Não é segredo que existe uma enorme disparidade de gênero na área de segurança cibernética — mesmo após os esforços da última década para aumentar a diversidade de gênero, a força de trabalho do setor continua sendo predominantemente masculina. Uma forma de começar a enfrentar esse problema é compreender melhor como mulheres e pessoas de outras identidades de gênero sub-representadas na área chegaram até aqui, quais barreiras enfrentaram e que conselhos têm para quem busca uma carreira e pertence a grupos sub-representados. Foi por isso que entrevistei Rachel Zabawa, um talento em ascensão na área de segurança cibernética aqui na F5.

Rachel iniciou sua carreira em segurança cibernética na F5, na área de vendas, e depois migrou para o marketing de produtos, onde atualmente se concentra em segurança de rede com proxy completo, desenvolvida para proteger redes e data centers contra ameaças externas, além de parcerias de canal. Fora do trabalho, é bem provável que você encontre Rachel dedicando-se a atividades criativas, como leitura, escrita, ilustração e pintura.
Rachael: Se alguém tivesse me perguntado há 10 anos se eu achava que estaria trabalhando com segurança cibernética hoje, eu teria dito que não. Durante algum tempo, segui uma trajetória profissional completamente diferente. Como você se interessou por segurança cibernética?
Rachel Z.: Assim como você e muitos outros especialistas em cibersegurança que conheço, eu não estava tentando ativamente entrar na área de cibersegurança. Meu emprego anterior era no setor financeiro, que é fortemente afetado por ataques cibernéticos, como ataques DDoS volumétricos, ataques de força bruta, phishing, smishing e engenharia social.
Senti-me naturalmente atraída pela área, pois tinha interesse em entender como esses tipos de ataque eram executados e como se defender deles.
Então, quando mudei de emprego, acabei também mudando completamente de carreira, saindo da área financeira e indo para a de cibersegurança. Pareceu uma escolha natural — sem dúvida, sou uma pessoa que leva muito a sério a segurança e a privacidade das próprias contas. E é gratificante fazer parte das soluções que permitem que outras pessoas realmente assumam o controle da própria segurança.
Rachael: Outro dia, eu estava lendo Retome o controle dos seus dados pessoais, e o texto apresenta algumas estatísticas interessantes de uma pesquisa sobre o quanto as pessoas se sentem preparadas para gerenciar a própria privacidade. Por exemplo, apenas 16% sentiam ter bastante controle sobre seus dados pessoais, enquanto quase 90% demonstraram preocupação com o compartilhamento de seus dados com terceiros. Coisas assim tiram o seu sono?
Rachel Z.: Fico muito apreensiva com a falta de regulamentação governamental sobre segurança e privacidade pessoais. Essa grande lacuna regulatória permite que os aplicativos rastreiem e vendam seus dados pessoais com fins lucrativos, sendo obrigados apenas a fazer o mínimo necessário para proteger sua identidade contra ataques cibernéticos. Os relatos cada vez mais frequentes de violações de dados divulgadas publicamente e de ataques em larga escala, como DDoS, são resultado dessa lacuna regulatória.
Todas as organizações estão constantemente combatendo ataques cada vez mais avançados como esses, e parte do meu trabalho é manter o público informado sobre soluções de segurança como o F5 BIG-IP Advanced Firewall Manager (AFM). Na F5, adaptamos nossas soluções para acompanhar a evolução do cenário de ameaças à segurança cibernética, para que pessoas e empresas possam ficar tranquilas, sabendo que seus dados estão protegidos.

Rachael: Conte-me sobre sua experiência como mulher na área de cibersegurança. Como é fazer parte de um gênero sub-representado nesse campo?
Rachel Z.: Ser mulher em qualquer setor que tenha sido, ou continue sendo, dominado por homens é desgastante. Problemas comuns são facilmente identificados no papel ou em retrospectiva, mas é extremamente difícil apontá-los e corrigir o rumo quando são vivenciados em pequenas doses no dia a dia. Um exemplo é a restrição do acesso a informações. Principalmente em setores especializados, às vezes as pessoas retêm informações, sobretudo de mulheres que estão começando na área. É como se houvesse um período de experiência implícito para quem vem de fora, no qual você precisa provar seu valor aos outros para obter as informações necessárias para realizar seu trabalho.
Outro exemplo é o policiamento do tom, em que você corre o risco de ser vista de forma negativa, a menos que termine cada frase elevando a entonação ou com uma pergunta inofensiva e encerre cada e-mail com um emoji, para que o conteúdo do que você está dizendo seja mais aceitável para as pessoas ao seu redor. Não passei por isso na F5, mas vivenciei muitas situações desse tipo em meus empregos anteriores.
Há sempre um equilíbrio delicado entre ser levada a sério como mulher ou integrante de outro grupo sub-representado e não parecer arrogante, grosseira ou irritada aos olhos da sociedade. Isso gera muita ansiedade e estresse nas tarefas diárias, além de poder diminuir a autoridade que você tem sobre determinado assunto. Além disso, é mentalmente desgastante e penoso ter de explicar e citar exemplos continuamente para justificar o que você sente em relação ao assunto.
Rachael: Em uma das minhas experiências profissionais anteriores, alguém me disse que eu precisava sorrir mais para parecer mais simpática. Lembro que isso me pegou totalmente de surpresa. O fato de eu sorrir ou não em nada afetava meu desempenho, e a pessoa nem sequer me conhecia bem. Por algum tempo, essa microinteração me deixou bastante insegura. Como as organizações podem lidar melhor com essas questões?
Rachel Z.: Na verdade, acho que a F5 lida muito bem com isso. Além de haver expectativas claras sobre como trabalhar em conjunto como uma comunidade, a F5 também contrata muitas pessoas inteligentes e talentosas, que têm uma visão de futuro e levam a sério a comunicação e a inclusão. Acredito que, nesse aspecto, a F5 seja um exemplo para o setor de tecnologia. Sinto que meu trabalho é respeitado e valorizado tanto pelas pessoas da minha equipe direta quanto por aquelas com quem trabalho fora dela — até mesmo nas interações simples do dia a dia. Não posso falar por todas as mulheres nem por todas as pessoas de grupos sub-representados, mas, para mim, vir para a F5 me deu a oportunidade de aprender mais sobre uma área pela qual eu me interessava. Além disso, posso aprender com especialistas e ter minhas perguntas, minha busca por conhecimento e meu desejo de aprimoramento pessoal levados a sério em todos os aspectos do meu trabalho.
Rachael: Qual é a importância da diversidade para o setor de segurança cibernética?
Rachel Z.: A diversidade é indiscutivelmente importante. Sem diversidade, não conseguimos compreender as experiências de vida de outras pessoas e perdemos suas perspectivas e inteligências únicas. Os cibercriminosos estão em constante evolução. Eles não se limitam a uma cultura, religião, gênero ou outra característica específica, então por que nós deveríamos nos limitar?
Ao se restringir a uma visão limitada, você corre o risco de repetir procedimentos ou processos potencialmente ineficientes, que não evoluem por não contarem com o benefício de diferentes perspectivas. Ampliar e manter a diversidade no setor faz com que as pessoas fiquem mais abertas a novas ideias e processos criativos. E, pela minha experiência pessoal, quando você tem a oportunidade de conhecer e participar de uma discussão com um grupo diversificado de pessoas, pode adquirir uma perspectiva totalmente nova sobre algo que não conseguiria alcançar por conta própria. Então, a verdadeira questão é: por que limitar o seu setor, ou a si mesmo, fechando-se e ficando estagnado quando você tem a oportunidade de crescer?

Coleção de livros da Rachel
Rachael: A Cybercrime Magazine mantém uma lista atualizada de prisões e condenações de cibercriminosos, e a diversidade é reveladora. Como a comunidade pode apoiar melhor os gêneros sub-representados — e outros grupos sub-representados — na área de segurança cibernética?
Rachel Z.: Só posso falar por mim aqui — há muitas nuances nas experiências de cada grupo sub-representado. Por ocupar uma posição privilegiada, sei que preciso pesquisar mais, me informar e reconhecer minha própria ignorância em relação a preconceitos ou ações que afetam comunidades das quais não faço parte. O ideal é que a comunidade de cibersegurança ouça e reconheça que existem muitos grupos sub-representados afetados por questões às quais outras pessoas podem estar socialmente alheias. Portanto, depois de tomar consciência e reconhecer as dificuldades socialmente impostas aos grupos sub-representados, a comunidade precisa dar um passo atrás e trabalhar com esses grupos, ampliar o alcance de suas perspectivas e garantir que tenham um lugar permanente e igualitário à mesa.
Rachael: Concordo e acho especialmente importante esse ponto que você destacou: saber ouvir é fundamental. Que conselho você daria a pessoas de grupos de gênero sub-representados nas áreas de tecnologia que estejam pensando em ingressar na área de cibersegurança?
Rachel Z.: Continue avançando em direção ao seu objetivo e defenda seus próprios interesses. Eu estava determinada a encontrar uma carreira de que gostasse e na qual me sentisse apoiada. Embora tenha precisado aceitar empregos para me sustentar que não faziam parte da área profissional que eu queria, consegui aproveitar as habilidades que aprendi em cada função para ter sucesso na minha carreira atual. Mas é preciso tempo e enfrentar rejeições para realmente chegar aonde você quer. A perseverança é fundamental.
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