A crescente ameaça dos ataques de ransomware sem criptografia

Ecossistema F5 | 12 de outubro de 2023

Na virada do ano, surgiu uma esperança de que as organizações estivessem começando a levar vantagem na luta contra o ransomware. Após um 2021 turbulento, marcado por um aumento nos ataques sofisticados e de alto impacto, as estatísticas pareciam promissoras. A participação do ransomware nos incidentes caiu de 21% em 2021 para 17% em 2022. E os pagamentos de ransomware caíram de US$ 765,6 milhões para US$ 456,8 milhões.

Havia um otimismo cauteloso de que talvez o pior já tivesse passado. Mas, à medida que 2023 avançava, uma dura realidade se impôs. Em um cenário de ameaças em constante evolução, o ransomware continuou causando estragos e ganhou uma nova faceta. Embora a prática de criptografar dados e mantê-los como reféns tivesse caracterizado os ataques de ransomware durante anos, os cibercriminosos acrescentaram mais uma técnica ao seu arsenal: ataques sem criptografia.

Evolução do ransomware

Os ataques de ransomware têm sido uma ameaça para as empresas há anos. No início, os cibercriminosos geralmente invadiam o sistema da vítima, criptografavam dados valiosos usando métodos robustos de criptografia e, em seguida, exigiam o pagamento de um resgate em troca da chave de descriptografia. O dilema da vítima era bastante simples: pagar o resgate ou correr o risco de perder o acesso a dados essenciais.

Para manter sua eficácia, os grupos de ransomware passaram então a desenvolver novas táticas. Por exemplo, a dupla extorsão, que não apenas criptografa seus dados, mas também ameaça divulgar publicamente as informações roubadas ou vendê-las na dark web, ganhou destaque com seu primeiro caso de grande repercussão em 2019. Pouco depois, a tripla extorsão, que leva a dupla extorsão um passo além ao explorar informações confidenciais sobre clientes, parentes ou outras entidades relacionadas à vítima, começou a ganhar destaque na mídia em 2020.

Ataques sem criptografia

Atualmente, os cibercriminosos que usam ransomware continuam aprimorando suas estratégias. Tornou-se comum as empresas manterem backups de seus dados, e ferramentas de descriptografia estão sendo criadas para neutralizar variantes de ransomware. Assim, em vez de passar pelo demorado processo de criptografar os dados, os agentes de ameaças estão simplesmente pulando essa etapa. Eles se concentram em obter acesso a dados confidenciais e ameaçam divulgá-los publicamente ou leiloá-los.

Um ataque sem criptografia depende mais da pressão psicológica para coagir as vítimas a pagar o resgate. A rapidez, a simplicidade e a menor complexidade técnica em comparação com ataques baseados em criptografia tornam essa técnica preocupante.

Algumas das possíveis consequências de ataques sem criptografia incluem:

  • Exigências de resgate mais rápidas. Com ataques sem criptografia, os cibercriminosos podem exigir um resgate mais rapidamente, pois eliminam a etapa de criptografia. As vítimas ficam sob forte pressão para pagar e impedir que seus dados sejam expostos.
  • Danos à reputação. A simples ameaça de exposição de dados pode causar um impacto grave nas empresas. Informações confidenciais roubadas, incluindo dados de clientes, registros financeiros ou propriedade intelectual, podem gerar uma perda significativa de confiança entre clientes, parceiros e o público.
  • Consequências regulatórias. As empresas que lidam com dados pessoais ou confidenciais estão sujeitas a diversas regulamentações governamentais e setoriais de proteção de dados. Em caso de violação de dados, multas elevadas e repercussões jurídicas podem agravar o impacto financeiro, tornando a situação ainda mais difícil de administrar.

BianLian

Um exemplo de grupo cibercriminoso que migrou para ransomware sem criptografia é o BianLian. De acordo com um alerta de segurança cibernética divulgado pelo FBI, pela CISA e pelo Centro Australiano de Segurança Cibernética, o BianLian tem como alvo infraestruturas críticas e organizações nos EUA e na Austrália desde junho de 2022.

O grupo de ameaças utilizava originalmente um modelo de dupla extorsão, mas, desde o início deste ano, passou a adotar principalmente a extorsão baseada na exfiltração de dados.

Recentemente, o BianLian teria atacado a organização Save the Children. O grupo afirma ter roubado 6,8 TB de dados da organização sem fins lucrativos, incluindo informações financeiras, pessoais e médicas. Em setembro, a investigação ainda estava em andamento.

Protegendo sua empresa

As previsões indicam que o ransomware causará às vítimas prejuízos anuais de aproximadamente US$ 265 bilhões até 2031. As empresas devem agir de forma proativa e estabelecer uma estrutura de segurança de confiança zero para enfrentar com eficácia tanto os ataques sem criptografia quanto o cenário em constante evolução das ameaças de ransomware.

O princípio norteador do modelo de confiança zero é: não confie cegamente; sempre verifique. Hoje, quase 90% de todo o tráfego da Internet é criptografado, e a maioria dos malwares e das ameaças fica oculta no tráfego criptografado. Se você deseja manter seus aplicativos, dados e sua organização protegidos contra malwares como ransomware — e implementar um ambiente abrangente de confiança zero —, não pode ignorar a criptografia.

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Sobre o autor

Rachael Shah
Rachael ShahGerente Sênior de Marketing de Produto | F5

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