Como as empresas de telecomunicações podem adotar a computação de borda

Ecossistema F5 | 16 de junho de 2021

À medida que a computação de borda ganha força, novas oportunidades surgem para as empresas de telecomunicações. Já equipadas com os principais recursos e capacidades de borda, as operadoras podem oferecer muito mais do que conectividade.

Empresas de diversos setores da economia estão recorrendo à computação de borda para viabilizar aplicações da “Indústria 4.0” que precisam ser altamente confiáveis e oferecer respostas rápidas. Essas aplicações podem envolver o controle remoto de máquinas ou robôs, ou um sistema automatizado de pedidos em um restaurante de fast-food ou em uma rede varejista.

As operadoras de telecomunicações atuais já podem permitir que as empresas implantem e gerenciem aplicativos com rapidez e segurança em potencialmente milhares de locais — tanto na borda da operadora quanto na borda empresarial (como mostra o gráfico abaixo). Para isso, elas precisam adotar uma solução flexível e escalável, capaz de gerenciar aplicativos em nuvens públicas e privadas, bem como em data centers locais nos quais os recursos computacionais podem ser limitados. Ao contrário dos data centers centralizados, muitas instalações de borda estarão em locais com espaço restrito e precisarão ser enxutas e econômicas.

Conquistando uma vantagem competitiva

Embora muitos outros participantes também estejam de olho no mercado de edge computing empresarial, as operadoras de telecomunicações estão em uma posição particularmente vantajosa. Elas já operam ativos físicos amplamente distribuídos, como estações-base, centrais telefônicas e até mesmo armários instalados nas ruas, que poderiam servir de base para uma rede de edge computing. Ao combinar edge computing com a conectividade necessária, é possível se tornar um fornecedor único e conveniente para as empresas.

As operadoras de telecomunicações também contam com valiosos conhecimentos técnicos e comerciais. Elas entendem de redes e interfaces de rádio, e a maioria atende empresas em seus mercados locais há décadas. Ao mesmo tempo, possuem um longo histórico de preservação da privacidade e manutenção da segurança em conformidade com regulamentações rigorosas.

Hoje, a versatilidade e a confiabilidade do 5G estão permitindo que as operadoras de telecomunicações avancem na cadeia de valor e vão além de simplesmente oferecer redes de distribuição de conteúdo e serviços de cache. Isso representa uma oportunidade de desempenhar um papel fundamental na oferta de computação de borda dinâmica e inteligente.

Além de fornecer conectividade rápida e responsiva, as operadoras podem usar o 5G para oferecer às empresas redes privadas, segurança privada e uma experiência gerenciada de serviços de ponta a ponta. Como parte dessa proposta mais ampla, agora é possível combinar redes de longa distância definidas por software com serviços de segurança, incluindo firewalls de aplicações web e medidas antibot, anti-DoS e antifraude.

Configuração e controle da computação de borda

Além de redes e segurança, tecnologias nativas da nuvem, como microsserviços, contêineres e Kubernetes, são fundamentais. Amplamente adotada no mundo da TI, a estrutura Kubernetes permite que os microsserviços que compõem um aplicativo — empacotados em um contêiner — sejam movidos dinamicamente para qualquer local de computação adequado que conte com uma pilha Kubernetes compatível. Esse local pode ser uma nuvem pública, um servidor físico pertencente à empresa ou uma máquina virtual em um ponto de presença de uma operadora de telecomunicações.

No entanto, utilizar o Kubernetes em uma arquitetura de edge altamente distribuída pode ser complicado, sobretudo devido à escassez de profissionais qualificados nessa área. Embora implantar um aplicativo em uma nuvem pública seja simples, implantá-lo em centenas ou até milhares de locais e, depois, mantê-lo atualizado e seguro é uma tarefa muito diferente. Isso exigiria ferramentas operacionais complexas. Na verdade, integrar manualmente a lógica do aplicativo às tecnologias de entrega e segurança nesses ambientes poderia gerar novos riscos de segurança e uma grande complexidade operacional.

Para complicar ainda mais, a borda significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Para alguns fornecedores, a borda se limita aos ambientes de computação específicos aos quais eles oferecem suporte. Mas as empresas querem definir a borda por si mesmas e implantar seus aplicativos onde for mais conveniente. Elas também querem ter a flexibilidade de mover esses aplicativos, ou partes deles, de um ambiente para outro à medida que seus negócios evoluem ou respondem à dinâmica do mercado.

Tornando tudo rápido e simples

Para ajudar as operadoras de telecomunicações e as empresas a enfrentar esses desafios, a F5 adquiriu a Volterra em janeiro de 2021. Agora, a F5 conta com uma plataforma que pode ser usada para implantar rapidamente e interconectar com segurança aplicações em um número ilimitado de locais de borda, independentemente de pertencerem a uma nuvem pública ou privada ou estarem no ambiente local. À medida que cresce a demanda por computação de borda, esse recurso facilitará muito a vida das diversas operadoras de telecomunicações que atendem a centenas, ou até milhares, de clientes empresariais.

Além disso, como a Volterra utiliza tecnologia de contêineres padrão do setor e Kubernetes, empresas e operadoras de telecomunicações podem “desenvolver uma vez e implantar globalmente”, em vez de reescrever o código para adaptá-lo às limitações de um provedor de edge fechado. A tecnologia da Volterra também é o meio ideal para implantar o pacote de segurança e entrega de aplicações de nível empresarial da F5 em locais de edge.

Como exemplo, a tecnologia Volterra da F5 poderia permitir que uma operadora de telecomunicações implantasse e configurasse aplicativos em centenas ou até milhares de lojas em nome de um varejista. Nesse caso, o console do Volterra pode ser usado para implantar o front-end do aplicativo nas lojas. Em seguida, a operadora poderia implantar o back-end do aplicativo nos data centers privados do varejista. A operadora também pode fornecer serviços de aplicativos, como balanceamento de carga, firewall de aplicações web, proteção contra DDoS e segurança de APIs. A etapa final é oferecer ao varejista visibilidade de ponta a ponta sobre o desempenho do aplicativo e o status de segurança de todas as lojas. Isso poderia incluir o fornecimento, pela operadora, de um portal de autoatendimento por meio do qual o varejista pudesse gerenciar a solução.

É uma abordagem elegante, simples e rápida. Além de permitir que as operadoras de telecomunicações implantem aplicativos facilmente na borda, a solução F5-Volterra interconecta essa borda com segurança a servidores de dados centrais ou à nuvem pública por meio de túneis IPSec ou SSL. A interconexão de todos os locais é realizada pela rede de backbone global privada de alta capacidade da Volterra, presente em mais de 20 PoPs em todo o mundo, com várias conexões de trânsito de nível 1 e peering privado com os principais provedores de SaaS e nuvem pública.

Ao contrário de outras soluções disponíveis no mercado, que têm origem no modelo de nuvem centralizada, a plataforma Volterra é leve e ocupa pouco espaço. Como a implantação e a configuração são praticamente imediatas, adotar a solução F5-Volterra será muito mais econômico do que tentar desenvolvê-la internamente ou trabalhar com as soluções mais rígidas e que exigem maior capacidade computacional oferecidas pelos hiperescaladores.

Implementação de uma nuvem de telecomunicações

Se as operadoras de telecomunicações conseguirem integrar a computação de borda à infraestrutura existente de forma simples e transparente para seus clientes empresariais, poderão criar novas e importantes fontes de receita. Nos próximos cinco anos, os analistas esperam que o mercado de computação de borda cresça rapidamente com a implantação de sensores industriais e para cidades inteligentes, sistemas de controle de qualidade para manufatura avançada, maquinário pesado controlado remotamente e veículos autônomos para frotas. Segundo as previsões do Boston Consulting Group, a partir de 2025, as plataformas de borda poderão até mesmo servir de base para tecnologias totalmente autônomas, incluindo veículos sem motorista, cirurgias remotas e robôs industriais. À medida que suas redes 5G se expandem, este é, mais do que nunca, o momento para as operadoras de telecomunicações desenvolverem uma proposta de computação de borda atraente.

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Tags: 2021

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Bart Salaets
Bart SalaetsDiretor de Tecnologia de Campo | F5

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