Telemetria e negócios digitais

Ecossistema F5 | 11 de abril de 2023

A convergência entre dados e negócios digitais não deveria ser uma surpresa. Basta olhar para nossos celulares para constatar a necessidade quase insaciável de todas as organizações, independentemente do setor.

Mas não são apenas nossos dados pessoais e privados que estão em alta demanda. Ao instalar um aplicativo, você provavelmente receberá uma solicitação para compartilhar dados de diagnóstico e desempenho com o desenvolvedor. Esses dados, essa telemetria, estão repletos de verdadeiras pepitas de ouro para as organizações capazes de processar e analisar os dados e agir com base no que eles revelam.

No entanto, organizações desse tipo são raras, pois as informações necessárias para ajudá-las a otimizar o desempenho e corrigir falhas estão dispersas pelas diversas redes, sistemas e serviços usados para disponibilizar aplicações.

A maioria das organizações tem dificuldade para reunir os sinais digitais necessários para decifrar o enigma de “por que isso falhou?”, quanto mais de “por que o desempenho está ruim para este usuário, mas não para aquele?”

No entanto, essa é uma capacidade essencial para uma empresa digital: a capacidade de coletar e analisar dados, identificar a origem das quedas de desempenho e a causa das interrupções, além de detectar os primeiros indícios de um ataque. Muitos podem reconhecer essas informações como insights essenciais que quase todas as organizações — 98%, para ser exato — não têm acesso.

Mas o uso da telemetria nessas investigações operacionais não é novidade. O monitoramento de desempenho de aplicações (APM) e o monitoramento de desempenho de redes (NPM) são práticas bem estabelecidas e compreendidas.

O que diferencia a telemetria em uma empresa digital é a forma como ela é utilizada pela empresa, como uma capacidade complementar ao seu uso operacional.

Sinais digitais e resultados de negócios

Antigamente, quando a Internet ainda era obscura e inexplorada, existiam lojas físicas. Feitas de tijolos, argamassa e, às vezes, metal, essas construções abrigavam fileiras e mais fileiras de produtos tentadores e prometiam um encanto sem fim com a variedade que havia em seu interior.

Os clientes eram contados ao cruzarem a soleira, e sua entrada era anunciada pelo toque de um sino.

Os vendedores percorriam os corredores em busca de clientes que precisassem de ajuda e, em algumas lojas, para convencê-los a comprar o eletrodoméstico ou sistema de entretenimento mais moderno e avançado.

Por fim, com o carrinho cheio de produtos, os compradores se tornavam clientes ao passar pelo caixa.

Hoje, isso ainda acontece em uma empresa digital, mas tudo ocorre online e é acompanhado por sinais digitais que podem ser usados pela empresa para avaliar sua situação e identificar possíveis áreas de melhoria.

Os visitantes são os compradores que cruzam a porta de entrada. Os caminhos de navegação e os registros de sessão nos mostram o que eles visualizaram e por onde passaram em nossa loja digital. As conversões indicam quantos compradores se tornaram clientes e quanto gastaram.

Os sinais digitais nos dizem mais do que as métricas tradicionais jamais poderiam revelar. É difícil saber quanto tempo um comprador passou procurando corredor após corredor, fileira após fileira, antes de encontrar o que queria. Os sinais digitais nos mostram quanto tempo um comprador permaneceu em uma página e quanto tempo levou para acessar a página seguinte.

Outros sinais digitais nos mostram quanto tempo um comprador levou para se tornar cliente ao finalizar a compra. Quanto tempo levou para preencher o formulário de compra e quanto tempo levou para processar o pagamento.

Todos esses sinais são valiosos tanto para a TI quanto para os negócios. Embora grande parte dessa telemetria forneça à TI informações sobre o desempenho e a integridade de sistemas específicos, ela oferece à empresa uma visão dos fatores que podem prejudicar as conversões e impedir o crescimento dos negócios. É nesse ponto que a linha entre TI e negócios se torna tênue — quando os resultados de negócios são definidos como métricas mensuráveis, como conversões e valor das transações. Como esses resultados são afetados pelo desempenho, pela disponibilidade e pela complexidade, mensurada pelo tempo excessivo em uma página, a telemetria também se torna um recurso inestimável para os negócios.

Negócios digitais exigem ir além do monitoramento

O uso de sinais digitais (telemetria) para alcançar resultados de negócios é um dos indicadores do amadurecimento de uma empresa digital. Mas não basta coletar logs, métricas e rastreamentos e realizar proezas analíticas quase mágicas com esses dados. Isso exige atenção cuidadosa às práticas e à cultura e, inevitavelmente, resulta em novas funções e competências.

Cientistas de dados, engenheiros de aprendizado de máquina, pipelines de dados, MLOps. Essas são apenas algumas das funções e práticas que fazem cada vez mais parte da área de dados das empresas digitais. As decisões estratégicas incluem a localização e a arquitetura dos data lakes: na nuvem ou no ambiente local, federados ou consolidados?

Para saber mais sobre esses temas e como a incorporação da telemetria ajuda a modernizar a TI e a arquitetura, leia “Dados operacionais são o novo petróleo”, capítulo escrito por Mike Corrigan, vice-presidente de Engenharia da F5, e James Hendergart, diretor de Operações de Desenvolvimento, em nosso livro da O’Reilly, Arquitetura empresarial para negócios digitais.

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Sobre o autor

Lori Mac Vittie
Lori Mac VittieEngenheiro Emérito e Evangelista-Chefe | F5

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.

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