As conclusões do Relatório sobre o Estado da Estratégia de Aplicações de 2025 indicam que as operações inevitavelmente migrarão para modelos baseados no ciclo OODA, impulsionadas pela adoção da IA generativa e clássica.
Talvez você se lembre de quando observei, no ano passado, que a IA generativa estava redefinindo a automação nas operações. Talvez não — ou talvez precise refrescar a memória. De qualquer forma, aqui vai uma breve recapitulação:
“No passado, as organizações com maior maturidade digital usavam a automação para executar scripts com base em objetivos operacionais e de negócios bem definidos, fazendo alterações de configuração e aplicando ajustes às políticas. A introdução da IA generativa tornou essa abordagem praticamente obsoleta, e o novo objetivo passou a ser um sistema mais autônomo.”
Isso se baseava na pesquisa anual do ano passado. E adivinhe só? A pesquisa deste ano apenas reforça essa conclusão. A autonomia não é mais apenas a próxima fronteira da automação — é o que as equipes de operações estão pedindo agora.
Pedimos aos participantes da nossa pesquisa anual que selecionassem todas as tarefas operacionais nas quais gostariam de contar com o auxílio da IA generativa, e as três mais citadas combinavam geração e execução:
- 57%: Geração de scripts para implantar novas configurações e políticas ou ajustar as existentes
- 56%: Geração de políticas, funções personalizadas e configurações
- 55%: Executar scripts para implantar novas configurações e políticas ou ajustar as existentes
A propósito, também fizemos uma pergunta separada para determinar quais funções operacionais os participantes se sentiriam confortáveis em deixar que a IA generativa executasse automaticamente. Ficamos um pouco surpresos ao descobrir que 99% dos participantes selecionaram pelo menos uma função.
As operações autônomas são inevitáveis.
O que isso tem a ver com os ciclos OODA? Bem, pegue um café, porque estou prestes a explicar.
O que é um Ciclo OODA?
Nas operações de TI, o Ciclo OODA (Observar, Orientar, Decidir, Agir) é uma estrutura contínua e iterativa para a rápida tomada de decisões e adaptação. Ele permite que as equipes detectem problemas de forma proativa, avaliem seu impacto em tempo real, tomem decisões fundamentadas e adotem medidas corretivas rapidamente, evitando o caos operacional e aumentando a resiliência.
- Observar: Monitore logs, telemetria e a integridade do sistema em tempo real.
- Orientar: Analise anomalias, correlacione alertas e avalie o impacto dentro do contexto.
- Decidir: Priorize a resposta — automatize, escale ou mitigue.
- Agir: Implemente correções, reverta alterações ou aplique patches.
Ciclos rápidos e iterativos significam um MTTR menor, menos interrupções e uma automação mais inteligente. Isso não é apenas agilidade; é um ciclo contínuo que se adapta constantemente. E, quando aplicado às operações de TI, muda tudo.
Operações de TI hoje
Sejamos francos: hoje, não aproveitamos de fato os ciclos OODA. A SRE está estreitamente alinhada a esse conceito, mas a maior parte das operações de TI ainda segue um modelo em cascata ou ágil. Embora a metodologia ágil tenha nos levado a um modo de operação mais contínuo, ela não lida adequadamente com mudanças em tempo real nem com iterações rápidas.
A tabela a seguir destaca as diferenças em linhas gerais:
| Cascata | Ágil | OODA | |
|---|---|---|---|
| Velocidade de decisão | Lenta |
Moderada |
Rápida |
Flexibilidade |
Rígida |
Adaptável |
Altamente flexível |
Ciclo de feedback |
Tardio (fim do ciclo) |
Contínuo |
Contínuo, em tempo real |
Gestão de riscos |
Alto (falhas em estágios avançados) |
Médio (iterações frequentes) |
Baixo (correção rápida) |
Fluxo do processo |
Linear, sequencial |
Iterativo, incremental |
Baseado em ciclos, com iterações rápidas |
Resposta a mudanças |
Resiste a mudanças |
Acolhe mudanças |
Tira proveito das mudanças |
Objetivo principal |
Previsibilidade e estrutura |
Entregar valor rapidamente |
Superar e sobrepujar |
A maioria das organizações ainda está presa a um modelo water-scrum-fall — no qual algumas etapas são ágeis, mas o processo como um todo continua seguindo o modelo em cascata. Essa abordagem híbrida torna tudo mais lento e gera ineficiências que poderiam ser eliminadas com um modelo mais adaptável, baseado no ciclo OODA.
Os dados dizem tudo
Nossa pesquisa anual apoia fortemente a adoção dos ciclos OODA. Os desafios enfrentados pelas organizações estão perfeitamente alinhados aos benefícios dessa abordagem:
- Observar – Alta sobrecarga de configuração:
Os entrevistados relatam gastar 40–50% do tempo gerenciando configurações devido ao uso de várias APIs e linguagens. Uma abordagem baseada no ciclo OODA, com o apoio da IA, poderia reduzir essa carga ao detectar sistemas redundantes ou conflitantes em tempo real. - Orientar – Consolidação e padronização de dados:
A adoção de data lakes e OpenTelemetry representa um avanço significativo para aprimorar a fase de "Orientação". Dados padronizados e de alta qualidade aumentam a capacidade de contextualizar e correlacionar eventos, permitindo decisões mais rápidas e precisas. - Decidir – Eficiência entre áreas:
Muitos entrevistados destacaram relatórios de SLO/SLI e análise de causa raiz como áreas prejudicadas por processos isolados. Um ciclo OODA orientado por IA eliminaria esses silos e melhoraria a colaboração entre equipes e a tomada de decisões. - Agir – Processos lentos e reativos:
Os métodos sequenciais atuais retardam a ação até que os problemas se agravem. Ao adotar análises em tempo real e IA na fase de "Agir", as equipes podem implementar correções imediatamente, reduzindo o tempo de inatividade e evitando incidentes graves.
Conclusão
Os dados deixam claro: as operações baseadas no ciclo OODA são o futuro.
As organizações estão consolidando seus dados, adotando a IA e buscando maior automação. A transição para um modelo adaptativo e iterativo como o OODA eliminará ineficiências, reduzirá os custos operacionais e melhorará a capacidade de resposta.
As ferramentas já existem. A única questão é: quando sua organização estará pronta para avançar?
Sobre o autor

Lori MacVittie é engenheira distinta e evangelista-chefe no Escritório do CTO da F5, com ampla experiência em entrega de aplicações, estratégia de automação e infraestrutura. Ela é conhecida por transformar complexidade em clareza, seja definindo diretrizes para agentes de IA, analisando arquiteturas multinuvem frágeis ou investigando os limites de sistemas escaláveis. Ela acumula mais de trinta anos de experiência no setor, abrangendo desenvolvimento de aplicações, arquitetura de TI e operações de redes e sistemas. Antes de ingressar na F5, atuou como editora de tecnologia e recebeu diversos prêmios. MacVittie tem mestrado em Ciência da Computação e é uma autora prolífica, com publicações que abrangem segurança, nuvem e arquitetura empresarial. Ela também é uma entusiasta de jogos de tabuleiro e videogames, além de ter opiniões assumidamente fortes sobre queijos.
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