Novos horizontes do 5G para arquiteturas de telecomunicações

Ecossistema F5 | 01 de fevereiro de 2021

Bart Salaets, Diretor Sênior de Arquitetos de Soluções para a região EMEA na F5, analisa como uma arquitetura horizontal de telecomunicações pode proporcionar maior controle sobre redes e serviços

Um número cada vez maior de operadoras móveis está se preparando para implementar nuvens de telecomunicações e arquiteturas de computação de borda para funções de rede do núcleo 5G e implantações de aplicações distribuídas. Nesse processo, muitas se deparam com uma decisão fundamental: manter a abordagem tradicional e implantar pilhas verticalmente integradas de diferentes fornecedores para diferentes casos de uso? Ou adotar uma postura mais radical e implementar uma arquitetura horizontal composta por camadas distintas?

À medida que a tecnologia avança, a segunda opção começa a ganhar cada vez mais força entre as operadoras de telecomunicações com visão de futuro.

Na verdade, há fortes argumentos de que a concretização de todos os benefícios e recursos do 5G depende de uma arquitetura flexível, aberta e transparente. Essa abordagem está começando a ser adotada por algumas operadoras que estão construindo suas redes do zero, como a Rakuten Mobile, no Japão, que buscam transformar o mercado de telecomunicações com uma estrutura de custos radicalmente nova.

Uma pilha horizontal de telecomunicações envolve a dissociação completa entre a infraestrutura de servidores e de rede e os diferentes tipos de cargas de trabalho executados sobre ela. Esse tipo de arquitetura em camadas é a norma entre empresas de escala web. No entanto, para as operadoras de telecomunicações, isso exige uma mudança de mentalidade: elas precisam considerar o 5G como um caso de uso executado sobre uma plataforma comum de nuvem de telecomunicações, e não como uma pilha vertical independente.

Grandes benefícios comerciais para as operadoras

Do ponto de vista dos negócios, uma arquitetura horizontal de nuvem de telecomunicações oferece várias vantagens em relação às abordagens mais tradicionais. Em primeiro lugar, ela permite que a operadora integre seus sistemas de telecomunicações e TI em uma infraestrutura comum. Isso significa que os investimentos em CapEx e OpEx são distribuídos entre as cargas de trabalho de telecomunicações e TI, reduzindo os custos.

Em segundo lugar, ela oferece a flexibilidade de implantar alguns elementos do núcleo 5G e os aplicativos aos quais ele dá suporte junto às funções de rede na borda da rede, aproximando-os dos usuários finais. Isso os torna mais responsivos e melhora a experiência do usuário. Nos próximos anos, espera-se que haja avanços significativos e acelerados nessa área. Como exemplo, a F5 anunciou em janeiro de 2021 que adquiriu a Volterra. A união deverá viabilizar a criação do Edge 2.0, que será a primeira plataforma de borda desenvolvida para empresas e provedores de serviços, priorizando a segurança, com suporte a múltiplas nuvens, orientada por aplicativos e com capacidade de escalabilidade ilimitada.

Por fim, as operadoras de telecomunicações com uma arquitetura horizontal dependem menos de um único fornecedor. Uma arquitetura horizontal é, por natureza, mais “aberta” e, portanto, facilita a combinação de diferentes fornecedores no núcleo 5G. Ao mesmo tempo, as operadoras mantêm total visibilidade dos fluxos de tráfego entre os diferentes componentes do núcleo 5G, proporcionada pela plataforma de nuvem de telecomunicações subjacente. Além disso, a arquitetura permite aproveitar uma plataforma comum para hospedar cargas de trabalho de telecomunicações e TI. Isso minimiza a quantidade de diferentes componentes de hardware e de plataforma necessários em toda a rede. As operadoras também podem manter sua independência por meio de parcerias com grandes provedores de nuvem, como AWS e Microsoft Azure. Isso significa que elas podem implantar cargas de trabalho em partes da rede que permanecem separadas da parceria com o provedor de nuvem.

Diferentemente de seus antecessores, o padrão 5G foi desenvolvido de modo a incentivar as operadoras a adotar uma arquitetura horizontal. A nova geração da tecnologia celular foi projetada para aproveitar a arquitetura baseada em serviços que hoje permeia o setor de TI. Também é importante observar que as aplicações modernas são compostas por microsserviços que executam funções específicas e trocam informações usando o protocolo HTTP e interfaces de programação de aplicações (APIs) abertas. A arquitetura 5G baseada em serviços se apoia exatamente nos mesmos princípios, utilizando APIs baseadas em HTTP para interconectar as diferentes funções do 5G.

A necessidade de expertise interna

Naturalmente, algumas operadoras estarão mais bem preparadas do que outras para migrar para uma pilha horizontal de telecomunicações. Nossas conversas com operadoras de 5G nos levam a crer que há um interesse crescente em avançar com as implementações, mas elas provavelmente progredirão em ritmos diferentes.

Um dos principais desafios daqui para frente é que muitos provedores de serviços têm competências internas limitadas para começar a operar uma pilha horizontal de telecomunicações. Uma nova arquitetura dessa natureza exige uma grande transformação organizacional e tecnológica, pois as equipes verticais precisam ser reorganizadas em equipes horizontais.

Consequentemente, algumas operadoras podem começar com uma abordagem híbrida, migrando gradualmente as funções de fornecedores específicos de uma pilha vertical para uma horizontal. É provável que as primeiras iniciativas se concentrem em aplicações de TI, com a equipe de telecomunicações operando uma pilha específica para seus casos de uso, pelo menos no curto prazo.

Para alguns casos de uso, os aplicativos e as funções de rede precisam ser implantados mais perto dos usuários finais para atender a requisitos rigorosos de largura de banda e latência. Como resultado, começamos a observar um impulso crescente nas iniciativas de computação de borda, que exigem que as operadoras de telecomunicações implantem, protejam e gerenciem aplicativos nativos da nuvem e funções de rede 5G em um grande conjunto de clusters distribuídos do Kubernetes. É exatamente nesse ponto que a F5 e a Volterra pretendem fazer uma grande diferença, ajudando as equipes de rede e de aplicativos a implantar e gerenciar facilmente suas cargas de trabalho nativas da nuvem. Fique de olho!

Claramente, há muitos avanços e inovações a assimilar, mas o rumo geral está bem definido. À medida que implantarem redes 5G autônomas e arquiteturas de computação de borda, as operadoras de telecomunicações em todo o mundo começarão a perceber os inúmeros benefícios de adotar uma arquitetura aberta, transparente e flexível, que proporcione total visibilidade e controle sobre suas redes.

Compartilhar

Sobre o autor

Bart Salaets
Bart SalaetsDiretor de Tecnologia de Campo | F5

Mais publicações de Bart Salaets

Publicações relacionadas no blog

Entrega e proteção de agentes de IA em fábricas de IA: F5 para a arquitetura de referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros
Ecossistema F5 | 21/10/2026

Entrega e proteção de agentes de IA em fábricas de IA: F5 para a arquitetura de referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros

As soluções da F5 ampliam a Arquitetura de Referência NVIDIA OpenShell para agentes de IA seguros.

Como medir – e minimizar – o custo total de propriedade do seu Kubernetes
Ecossistema F5 | 10/12/2020

Como medir – e minimizar – o custo total de propriedade do seu Kubernetes

O Kubernetes pode ser baixado e executado gratuitamente, mas sua manutenção está longe de não ter custos. Assim como outras grandes plataformas de código aberto que são “gratuitas” apenas em um sentido simplista, o Kubernetes quase certamente exigirá investimentos para ser implantado e operado.

As-Code: a pilha de TI contínua
Ecossistema F5 | 08/10/2018

As-Code: a pilha de TI contínua

Infraestrutura, configuração, pipeline, operações. De repente, tudo é “como código”. Lori MacVittie busca esclarecer a terminologia e identificar os diferentes componentes de uma stack contínua de TI.

O estado da entrega de aplicações em 2017: automação, APIs e DevOps
Ecossistema F5 | 17/04/2017

O estado da entrega de aplicações em 2017: automação, APIs e DevOps

Explore o relatório State of Application Delivery de 2017. Leia o blog retrospectivo da F5 sobre o início da ascensão das redes declarativas e dos pipelines de DevOps.

DevOps Summit: onde a rede foi convidada para a festa
Ecossistema F5 | 11/06/2015

DevOps Summit: onde a rede foi convidada para a festa

No DevOps Summit NY, falou-se muito não apenas sobre DevOps, mas também sobre contêineres, IoT e microsserviços. As sessões se concentraram não só na mudança cultural necessária para crescer em escala com uma abordagem DevOps, mas também fizeram questão de incluir...

F5 e Nutanix convergem em infraestrutura no .NEXT
Ecossistema F5 | 08/06/2015

F5 e Nutanix convergem em infraestrutura no .NEXT

Aplicações empresariais como Microsoft SharePoint e Exchange, juntamente com a VDI, continuam sendo a espinha dorsal da sua empresa. A produtividade, embora não seja tão atraente quanto o lucro, é um fator essencial para o sucesso das operações empresariais atuais. Deixar de...