as aplicações tradicionais tendem a depender do balanceamento de carga baseado em proxy. Uma organização com ambos os tipos de aplicações provavelmente implantará os dois tipos de tecnologias de entrega de aplicações.

Além disso, a entrega moderna de aplicações não pode ser entendida simplesmente como novos modelos de entrega de aplicações. A migração da entrega de aplicações de hardware para software, da virtualização para a conteinerização ou de ambientes locais para a nuvem não moderniza a entrega de aplicações; essas mudanças apenas alteram os locais, os formatos e os modelos de custo associados a ela. Na verdade, a entrega moderna de aplicações é uma abordagem funcional para definir a entrega de aplicações, cujo único critério são os recursos funcionais dos serviços que a compõem.

A modernização da TI — e, em particular, de suas práticas operacionais por meio da adoção de SRE — exige mais do que uma abordagem funcional. Ela requer uma nova maneira de lidar com “incidentes digitais” em tempo real. Essa nova maneira combina ferramentas, observabilidade e automação que dão suporte a práticas essenciais de SRE, como monitoramento de aplicações e definição automatizada de limites de SLO e alertas.

91% dos líderes de TI afirmaram que as operações tradicionais de TI não são mais “adequadas à finalidade” na era digital. (PagerDuty)

As ferramentas e tecnologias que permitem que os SREs lidem rapidamente com incidentes necessariamente incluem a entrega de aplicações. Isso se deve à dependência arquitetônica dos serviços de entrega de aplicações para proporcionar escalabilidade, melhorar o desempenho e até mesmo proteger aplicações e serviços digitais. Se um SRE precisar responder à degradação da disponibilidade ampliando a capacidade de um serviço, a entrega de aplicações estará no caminho crítico para a execução dessa tarefa. Portanto, a entrega moderna de aplicações também deve incorporar recursos como observabilidade e automatização.

Além disso, a entrega moderna de aplicações deve oferecer suporte a essas funções e práticas operacionais em uma ampla variedade de ambientes. As organizações já estão ampliando os limites do que é possível atualmente, adotando estratégias multinuvem que incluem a computação de borda para implantar diversos tipos de cargas de trabalho.

Em conjunto, as ferramentas e tecnologias que fornecem esses recursos em vários ambientes para dar suporte às práticas operacionais modernas constituem a “entrega moderna de aplicações”.

Entrega moderna de aplicações
Figura 1: Os componentes da entrega moderna de aplicativos

Essa é uma mudança significativa na mentalidade e na abordagem à entrega de aplicações, que — assim como tantos outros recursos nas últimas décadas — tradicionalmente tem sido apenas acrescentada para solucionar desafios após o projeto e o desenvolvimento de uma aplicação. 

A entrega moderna de aplicativos é uma disciplina tecnológica

A próxima evolução da entrega de aplicações não se resume — na verdade, não pode se resumir — simplesmente à tecnologia e às funcionalidades. Ela também deve aproveitar as sinergias existentes na arquitetura corporativa mais ampla e, consequentemente, nos negócios. Atender às expectativas digitais de disponibilidade e desempenho não é possível sem tecnologia para dimensionar e otimizar as aplicações que compõem uma experiência digital. Essa tecnologia sempre foi, e continua sendo, a entrega de aplicações. A modernização da entrega de aplicações — e sua elevação à condição de disciplina tecnológica — influenciará significativamente os recursos de todo o portfólio de negócios digitais. 

Para saber mais sobre como modernizar a arquitetura — especialmente a entrega de aplicativos — para atender às necessidades de uma empresa digital, confira nosso novo livro da O’Reilly, Arquitetura empresarial para negócios digitais.